A Luta (The Struggle)
por Lisa Jane Smith



Um Tringulo Amoroso de Horror Insondvel...

Damon
Determinado a fazer de Elena sua rainha da escurido, ele mataria seu prprio irmo para
possu-la.

Stefan
Desesperado pelo poder para destruir Damon, ele sucumbe a sua sede por sangue humano.

Elena
Irresistivelmente atrada por ambos os irmos, sua escolha decidir o destino deles.

A terrvel histrias de dois irmos vampiros e da linda garota dividida entre eles.




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Captulo Um

"Damon!"
Um vento gelado espalhou o cabelo de Elena pelo seu rosto, lgrimas caindo em seu suter
leve. Folhas de carvalho formavam redemoinhos por entre as fileiras de lpides, e as
rvores sacudiam juntas seus galhos em frenesi. As mos de Elena estavam frias, seus
lbios e suas bochechas estavam sem sensibilidade, mas ela se mantinha encarando o grito
do vento diretamente, gritando atravs dele.
"Damon!"
Esse tempo era uma demonstrao do Poder dele, com a inteno de assust-la. Mas isso
no funcionaria. O pensamente de este mesmo Poder sendo usado contra Stefan acordou
uma grande fria quente dentro dela que queimava contra o vento. Se Damon tiver feito
alguma coisa para Stefan, se Damon tiver ferido ele...
"Maldito, me responda!" ela gritou para os carvalhos que limitavam o cemitrio.
Uma folha morta de carvalho que parecia uma mo marrom e murcha voou at seu p, mas
no houve nenhuma resposta. Acima, o cu estava cinza como vidro, cinza como as lpides
cercando ela. Elena sentiu raiva e frustrao ardendo em sua garganta e cedeu. Ela estava
errada. Damon no estava aqui realmente; ela estava sozinha com o grito do vento.
Ela virou-se-- e ofegou.
Ele estava logo atrs dela, to perto que suas roupas tocaram nele enquanto ela se virava.
Nesta distncia, ela deveria ter sentido outro humano parado l, deveria ter sentido o calor
de seu corpo ou ouvido ele. Mas Damon,  claro, no era humano.
Ela deu dois passos para trs antes que ela pudesse parar a si mesma. Cada instinto que se
encontrava quieto enquanto ela gritava contra a violncia do vento estava agora pedindo
para ela correr.
Ela apertou seus punhos. "Onde est Stefan?"
Uma linha apareceu entre as sobrancelhas negras de Damon. "Que Stefan?"
Elena andou at ele e deu um tapa.
Ela no havia pensado em fazer isto antes de fazer, e mais tarde ela mal podia acreditar no
que tinha feito. Mas tinha sido um tapa bem forte, com toda a fora de seu corpo, e virou a
cabea de Damon para o lado. Sua mo doa. Ela parou, tentando acalmar sua respirao, e
observou ele.
Ele estava vestido como da primeira vez em que se encontraram, em preto. Suaves botas
pretas, jeans pretos, suter preto, e uma jaqueta de couro. E ele parecia com Stefan. Ela no
sabia como ela no tinha percebido isso antes. Ele tinha o mesmo cabelo preto, a mesma
pele plida, a mesma boa aparncia perturbadora. Mas seu cabelo era liso, no ondulado, e
seus olhos eram pretos como a meia-noite, e sua boca era cruel.
Ele girou sua cabea de volta lentamente para olhar ela, e ela viu sangue aparecendo na
bochecha que ela bateu.
"No minta para mim," ela disse, sua voz tremendo. "Eu sei quem voc . Eu sei o que voc
. Voc matou o Sr. Tanner ontem a noite. E agora Stefan desapareceu."
"Ele desapareceu?"
"Voc sabe que sim!"
Damon sorriu e parou imediatamente.
"Eu estou te avisando; se voc tiver machucado ele--"
"Ento o qu?" ele disse. "O que voc vai fazer, Elena? O que voc pode fazer, contra
mim?
Elena caiu em silncio. Pela primeira vez, ela percebeu que o vento tinha parado. O dia
estava morto e silencioso a sua volta, como se eles estivessem imveis no centro de algum
grande crculo de poder. Parecia que tudo, o cu pesado, os carvalhos e as faias roxas, o
prprio solo, estava conectado  ele, como se ele sugasse Poder de tudo isso. Ele estava
com a sua cabea ligeiramente para trs, seus olhos insondveis e cheios de cores estranhas.
"Eu no sei," ela sussurrou, "mas eu vou achar alguma coisa. Acredite em mim."
Ele riu de repente, e o corao de Elena deu uma sacudida e comeou a bater
rigorosamente. Deus, ele era bonito. *Belo era uma palavra fraca para descrev-lo*. Como
costume, a risada durou apenas um momento, mas mesmo quando seus lbios j estavam
sossegados ela deixava traos no seu olhar.
 "Eu acredito em voc," ele disse, relaxando, olhando ao redor do cemitrio. Ento ele se
virou e estendeu a mo para ela. "Voc  muito boa para o meu irmo," ele disse
casualmente.
Elena pensou em atirar a mo para longe, mas ela no queria tocar nele novamente.
"Diga-me onde ele est."
"Depois, possivelmente--por um preo." Ele retirou sua mo, assim que Elena percebeu
que nela havia um anel como o de Stefan: prateado e lpis lazuli. Lembre-se disso, ela
pensou ferozmente.  importante.
"Meu irmo," ele continuou, " um tolo. Ele acha que porque voc parece com Katherine
voc  fraca e facilmente conduzida como ela. Mas ele est errado. Eu podia sentir sua raiva
do outro lado da cidade. Eu posso sentir agora, uma luz branca como o sol do deserto. Voc
tem fora, Elena, mesmo como voc . Mas voc pode ser muito mais forte..."
Ela olhou fixamente para ele, sem entender, no gostando da troca de assunto. "Eu no sei
do que voc est falando. E o que isso tem haver com o Stefan?"
"Eu estou falando de Poder, Elena." De repente, ele deu um passo para perto dela, seus
olhos fixos nos dela, sua voz suave e urgente. "Voc j tentou todas as outras coisas, e nada
satisfez voc. Voc  a garota que tem tudo, mas sempre tem algo fora do seu alcance, algo
que voc precisa desesperadamente e que no pode ter. Isto  o que eu estou te oferecendo.
Poder. Vida eterna. E sentimentos que voc nunca sentiu antes."
Agora ela entendia, e blis subiu at a sua garganta. Ela sufocou-se em horror e repudio.
"No".
"Por que no?" ele sussurrou. "Por que no tentar, Elena? Seja honesta. No tem uma parte
de voc que quer isto?" Seus olhos negros estavam cheios de calor e intensidade que
segurava ela petrificada, incapaz de olhar para outro lugar. "Eu posso acordar coisas dentro
de voc que tm estado dormindo durante toda sua vida. Voc  forte o bastante para viver
no escuro, para gloriar-se nele. Voc pode se tornar a rainha das sombras. Por que no
pegar este Poder, Elena? Deixe-me ajud-la a pegar isto."
"No," ela disse, puxando seus olhos para longe dele. Ela no olharia para ele, no deixaria
ele fazer isso com ela. Ela no deixaria ele faz-la esquecer... faz-la esquecer...
" o segredo final, Elena," ele disse. Sua voz era to afvel quanto as pontas dos seus dedos
que tocavam a garganta dela. "Voc ser feliz como nunca antes."
Havia algo terrivelmente importante que ela deveria lembrar. Ele estava usando o Poder
para faz-la esquecer isto, mas ela no deixaria ele faz-la esquecer...
"E ns vamos ficar juntos, voc e eu." As pontas frias de seus dedos afagaram o lado do
pescoo dela, deslizando sob o colarinho do suter. "S nos dois, para sempre."
Houve uma pontada repentina de dor enquanto os dedos dele roaram duas minsculas
feridas na carne do pescoo dela, e a memria dela clareou.
Faz-la esquecer de...Stefan.
Isto era o que ele queria tirar da mente dela. As memrias sobre Stefan, sobre seus olhos
verdes e seu sorriso que sempre tinha tristeza por trs. Mas nada poderia forar Stefan para
fora de seus pensamentos agora, no depois do que eles compartilharam. Ela se afastou de
Damon, batendo aqueles dedos frios para o lado. Ela olhou diretamente para ele.
"Eu j achei o que eu quero," ela disse brutalmente. "E com quem eu quero estar para
sempre."
Escurido brotou nos olhos dele, uma raiva fria que se espalhou pelo ar entre eles. Olhando
dentro daqueles olhos, Elena pensou em uma cobra pronta para dar o bote.
"No seja estpida como o meu irmo," ele disse. " Ou eu terei que te tratar da mesma
forma."
Ela estava assustada agora. Ela no poderia evitar, no com o frio se derramando dentro
dela, resfriando seus ossos. O vento estava comeando de novo, os galhos sacudindo-se.
"Diga-me onde ele est, Damon."
"Nesse momento? Eu no sei. Voc no pode parar de pensar sobre ele por um instante?"
"No!" ela estremeceu, seu cabelo chicoteando na sua face novamente.
"E esta  sua resposta final, hoje? Esteja certa sobre jogar este jogo comigo, Elena. As
conseqncias no so para se dar risadas."
"Eu estou certa." Ela teve que interromper antes que ele recomeasse de novo. "E voc no
pode me intimidar, Damon, ou voc no notou? No momento em que Stefan me contou o
que voc foi, o que voc fez, voc perdeu qualquer poder que poderia ter sobre mim. Eu te
odeio. Voc me d nojo. E no existe nada que voc possa fazer contra mim, nunca mais."
A face dele se alterou, a sensibilidade torcendo-se e congelando-se, tornando-se cruel e
amargamente dura. Ele riu, mas esta risada continuou. "Nada?" ele disse. "Eu posso fazer
qualquer coisa com voc, e com as pessoas que voc ama. Voc no tem idia, Elena, do
que eu posso fazer. Mas voc vai aprender."
Ele deu um passo para trs, e o vento cortou Elena como uma faca. Sua viso pareceu estar
embaando. Era como se manchas de claridade enchessem o ar na frente de seus olhos.
 "O inverno est chegando, Elena," ele disse, e sua voz estava clara e arrepiante mesmo
sobre o uivo do vento. "Uma estao rancorosa. Antes de ela chegar, voc ter aprendido o
que eu posso e no posso fazer. Antes que o inverno chegue aqui, voc ter se juntado a
mim. Voc ser minha."
A claridade rodopiada estava cegando-a, e ela no conseguia mais ver o volume escuro da
figura dele. Agora at mesmo a voz dele estava desvanecendo-se. Ela se abraou com os
prprios braos, com a cabea curvada para baixo, seu corpo todo tremendo. Ele sussurrou,
"Stefan--"
"Oh, e mais uma coisa," a voz de Damon retornou. "Voc perguntou mais cedo sobre meu
irmo. No se incomode procurando por ele, Elena. Eu o matei na noite passada."
Ela levantou a cabea, mas no havia nada para ver, apenas a brancura vertiginosa, que
queimava seu nariz e suas bochechas e grudava seus clios. Foi s ento, quando os finos
gros caram na sua pele, que ela percebeu o que eles eram: flocos de neve.
Estava nevando no dia primeiro de novembro. Acima de sua cabea, o sol j tinha ido
embora.

Captulo Dois

Um crepsculo sobrenatural suspendia-se por sobre o cemitrio abandonado. Neve
embaava os olhos de Elena, e o vento insensibilizava o seu corpo como se ela tivesse
entrado numa correnteza de gua gelada. No entanto, teimosamente, ela no retornou para o
cemitrio novo e para a estrada alm dele. Considerando o melhor que pode, a Ponte
Wickery estava logo  sua frente. Ela se dirigiu para l.
A polcia achou o carro abandonado de Stefan na Estrada Old Creek. Isto significava que
ele havia deixado-o em algum lugar entre Riacho Drowning e a floresta. Elena tropeou no
caminho que seguia atravs do cemitrio, mas ela continuou se movendo, a cabea baixa, os
braos apertando seu suter claro para si. Ela conhecia este cemitrio toda a sua vida, e ela
poderia achar seu caminho atravs dele cega.
No momento em ela que cruzou a ponte, seus temores tinha tornado-se dolorosos. No
estava nevando to forte agora, mas o vento estava ainda pior. Ele cortava atravs de suas
roupas como se elas fossem de papel, e tomaram o seu flego.
Stefan, ela pensou, e virou-se para a Estrada Old Creek, marchando para o norte. Ela no
acreditava no que Damon tinha dito. Se Stefan estivesse morto ela saberia. Ele estava vivo,
em algum lugar, e ela tinha de ach-lo. Ele poderia estar em qualquer lugar fora desta
claridade rodopiada; ele poderia estar ferido, congelando. Vagamente, Elena sentiu que j
no estava sendo racional. Todos os seus pensamentos tinha se restringido em apenas uma
idia. Stefan. Encontrar Stefan.
Estava se tornando mais difcil continuar pela estrada. Na sua direita estavam os carvalhos,
na sua esquerda, as guas rpidas do Riacho Drowning. Ela vacilou e desacelerou. O vento
no mais parecia to forte, mas ela se sentia muito cansada. Ela precisava se sentar e
descansar, por apenas um minuto.
Enquanto ela desfalecia ao lado da estrada, ela de repente percebeu o quanto tinha sido
boba saindo para procurar Stefan. Stefan viria a ela. Tudo o que ela precisava fazer era
sentar e esperar. Ele provavelmente estava vindo agora mesmo.
Elena fechou os olhos e inclinou sua cabea contra os seus joelhos esticados. Ela se sentia
muito mais aquecida agora. Sua mente deixava-se levar e ela viu Stefan, o viu sorrindo para
ela. Os braos dele em volta dela eram fortes e seguros, e ela relaxou contra ele, feliz por
deixar o medo e a tenso. Ela estava em casa. Ela estava onde pertencia. Stefan no deixaria
nada machuc-la.
Mas ento, em vez de abra-la, Stefan estava sacudindo-a. Ele estava arruinando a bela
tranqilidade de seu descanso. Ela viu o seu rosto, plido e urgente, seus olhos verdes
escurecidos com o sofrimento. Ela tentou falar para ele ficar calmo, mas ele no ouvia.
Elena, levante-se, ele dizia, e ela sentiu a fora naqueles olhos verdes querendo que ela
fizesse isto. Elena, levante-se agora--
"Elena, levante-se!" a voz estava alta e fina e amedrontada. "Vamos l, Elena!" Levante-se!
Nos no podemos carregar voc!"
Piscando, Elena trouxe uma face para seu foco. Era pequena e tinha forma de um corao,
com uma bela, e quase translcida pele, constituda por massas de cachos macios e
vermelhos. Grandes olhos castanhos, com flocos de neve nos clios, olhavam preocupados
para ela.
 "Bonnie," ela disse lentamente. "O que voc est fazendo aqui?"
"Me ajudando a procurar por voc," falou uma segunda e mais baixa voz no outro lado de
Elena. Ela se virou ligeiramente para ver elegantes sobrancelhas arqueadas e pele
azeitonada. Os olhos escuros de Meredith, normalmente to irnicos, estavam aflitos agora,
tambm. "Levante-se, Elena, a menos que voc queira se tornar uma princesa do gelo de
verdade."
Havia neve por cima dela toda, como um casaco de pele branco. Duramente, Elena ficou
em p, apoiando-se fortemente nas duas outras garotas. Elas a carregaram at o carro de
Meredith.
Deveria estar mais quente dentro do carro, mas as terminaes nervosas de Elena estavam
voltando  vida, fazendo-a tremer, dizendo para ela o quanto ela estava fria. O inverno 
uma estao rancorosa, ela pensou enquanto Meredith dirigia.
"O que est acontecendo, Elena?" disse Bonnie do banco de trs. "O que voc pensava que
estava fazendo, fugindo da escola desse jeito? E como voc pode vir aqui?"
Elena hesitou, ento sacudiu sua cabea. Ela no queria mais nada alm de contar para
Bonnie e Meredith tudo. Contar  elas toda a terrvel histria sobre Stefan e Damon e o que
tinha realmente acontecido na noite passada com o Sr. Tanner--e sobre depois. Mas ela no
podia.
Mesmo que elas acreditassem, no era um segredo dela para contar.
"Todo mundo saiu para procurar voc," Meredith falou. "A escola toda estava transtornada,
e sua tia estava quase frentica."
"Desculpa," falou Elena de forma aptica, tentando parar sua tremedeira violenta. Elas
viraram na Rua Maple e pararam na casa dela.
Tia Judith estava esperando l dentro com um cobertor quente. "Eu sabia que se elas te
encontrassem, voc estaria quase congelada," ela disse numa voz alegre determinada
enquanto ela alcanava Elena. "Neve no dia depois do Dia das Bruxas! Eu mal posso
acreditar. Onde vocs garotas encontraram ela?"
"Na Estrada Old Creek , depois da ponte," disse Meredith.
A face fina de tia Judith perdeu cor. "Perto do cemitrio? Onde os ataques aconteceram?
Elena, como voc pode...?" A voz dela se arrastava para fora enquanto ela olhava para
Elena. "Nos no vamos falar mais nada sobre isso agora," ela falou, tentando readquirir sua
maneira alegre. "Vamos tirar essas roupas molhadas."
"Eu tenho que voltar assim que estiver seca," disse Elena. Seu crebro estava funcionando
de novo, e uma coisa estava clara: ela no tinha visto realmente Stefan l fora; tinha sido
um sonho. Stefan ainda estava perdido.
"Voc no tem que fazer nada do tipo," disse Robert, o noivo de tia Judith. Elena
praticamente no tinha notado ele parado em um dos lados at ento. Mas seu tom no
tolerou nenhum argumento. "A policia est procurando por Stefan; voc deixe para eles o
trabalho deles," ele disse.
"A polcia acha que ele matou o Sr. Tanner. Mas ele no matou. Voc sabe disto, no
sabe?" Enquanto tia Judith retirava seu mais externo suter encharcado, Elena olhou de
uma face para outra buscando por ajuda, mas elas estavam da mesma forma. "Vocs sabem
que ele no fez isto," ela repetiu, quase desesperadamente.
Houve um silncio. "Elena," Meredith falou por fim, "ningum quer pensar que ele fez.
Mas-- bem, isto parece mal, ele fugindo dessa forma."
"Ele no fugiu. No mesmo! Ele no--"
"Elena, acalme-se," falou tia Judith. "No fique to agitada. Eu acho que voc deve estar
ficando doente. Estava to frio l fora, e voc teve apenas poucas horas de sono na noite
passada..." Ela colocou uma mo na bochecha de Elena.
De repente era tudo muita coisa para Elena. Ningum acreditava nela, nem suas amigas e
sua famlia. Neste momento, ela se sentiu rodeada de inimigos.
"Eu no estou doente," ela choramingou, afastando-se.
"E eu no estou doida tambm--o que quer que vocs pensem. Stefan no fugiu e no
matou o Sr. Tanner, e eu no me importo se nenhum de vocs acreditam em mim..." ela
parou, sufocando-se. Tia Judith estava preocupada em volta dela, apresando-a escada
acima, e ela deixou-se ser apressada. Mas ela no foi para cama quando tia Judith sugeriu
que ela deveria estar cansada. Em vez disso, uma vez que ela tinha despertado, ela se sentou
no sof da sala de estar perto da lareira, com cobertores amontoados em volta de si. O
telefone tocou a tarde toda, e ela ouviu tia Judith falando com amigos, vizinhos, a escola.
Ela afirmou para todos que Elena estava bem. A... a tragdia da noite passada havia
inquietado ela um pouco, era tudo, e ela parecia um pouco febril. Mas ela ficaria boa como
nova depois de um descanso.
Meredith e Bonnie sentaram do lado dela. "Voc quer conversar?" Meredith falou numa
voz baixa. Ele balanou a cabea, olhando para o fogo. Eles estavam todos contra ela. E tia
Judith estava errada, ela no estava bem. Ela no estaria bem at que Stefan fosse achado.
Matt passou por l, neve cobrindo seu cabelo louro e sua parka (jaqueta com capuz) azul
escura. Enquanto ele entrava no cmodo, Elena olhou para ele esperanosa. Ontem Matt
tinha ajudada a salvar Stefan, quando o resto da escola queria linchar ele. Mas hoje ele
retornou seu olhar esperanoso com um de srio pesar, e a preocupao nos seus olhos era
apenas para ela.
O desapontamento era insuportvel. "O que voc est fazendo aqui?" Elena demandou.
"Mantendo sua promessa de `tomar conta de mim'?
Havia uma tremulao de mgoa em seus olhos. Mas a voz de Matt estava nivelada. "
parte disto, talvez. Mas eu tentaria tomar conta de voc de qualquer forma, no importa o
que eu tenha prometido. Eu tenho estado preocupado com voc. Oua, Elena--"
Ela no estava com humor para ouvir ningum. "Bom, eu estou bem, obrigada. Pergunte a
qualquer um aqui. Ento voc poder parar de se preocupar. Alm disso, no sei por que
voc deveria manter uma promessa para um assassino."
Surpreendido, Matt olhou para Meredith e Bonnie. Ento ele balanou sua cabea
atarantadamente. "Voc no est sendo justa."
Elena no estava com humor para ser justa tambm. "Eu te disse, voc pode parar de se
preocupar comigo, e com os meus problemas. Eu estou bem, obrigada."
A inferncia era bvia. Matt se virou para a porta no mesmo momento em que tia Judith
apareceu com sanduches.
"Desculpe, eu tenho que ir," ele murmurou, apressando-se para a porta. Ele saiu sem olhar
para trs.
Meredith, e Bonnie, e tia Judith e Robert tentaram conversar enquanto eles comiam uma
refeio cedo perto do fogo. Elena no podia comer e no falava. O nico que no estava
pssimo era a irm de Elena, Margaret. Com o otimismo de quatro anos, ela se aconchegou
 Elena e ofereceu alguns de seu doces do Dia das Bruxas.
Elena abraou sua irm fortemente, sua face imprensada no cabelo loiro claro de Margaret
por um momento. Se Stefan pudesse ter ligado para ela ou enviado uma mensagem para ela,
j teria feito nesse momento. Nada no mundo teria impedido ele, ao menos que ele estivesse
gravemente ferido, ou preso em algum lugar, ou...
Ela no se deixaria pensar sobre o ltimo "ou". Stefan estava vivo; ele tinha que estar vivo.
Damon era um mentiroso.
Mas Stefan estava com problemas, e ela tinha que ach-lo de algum jeito. Ela preocupou-se
com isto durante a noite, desesperadamente tentando pensar num plano. Uma coisa estava
clara; Ela estava por sua conta. Ela no podia confiar em ningum.
Ficou escuro. Elena moveu-se no sof e forou um bocejo.
"Eu estou cansada," Ela disse quietamente. "Talvez eu esteja doente afinal. Eu acho que
vou para cama."
Meredith estava olhando para ela intensamente. "Eu estava pensando, Senhorita Gilbert,"
ela disse, virando-se para tia Judith, "que talvez Bonnie e eu devssemos ficar. Para fazer
companhia  Elena."
"Que idia tima," disse tia Judith, agradecida. "Contanto que seus pais no se importem,
eu ficaria feliz em ter vocs aqui."
" um longo caminho de volta  Herron. Eu acho que vou ficar, tambm." Robert disse,
"Eu posso ficar no sof aqui." Tia Judith protestou dizendo que havia muitos quartos de
hspedes no andar superior, mas Robert foi inflexvel. O sof estaria bom para ele, ele
disse.
Depois de olhar uma vez do sof para o corredor onde a porta da frente estava claramente
no seu campo de viso, Elena sentou impassvel. Eles tinham planejado isto entre si, ou
pelo menos eles estavam todos nisto agora. Eles estavam tendo certeza de que ela no sairia
de casa.
Quando ela saiu do banheiro um pouco mais tarde, envolvida em seu quimono de seda
vermelha, ela encontrou Meredith e Bonnie sentadas em sua cama.
"Bem, ol, Rosencrantz e Guildenstern," ela disse amargamente.
Bonnie, que tinha estado depressiva, agora parecia alarmada. Ela olhou de relance para
Meredith duvidosa.
"Ela sabe quem ns somos. Ela quer dizer que acha que ns somos espis de sua tia,"
Meredith interpretou. "Elena, voc deveria perceber que no  isso. Voc no pode confiar
na gente mesmo?"
"Eu no sei. Eu posso?"
"Sim, pois somos suas amigas." Antes que Elena pudesse se mover, Meredith pulou da
cama e fechou a porta. Ento ele se virou para encarar Elena. "Agora, pelo menos uma vez
na sua vida, me oua, sua pequena idiota.  verdade que ns no sabemos o que pensar
sobre Stefan. Mas, voc no v,  tudo sua culpa. Desde que voc e ele ficaram juntos, voc
tem excludo a gente. Coisas tm acontecido que voc no tem contado para ns. Ou pelo
menos no tem contado toda a histria. Mas apesar disso, apesar de tudo, ns ainda
confiamos em voc. Ns ainda nos preocupamos com voc. Ns ainda estamos do seu lado,
Elena, e queremos te ajudar. E se voc no v isso, ento voc  uma idiota."
Lentamente, Elena olhou do escuro e intenso rosto de Meredith para o plido de Bonnie.
Bonnie inclinou a cabea afirmativamente.
" verdade," ela disse, piscando forte como se para conter as lgrimas. "Mesmo se voc
no goste de ns, ainda gostamos de voc."
Elena sentiu seus prprios olhos se enchendo de lgrimas e sua expresso severa se enrugar.
Ento Bonnie estava fora da cama, e elas estavam todas se abraando, e Elena descobriu
que no podia deter as lgrimas que escorriam pelo seu rosto.
"Desculpem-me se eu no tenho falado com vocs," ela disse. "Eu sei que vocs no
entendem, e eu no posso nem explicar porque eu no posso contar tudo. Eu apenas no
posso. Mas tem uma coisa que eu posso conta a vocs." Elena recuou, enxugando suas
bochechas, e olhos para elas seriamente. "No importa o quanto as evidncias contra Stefan
parecem ruins, ele no matou o Sr. Tanner. Eu sei que no, porque eu sei quem matou. E  a
mesma pessoa que atacou Vickie, e o velho embaixo da ponte. E--" Ela parou e pensou por
um momento. "--e, oh, Bonnie, eu acho que ele matou Yangtze, tambm."
"Yangtze?" Os olhos de Bonnie alargaram-se. "Mas por que ele mataria um cachorro?"
"Eu no sei, mas ele estava l naquela noite, na sua casa. E ele estava... bravo.
Desculpe-me, Bonnie."
Bonnie sacudiu sua cabea confusamente. Meredith disse, " Por que voc no conta para a
polcia?"
A risada de Elena foi ligeiramente histrica. "Eu no posso. No  algo que eles possam
enfrentar. E isto  outra coisa que eu no posso explicar. Vocs disseram que ainda confiam
em mim; bem, vocs tero apenas que confiar em mim sobre isto."
Bonnie e Meredith olharam uma para a outra, ento para a colcha, onde os dedos nervosos
de Elena estavam retirando fios do bordado. Finalmente, Meredith disse, "Tudo bem. No
que ns podemos ajudar?"
"Eu no sei. Nada, a menos que..." Elena parou e olhou para Bonnie. "A menos que," ela
disse, numa voz diferente, " voc possa me ajudar a achar Stefan."
Os olhos castanhos de Bonnie estavam genuinamente perplexos. "Eu? Mas o que eu posso
fazer?" Ento, com a inspirao de Meredith, ela disse, "Oh. Oh."
"Voc sabia onde eu estava no dia em que eu fui para o cemitrio," falou Elena. "E voc at
previu que Stefan estava vindo para a escola."
"Eu pensei que voc no acreditasse em toda essa coisa psquica," disse Bonnie fracamente.

"Eu aprendi uma coisa ou duas desde ento. Em todo o caso, eu estou disposta a acreditar
em qualquer coisa se isto ajuda a achar Stefan. Se houver alguma chance realmente, isto ir
ajudar.
Bonnie foi se arqueando, como se tentasse fazer sua j minscula forma a menor possvel.
"Elena, voc no entende," ela disse infeliz. "Eu no sou treinada; no  algo que eu possa
controlar. E--e no  um jogo, no mais. Quanto mais voc usa estes poderes, mais eles
usam voc. Eventualmente, eles podem acabar usando voc toda hora, voc querendo ou
no.  perigoso."
Elena levantou-se e andou at a cmoda com espelho de madeira de cerejeira, olhando para
ela sem realmente ver. Enfim, ela se virou.
"Voc est certa, no  um jogo. E eu acredito em voc sobre o quanto perigoso isto pode
ser. Mas no  um jogo para Stefan, tambm. Bonnie, eu acho que ele est l fora, em
algum lugar, terrivelmente ferido. E no h ningum para ajud-lo; ningum nem ao menos
procurando por ele, exceto seus inimigos. Ele pode estar morrendo agora mesmo. Ele--ele
pode at estar..." Sua garganta fechou. Ela curvou sua cabea sobre a cmoda e fez a si
mesma tomar um longo suspiro, tentando firmar-se. Quando ela olhou para cima, ela viu
que Meredith estava olhando para Bonnie.
Bonnie endireitou seus ombros, postando-se o mais alto que podia. Seu queixo levantado e
sua boca imobilizada. E nos seus olhos normalmente castanho, uma luz sinistra brilhou
quando eles encontraram os de Elena.
"Ns precisamos de uma vela," foi tudo o que ela disse.
O fsforo raspou e jogou fascas na escurido, e ento a chama da vela queimou forte e
clara. Ela emprestou um brilho dourado a face plida de Bonnie enquanto ela se curvava
sobre a vela.
"Eu irei precisar que ambas me ajudem a focar," ela disse. "Olhem para a chama, e pensem
sobre Stefan. Imaginem ele nas suas mentes. No importa o que acontea, continuem a
olhar para a chama. E no importa o que vocs faam, no falem nada."
Elena inclinou a cabea concordando, e ento o nico som no cmodo era de respirao
suave. A chama cintilava e danava, jogando desenhos* (patterns) de luz sobre as trs
garotas sentadas de pernas cruzadas em volta. Bonnie, com os olhos fechados, respirava
profundamente e lentamente, como algum se deixando levar pelo sono.
Stefan, pensou Elena, olhando para a vela, tentando derramar todo o seu desejo dentro do
pensamento. Ela o criou em sua mente, usando todos os seu sentidos, conjurando ele para
ela. A aspereza de seu suter de l embaixo de sua bochecha, o cheiro de sua jaqueta de
couro, a fora de seus braos em volta dela. Oh, Stefan...
Os clios de Bonnie vibraram e sua respirao acelerou, como uma pessoa dormindo e
tendo pesadelos. Elena resolutamente manteve seus olhos na chama, mas quando Bonnie
quebrou o silncio um arrepio percorreu a sua espinha.
Primeiro, era apenas um gemido, o som de algum em sofrimento. Ento, enquanto Bonnie
atirava sua cabea para trs, sua respirao vindo em curtas rajadas, tornou-se palavras.
"Sozinho..." ela diz e parou. As unhas de Elena afundaram em sua mo. "Sozinho... no
escuro," falou Bonnie. Sua voz estava distante e torturada.
Teve outro silncio, e ento Bonnie comeou a falar rapidamente.
"Est escuro e frio. E estou sozinho. H alguma coisa atrs de mim... pontuda e dura.
Pedras. Elas costumavam me machucar--mas no agora. Eu estou sem sensibilidade, por
causa do frio. Muito frio..." Bonnie se mexeu, como se para se afastar de alguma coisa, e
ento ela riu, uma risada medonha quase como um soluo. "Isso ... engraado. Eu nunca
pensei que eu gostaria tanto de ver o Sol. Mas  sempre escuro aqui. E frio. gua at o meu
pescoo, como gelo. Isto  engraado tambm. gua em todo o lugar--e eu morrendo de
sede. Tanta sede... di..."
Elena sentiu algo apertado em volta de seu corao. Bonnie estava dentro dos pensamentos
de Stefan, e o que sabe o que ela poderia descobrir l? Stefan, diga-nos onde voc est, ela
pensou desesperadamente. Olhe em volta; diga-nos o que voc v.
"Sede. Eu preciso de... vida?" A voz de Bonnie estava duvidosa, como se no estivesse
certa de como transcrever algum conceito. "Estou fraco. Ele disse que eu sempre serei o
mais fraco. Ele  forte... um matador. Mas isto  o que eu sou tambm. Eu matei Katherine;
talvez eu merea morrer. Por que apenas no deixar?..."
"No!" disse Elena antes que ela pudesse parar a si mesma. Neste momento, ela se
esqueceu de tudo menos o sofrimento de Stefan. "Stefan--"
"Elena!" Meredith gritou abruptamente no mesmo momento. Mas a cabea de Bonnie caiu
para frente, o fluxo de palavras cortado. Horrorizada, Elena percebeu o que tinha feito.
"Bonnie, voc est bem? Voc pode ach-lo de novo? Eu no queria..."
A cabea de Bonnie se levantou. Seus olhos estavam abertos agora, mas eles no olhavam
nem para a vela nem para Elena. Eles observavam mais  frente, inexpressveis. Quando ela
falou, sua voz estava distorcida, e o corao de Elena parou. No era a voz de Bonnie, mas
era uma voz que Elena reconhecia. Ela ouviu a mesma vindo dos lbios de Bonnie uma vez
antes, no cemitrio.
 "Elena," a voz disse, "no v para a ponte.  a Morte, Elena. Sua morte est esperando l."
Ento Bonnie caiu para frente.
Elena segurou os ombros dela e sacudiu "Bonnie!" ela quase gritou. "Bonnie!"
"O que... oh, no. Deixe." A voz de Bonnie estava fraca e abalada, mas era a sua voz. Ainda
dobrada, ela colocou uma mo na sua testa.
"Bonnie, voc est bem?"
"Eu acho... sim. Mas foi to estranho." O tom de sua voz elevou-se e ela olhou para cima,
piscando. "O que foi isso, Elena, sobre ser um matador?"
"Voc lembra-se disto?"
"Eu me lembro de tudo. Eu no posso descrever isto, foi terrvel. Mas o que isto significa?"
"Nada," disse Elena. "Ele estava alucinando,  tudo."
Meredith se intrometeu. "Ele? Ento voc realmente acha que ela sintonizou em Stefan?"
Elena balanou a cabea em sinal de positivo, seus olhos violentos e ardentes enquanto ela
olhava para longe. "Sim. Eu acho que era Stefan. Tinha que ser. E eu acho que ela at
mesmo contou-nos onde ele est. Embaixo da Ponte Wickery, na gua."
Captulo Trs

Bonnie encarou-a. "Eu no me lembro de nada sobre a ponte. No parecia como se fosse
uma ponte."
"Mas voc disse, no final. Eu pensei que voc se lembrasse..." A voz de Elena se perdeu.
"Voc no lembra esta parte," ela disse insipidamente. No era uma pergunta.
"Eu me lembro de estar sozinho, em algum lugar gelado e escuro, e sentindo-me fraca... e
com sede. Ou era com fome? Eu no sei, mas eu precisava de... alguma coisa. E eu quase
queria morrer. E ento voc me acordou."
Elena e Meredith trocaram olhares. "E depois disso," Elena disse para Bonnie, "voc disse
mais uma coisa, em uma voz estranha. Voc disse para no ir  ponte."
"Ela disse para voc no ir  ponte." Meredith corrigiu. "Voc em particular, Elena. Ela
disse que Morte estava esperando."
"Eu no me importo com o que est esperando," disse Elena. "Se l  onde Stefan est, 
para l que estou indo."
"Ento  para l que nos todas estamos indo," disse Meredith.
Elena hesitou. "Eu no posso pedir para vocs fazerem isto," ela disse devagar. "L pode ter
perigo--de um tipo que vocs no conhecem. Pode ser melhor eu ir sozinha."
"Voc esta brincando?" Bonnie disse, esticando o seu queixo. "Ns amamos perigo. Eu
quero ser jovem e bonita na minha sepultura, lembra?"
"No," disse Elena rapidamente. "Voc foi quem disse que no era um jogo."
"E no  para Stefan tambm," Meredith as lembrou. "No estamos fazendo muito bem
para ele paradas aqui."
Elena j estava tirando o seu quimono, movendo-se at o closet. " melhor nos
agasalharmos. Peguem qualquer coisa que voc quiserem para se manterem quente," ela
disse.
Quando elas estavam mais ou menos vestidas para o tempo, Elena virou-se para a porta.
Ento ela parou.
"Robert," ela disse. "No tem como passarmos por ele para a porta da frente, mesmo se ele
estiver dormindo."
Simultaneamente, as trs viraram-se para a janela.
"Oh, maravilhoso," disse Bonnie.
Enquanto elas escalavam o marmeleiro, Elena percebeu que tinha parado de nevar. Mas o ar
frio na sua bochecha a fez lembrar-se das palavras de Damon. O inverno  uma estao
rancorosa, ela pensou, ela tremeu.
Todas as luzes da casa estavam apagadas, incluindo as da sala de estar. Robert j devia ter
ido dormir. Mesmo assim, Elena prendeu sua respirao enquanto elas rastejavam pelas
janelas escuras. O carro de Meredith estava um pouco mais para baixo na rua. No ltimo
minuto, Elena decidiu pegar uma corda, e ela abriu silenciosamente a porta de trs para a
garagem. Havia uma rpida correnteza no Riacho Drowning, e atravessar seria perigoso.
O caminho at o final da cidade foi tenso. Enquanto elas passavam pelos arredores da
floresta, Elena se lembrou da maneira que as folhas caram nela no cemitrio.
Particularmente folha de carvalho.
"Bonnie, as folhas de carvalho tem algum significado especial? Sua av falou alguma vez
sobre elas?"
"Bem, elas so sagradas para os Druidas. Todas as rvores so, mas os carvalhos so os
mais sagrados. Eles acham que o esprito das rvores deu a eles poderes."
Elena digeriu isto em silncio. Quando elas alcanaram a ponte e saram do carro, ela deu
um olhar inquieto para os carvalhos no lado direito da estrada. Mas a noite estava clara e
estranhamente calma, e nenhuma brisa agitou as folhas secas deixadas nos galhos.
"Procurem por um corvo," ela disse para Bonnie e Meredith.
"Um corvo?" Meredith disse agudamente. "Como o corvo do lado de fora da casa de
Bonnie na noite em que Yangtze morreu?"
"Nesta noite Yangtze foi morto. Sim." Elena se aproximou das guas escuras do Riacho
Drowning com os batimentos acelerados. Tirando o seu nome, no era uma enseada, mas
sim um rio de forte correnteza com bancos de argila vermelha nativa. Acima dela
encontrava-se a Ponte Wickery, uma estrutura de madeira construda  quase um sculo
atrs. Uma vez, tinha sido forte o suficiente para suportar vages; agora era apenas uma
passarela que ningum usado, pois estava muito fora de caminho. Era um lugar intil,
solitrio e hostil, Elena pensou. Aqui e ali havia pores de neve na terra.
Apesar das palavras bravas mais cedo, Bonnie estava andando para trs. "Lembra da ltima
vez que cruzamos essa ponte?" Ela disse.
Muito bem, Elena pensou. Na ltima vez que elas cruzaram a ponte, elas estavam sendo
perseguidas por... alguma coisa...do cemitrio. Ou algum, ela pensou.
"Ns no vamos atravessar ainda," ela disse. "Primeiro temos que olhar embaixo, deste
lado"
Os faris do carro iluminaram apenas uma pequena poro da margem embaixo da ponte.
Enquanto Elena saia do caminho estreito de luz, ela sentiu uma vibrao nauseante de
pressentimento. Morte estava esperando, a voz disse. Estava a Morte a embaixo?
Seus ps escorregaram nas pedras midas e cheias de limo. Tudo o que ela podia ouvir era a
pressa da gua, e seu eco oco vindo da ponte sobre sua cabea. E, embora ela tenha forado
sua viso, tudo o que ela pode ver no escuro foi  margem bruta e os cavaletes de madeira
da ponte.
"Stefan?" ela murmurou, e ela estava quase feliz que o barulho da gua cobriu sua voz. Ela
se sentiu como uma pessoa chamando "quem est ai?" para uma casa vazia, ainda com
medo do que poderia responder.
"Isto no est certo," disse Bonnie atrs dela.
"O que voc quer dizer?"
Bonnie estava olhando em volta, agitando sua cabea ligeiramente, seu corpo tenso de
concentrao. "S parece errado. Eu no--bem, por uma coisa eu no ouvi o rio antes. Eu
no podia ouvir nada realmente, apenas o silncio morto."
O corao de Elena caiu com desnimo. Parte dela sabia que Bonnie estava certa, que
Stefan no estava neste lugar selvagem e solitrio. Mas parte dela estava muita assustada
para ouvir.
"Temos que ter certeza," ela disse atravs do aperto em seu peito, e ela moveu-se mais para
dentro da escurido, sentindo o seu caminho em frente, p no poder ver. Mas no final ela
teve que admitir que no havia nenhum sinal que alguma pessoa tivesse estado
recentemente aqui. Nenhum sinal de uma cabea escura na gua, tambm. Ela limpou as
mos frias e enlameadas no seu jeans.
"Ns podemos checar o outro lado da ponte," disse Meredith, e Elena concordou
mecanicamente. Mas ela no precisa olhar a expresso no rosto de Bonnie para saber o que
elas achariam. Este era o lugar errado.
"Vamos apenas sair daqui," ela disse, escalando atravs da vegetao para a cunha de luz
alm da ponte. Assim que tinha alcanado isto, Elena congelou.
Bonnie engasgou. "Oh, Deus--"
"Volte," sibilou Meredith. "At a margem."
Uma figura preta foi claramente representada contra os faris do carro acima. Elena,
olhando com o corao batendo descontroladamente, no podia dizer nada sobre isto alm
de que era um macho. A face estava na escurido, mas ela teve um sentimento terrvel.
Estava se movendo at elas.
Abaixando-se rapidamente para ficar fora de vista, Elena encolheu-se contra a margem
lamacenta embaixo da ponte, empresando a si prpria o mximo que podia.
Elas no podiam ver nada daqui, mas de repente houve um rudo de passos pesados na
ponte. Mal ousando respirar, elas aderiram-se uma a outra, as faces para cima. Os passos
pesados rangeram atravs das tbuas de madeira, movendo-se para longe delas.
Por favor, deixe-o continuar indo, pensou Elena. Oh, por favor...
Ela afundou seus dentes nos lbios, e ento Bonnie choramingou suavemente, sua mo
gelada agarrando a de Elena. Os passos estavam retornando.
Eu deveria ir l, Elena pensou. Sou eu quem ele quer, no elas. Foi isso o que ele disse. Eu
deveria ir l e enfrent-lo, e talvez ele deixe Bonnie e Meredith irem. Mas a raiva impetuosa
que tinha sustentado-a esta manh estava em cinzas agora. Com toda a sua fora de
vontade, ela no poderia soltar sua mo da de Bonnie, no poderia se separar.
Os passos soaram logo acima delas. Ento houve um silncio, seguido por um som de algo
escorregando na margem.
No, pensou Elena, seu corpo carregado com medo. Ele estava descendo. Bonnie lamentou
e enterrou sua cabea contra os ombros de Elena, e Elena sentiu todos os seus msculos
tensos enquanto ela via o movimento--p, pernas-- aparecendo da escurido. No...
"O que vocs esto fazendo aqui?"
A mente de Elena recusou-se a processar esta informao de primeira. Ela estava em pnico
ainda, e ela quase gritou enquanto Matt deu outro passo para a margem, fitando para baixo
da ponte.
"Elena? O que voc est fazendo?" ele disse de novo.
Bonnie levantou a cabea. A respirao de Meredith explodiu em alvio. Elena se sentiu
como se seus joelhos fossem ceder.
"Matt", ela disse. Foi tudo o que ela pode reproduzir.
Bonnie foi mais eloqente. "O que voc acha que voc est fazendo? Ela disse em tons
elevados. "Tentando nos dar um ataque do corao? O que voc est fazendo aqui fora a
est hora  noite?"
Matt colocou uma mo no seu bolso, trocando rapidamente. Enquanto elas emergiam
debaixo da ponte, ele olhou para fora alm do rio. "Eu segui vocs."
"Voc o que?" disse Elena.
Relutante, ele se balanou para encarar ela. "Eu segui vocs," ele repetiu, seus ombros
tensos. "Eu percebi que voc encontraria uma maneira de enganar sua tia e sair de novo.
Ento eu sentei no meu carro do outro lado da rua e observei a sua casa. Certo o suficiente,
vocs trs desceram pela janela. Ento eu segui vocs at aqui.
Elena no sabia o que falar. Ela estava furiosa,  claro, ele tinha provavelmente deito isto s
para manter sua promessa com Stefan. Mas o pensamento de Matt sentado l fora no seu
velho e batido Ford, provavelmente congelando at a morte e sem suprimento... Isto deu a
ela uma estranha angstia que ela no queria prolongar.
Ele estava olhando para o rio novamente. Ela se aproximou dele e falou calmamente.
"Desculpe-me, Matt," ela disse. "Sobre como eu te tratei em casa, e--e sobre--" Ela
procurou atrapalhadamente por um minuto e ento desistiu. Sobre tudo, ela pensou
desesperanada.
"Bem, desculpe-me por assustar vocs ainda pouco." Ele se virou veloz para encar-la,
como se isso resolvesse a questo. "Agora vocs podem, por favor, me contar o que vocs
pensavam que estavam fazendo?"
"Bonnie pensava que Stefan poderia estar aqui."
"Bonnie no," disse Bonnie. "Bonnie disse logo que era o lugar errado. Ns estvamos
procurando por um lugar quieto, sem barulho, e fechado. E me senti... cercada." Ela
explicou para Matt.
Matt olhou para ela cuidadosamente, como se ele pudesse morder. "Certamente voc
sentiu," ele disse.
"Havia pedras em volta de mim, mas no como as pedras desse rio."
"Uh, no,  claro que no eram." Ele olhou pelo canto dos olhos para Meredith, que teve
pena dele.
"Bonnie teve uma viso," ela disse.
Matt recuou um pouco, e Elena pode ver seu perfil nos faris. Pela sua expresso, ela
poderia dizer que ele no sabia se fugia ou se as levava para o manicmio mais prximo.
"No  uma brincadeira." ela disse. "Bonnie  psquica, Matt. Eu sei que eu sempre disse
que no acreditava este tipo de coisa, mas eu estava errada. Voc no sabe o quanto errada.
Nesta noite, ela--ela sincronizou na mente de Stefan de alguma forma e teve um relana de
onde ele est.
Matt deu um longo suspiro. "Eu vejo. Okay..."
"No me proteja! Eu no sou burra, Matt, e eu estou te falando que  verdade. Ela estava l,
com Stefan; ela sabia de coisas que apenas ele saberia. E ela viu o lugar em que ele est
aprisionado."
"Aprisionado," disse Bonnie. " isso. No era definitivamente algo aberto como um rio.
Mas havia gua, gua at o meu pescoo. O pescoo dele. E paredes de pedra em volta,
coberta com musgo espesso. A gua era gelada e cheirava mal tambm.
"Mas o que voc viu?" Elena disse.
"Nada. Era como se estivesse cega. De alguma forma eu sabia que se houvesse at mesmo o
mais fraco raio de luz eu seria capa de ver, mas eu no pude. Estava negro como um
tmulo."
"Como um tmulo..." Um fino arrepio passou por Elena. Ela pensou sobre a igreja
arruinada acima do cemitrio. Havia um tmulo l, um tmulo que ela pensou ter se aberto
uma vez.
"Mas um tmulo no seria to molhado," Meredith falou.
"No... mas eu no tenho idia nenhuma de onde isto pode ser ento," Bonnie disse. "Stefan
no estava realmente em seu juzo perfeito; ele estava to fraco e to machucado. E com
tanta sede--"
"Elena abriu a boca para parar Bonnie de continuar, mas no mesmo momento Matt
interrompeu.
"Eu vou dizer com o que isto parece para mim," ele disse.
As trs garotas olharam para ele, ligeiramente separado do grupo como se fosse um ouvinte.
Elas quase tinham se esquecido dele.
"Poo?" disse Elena.
"Exatamente," ele disse. "Quero dizer, isto parece com um poo."
Elena piscou, excitao agitando-se nela. "Bonnie?"
"Poderia ser," disse Bonnie lentamente. "O tamanho, as paredes e tudo estariam certas. Mas
um poo  aberto; eu seria capaz de ver as estrelas."
"No se estivesse coberto," disse Matt. "Muitas das fazendas antigas por aqui tm poos
que no so mais usados, e alguns fazendeiros cobrem eles para ter certeza que crianas
pequenas no caiam. Meus avs fazem isto."
Elena no podia conter sua agitao mais. "Pode ser isto. Tem que ser isto... Bonnie,
lembre-se, voc disse que  sempre escuro l."
"Sim, e tinha uma sensao de subsolo." Bonnie estava agitada, tambm, mas Meredith
interrompeu com uma pergunta seca.
"Quantos poos voc acha que existe em Fell's Church, Matt?"
"Dzias, provavelmente," ele disse. "Mas cobertos? No tantos. E se voc esta sugerindo
que algum jogou Stefan nele, ento no pode ser um lugar onde pessoas possam ver isto.
Provavelmente algum lugar abandonado..."
"E o carro dele foi encontrado nesta rota," disse Elena.
"O velho lugar dos Francher," disse Matt.
Todos olharam de um para o outro. A casa da fazenda dos Francher tinha sido arruinada e
abandonada por mais tempo que algum podia lembrar. Encontrava-se no meio da floresta,
e a mesma tinha se apossado dela h quase um sculo atrs.
"Vamos l," adicionou Matt simplesmente.
"Elena colocou uma mo no seu brao. "Voc acredita--?"
Ele olhou para longe por um momento. "Eu no sei em que acreditar," ele disse por fim.
"Mas eu estou indo."
Eles se separaram e pegaram ambos os carros, Matt com Bonnie na frente, e Meredith
seguindo com Elena. Matt pegou uma pequena e em desuso estradinha para dentro da
floresta at ela desaparecer.
"A partir daqui a gente anda," ele disse.
Elena estava feliz por ter pensado em trazer uma corda; eles precisariam dela se Stefan
estivesse mesmo no poo dos Francher. E se ele no estivesse...
Ela no se deixaria pensar sobre isto.
Era difcil seguir pelo meio da floresta, especialmente no escuro. A vegetao rasteira era
espessa, e os galhos mortos chegavam a arranhar eles. Mariposas se agitavam em volta
deles, roando na bochecha de Elena com asas invisveis.
Eventualmente, eles chegaram a uma clareira. As fundaes da velha casa podiam ser
vistas, construes de pedra amarradas ao cho, agora, por ervas daninhas e espinheiros. Na
maior parte, a chamin estava ainda intacta, com, com lugares ocos onde o concreto havia
mantido junto uma vez, como um monumento em desintegrao.
"O poo deve ser em algum lugar l atrs," Matt disse.
Foi Meredith que encontrou o poo e chamou os outros. Eles se reuniram em volta e
olharam para a plancie, blocos quadrados de pedra quase no nvel do solo.
Matt parou e examinou a sujeira e as ervas daninhas em volta. "Foi movido recentemente,"
ele disse.
Foi neste momento que o corao de Elena comeou a bater fervorosamente. Ela podia o
sentir ecoando na sua garganta e nas pontas dos seus dedos. "Vamos tirar isto," ela disse
numa voz mal acima de um sussurro.
A laje de pedra era to pesada que Matt nem podia desloc-la. Finalmente todos os quatro
puxaram, empurrando-se de encontro com o cho dela, at que, com um gemido, o bloco se
moveu uma frao de polegada. Uma vez que havia uma minscula abertura entre a pedra e
o poo, Matt usou um galho morto para erguer como uma alavanca, alargando a abertura.
Ento eles todos puxaram de novo.
Quando houve uma abertura larga o suficiente para sua cabea e ombros, Elena curvou-se,
olhando para dentro. Ela estava quase amedrontada para confiar.
"Stefan?"
Os segundos depois, pairando sobre esta abertura escura, olhando para baixo para a
escurido, ouvindo apenas os ecos dos seixos agitados pelo movimento dela, foram
agonizantes. Ento, incrivelmente, houve outro som.
"Quem--? Elena?"
"Oh, Stefan!" O alvio a fez ficar fora de si. "Sim! Estou aqui, estamos aqui, e vamos tir-lo
da. Voc est bem? Voc est machucado?" A nica coisa que parou ela de tombar a si
mesma no poo foi Matt pegando-a por trs. "Stefan, segure-se, ns temos uma corda.
Diga-me que voc est bem."
Houve um fraco, quase irreconhecvel som, mas Elena soube o que era. Uma risada. A voz
de Stefan estava abatida, mas inteligvel. "Eu--j estive melhor," ele disse. "Mas eu
estou--vivo. Quem est com voc?"
"Sou eu. Matt," disse Matt libertando Elena. Ele se curvou para o buraco. Elena, quase
delirando de euforia, notou que ele estava com um olhar ligeiramente atordoado. "E
Meredith e Bonnie, que vai dobrar algumas colheres para ns depois. Eu vou atirar uma
corda para voc... A est, a no ser que Bonnie possa levitar voc para fora." Ainda de
joelhos, ele se virou para olhar para Bonnie.
Ela deu um tabefe no topo da cabea dele. "No brinque sobre isto! Traga ele para cima!"
"Sim, senhora (ma'am)," disse Matt, um pouco tonto. "Aqui, Stefan. Voc ter que amarrar
isto em volta de voc."
"Sim," disse Stefan. Ele no podia argumentar sobre seus dedos insensveis por causa do
frio ou se eles conseguiriam ou no transportar o seu peso para cima. No havia outra
maneira.
"No!" A voz estava fraca e rouca, e tinha vindo da figura sem fora que Elena embalava.
Ela sentiu Stefan se encolher, sentiu ele lentamente levantar a cabea. Seus olhos verdes
fixos nos dela, e ela viu urgncia neles.
"Sem... mdicos." Aqueles olhos queimaram nos olhos dela. "Prometa... Elena."
Os prprios olhos de Elena arderam e sua viso embaou. "Eu prometo," ela murmurou.
Ento ela sentiu o que quer que estivesse mantendo ele consciente, a corrente de pura fora
de vontade e determinao, entrar em colapso. Ele caiu nos braos dela, inconsciente.




Captulo Quatro

"Mas ele tem que ir ver um mdico. Ele parece estar morrendo!" disse Bonnie.
"Ele no pode. Eu no posso explicar agora. Vamos simplesmente lev-lo para casa, certo?
Ele est molhado e congelando aqui. Ento ns discutimos isso."
O trabalho de levar Stefan pela floresta foi o bastante para ocupar as mentes de todo mundo
por um tempo.
Ele permaneceu inconsciente, e quando eles finalmente o deitaram no banco traseiro do
carro do Matt estavam todos machucados e exaustos, alm de estarem molhados do contato
com as roupas encharcadas dele. Elena segurou sua cabea no seu colo enquanto eles
dirigiam at a penso. Meredith e Bonnie seguiram.
"Eu estou vendo luzes acesas," Matt disse, parando na frente da grande construo em
vermelho-ferrugem. "Ela deve estar acordada. Mas a porta est provavelmente trancada."
Elena gentilmente levantou a cabea de Stefan e deslizou para fora do carro, e viu uma das
janelas na casa ficar mais clara quando a cortina foi puxada de lado. Ento ela viu uma
cabea e ombros aparecerem na janela, olhando para baixo.
"Sra. Flowers!" ela chamou, acenando. " a Elena Gilbert, Sra. Flowers. Ns achamos o
Stefan, e ns precisamos entrar!"
A imagem na janela no se moveu ou de qualquer outra maneira reconheceu suas palavras.
Ainda assim, por sua postura, Elena pde dizer que ela ainda estava olhando para eles.
"Sra. Flowers, ns estamos com o Stefan," ela chamou novamente, gesticulando para o
interior iluminado do carro. "Por favor!"
"Elena! J est destrancada!" A voz de Bonnie flutuou at ela da varanda da frente,
distraindo Elena da imagem na janela. Quando ela olhou de volta para cima, ela viu que as
cortinas tinham voltado ao lugar, e ento a luz no quarto de cima foi apagada.
Era estranho, mas ela no teve tempo para decifrar isso. Ela e Meredith ajudaram Matt a
levantar Stefan e carregarem-no at os degraus da frente.
L dentro, a casa estava escura e quieta. Elena direcionou os outros pela escada que ficava
do lado oposto a porta, e para o patamar do segundo andar. Dali eles foram para um quarto,
e Elena fez com que Bonnie abrisse a porta que parecia com um closet. Ela revelava outra
escada, muito escura e estreita.
"Quem deixaria a sua  porta da frente destrancada  depois de todo que aconteceu
recentemente?" Matt resmungou enquanto eles rebocavam sua carga inconsciente. "Ela
deve ser louca."
"Ela  louca," Bonnie disse de cima, empurrando a porta no alto da escada para abrir. "Na
ltima vez que estivemos aqui ela falou sobre a coisa mais estranha" Sua voz quebrou com
uma ofegao.
"O que foi?" disse Elena. Mas a medida em que eles alcanavam o piso do quarto de
Stefan, ela viu por si mesma.
Ela tinha se esquecido da condio em que o quarto estivera na ltima vez que ela o vira.
Bas cheios de roupas estavam de p os deitados de lados, como se tivessem sido jogados
por alguma mo gigante de uma parede  outra. Seus contedos estavam espalhados no
cho, junto com artigos sobre cmodas e mesas. A moblia estava virada de cabea para
baixo, e uma janela estava quebrada, permitindo que um vento gelado soprasse. Havia
apenas uma luminria acesa, em um canto, e sombras grotescas teciam-se contra o teto. "O
que aconteceu?" disse Matt.
Elena no respondeu at que eles tinham esticado Stefan na cama. "Eu no sei com
certeza," ela disse, e isso era verdade, embora muito pouco. "Mas j estava desse jeito
ontem a noite. Matt, voc me ajuda? Ele precisa se secar."
"Eu vou achar outra luminria," disse Meredith, masElena falou rapidamente.
"No, ns podemos ver direito. Por que voc no tenta acender a lareira?"
Caindo de um dos bus abertos estava um manto de tecido felpudo de alguma cor escura.
Elena pegou-o, e ela e Matt comearam a tirar as roupas molhadas e coladas de Stefan. Ela
conseguiu tirar seu suter, mas uma olhada em seu pescoo foi o bastante para congel-la
no lugar.
"Matt, voc poderia  voc poderia me dar aquela toalha?"
Assim que ele se virou, ela puxou o suter por sobre a cabea de Stefan e rapidamente
enrolou a manta ao seu redor. Quando Matt se virou e lhe entregou a toalha, ela a envolveu
ao redor da garganta de Stefan como um cachecol. Sua pulsao estava acelerando, sua
mente trabalhando furiosamente.
No era de se espantar que ele estivesse to fraco, to inconsciente. Ah, Deus. Ela tinha que
examin-lo, ver o quo ruim estava. Mas como ela poderia, com Matt e as outras aqui?
"Eu vou buscar um mdico," Matt disse em uma voz forada, seus olhos no rosto de Stefan.
"Ele precisa de ajuda, Elena."
Elena entrou em pnico. "Matt, no... por favor. Ele  ele tem medo de mdicos. Eu no sei
o que aconteceria se voc trouxesse um aqui." Novamente, era a verdade, se no toda a
verdade. Ela teve uma idia do que poderia ajudar Stefan, mas ela no poderia fazer isso
com os outros ali. Ela se inclinou por sobre Stefan, esfregando as mos dele entre as delas,
tentando pensar.
O que ela poderia fazer? Proteger o segredo de Stefan ao custo de sua vida? Ou tra-lo para
poder salv-lo? Iria salv-lo contar a Matt e Bonnie e Meredith? Ela olhou para seus
amigos, tentando imaginar as respostas deles se eles descobrissem a verdade sobre Stefan
Salvatore.
No era bom. Ela no podia arriscar. O choque e horror da descoberta quase deixou a
prpria Elena vacilante com loucura. Se ela, que amava Stefan, estivera pronta para correr
dele gritando, o que esses trs fariam? E ento havia o assassinato do Sr. Tanner. Se eles
soubessem o que Stefan era, eles seriam capazes de acreditar que ele era inocente? Ou, no
fundo de seus coraes, ele sempre iriam suspeitar dele?
Elena fechou seus olhos. Era perigoso demais. Meredith e Bonnie e Matt eram seus amigos,
mas isso era uma coisa que ela no podia dividir com eles. Em todo o mundo, no havia
ningum em quem ela pudesse confiar esse segredo. Ela teria que mant-lo sozinha.
Ela se indireitou e olhou para Matt. "Ele tem medo de mdicos, mas uma enfermeira talvez
no tenha problema." Ela se virou para onde Bonnie e Meredith estavam ajoelhadas perante
a lareira. "Bonnie, e quanto a sua irm?"
"Mary?" Bonnie olhou para seu relgio. "Ela est com o turno noturno na clnica essa
semana, mas ela provavelmente j est em casa. S"
"Ento  isso. Matt, v com Bonnie e pea a Mary para vir aqui e dar uma olhada no Stefan.
Se ela achar que ele precisa de um mdico, eu no irei mais discutir."
Matt hesitou, ento exalou severamente. "Est certo. Eu ainda acho que voc est errada,
mas  vamos, Bonnie. Vamos quebrar algumas leis de trnsito."
Enquanto eles saiam pela porta, Meredith permaneceu de p ao lado da lareira, observando
Elena com firmes olhos negros.
Elena forou a si mesma encontrar-los. "Meredith... eu acho que todos vocs deviam ir."
"Voc acha?" Aqueles olhos negros permaneceram nela firmemente, como se tentando
penetrar e ler sua mente. Mas Meredith no fez nenhuma outra pergunta. Aps um
momento ela acenou, e seguiu Matt e Bonnie sem uma palavra.
Quando Elena ouviu a porta no fim da escada fechar, ela afobadamente endireitou uma
luminria que estava deitada de ponta cabea ao lado da cama e a ligou.
Agora, por fim, ela podia avaliar os ferimentos do Stefan.
Sua cor parecia pior do que antes; ele estava literalmente quase to branco quanto os
lenois debaixo dele. Seus lbios estavam brancos, tambm, e Elena de repente pensou em
Thomas Fell, o fundador de Fell's Church. Ou, ao invs, na esttua de Thomas Fell, deitada
ao lado de sua esposa em uma tampa de pedra na tumba deles. Stefan estava da cor daquele
mrmore.
Os cortes e arranhes em suas mos eram de um roxo lvido, mas eles no estavam mais
sangrando. Ela gentilmente virou a cabea dele para olhar seu pescoo.
E ali estava. Ela tocou o lado de seu prprio pescoo automaticamente, como se para
verificar a semelhana. Mas as marcas de Stefan no eram furos pequenos. Elas eram
rasgos profundos e selvagens na carne. Ele parecia que tinha sido espancado por algum
animal que havia tentado despedaar sua garganta.
Raiva incandescente queimou por Elena de novo. E com isso, dio. Ela percebeu que apesar
de seu nojo e fria, ela no havia realmente odiado Damon antes. No realmente. Mas
agora... agora, ela odiava . Ela o detestava com uma intensidade de emoes que nunca
sentira por ningum em sua vida. Ela queria machuc-lo, faz-lo pagar. Se ela tivesse uma
estaca de madeira no momento, ela teria martelado-a no corao de Damon sem
arrependimento.
Mas agora ela tinha que pensar em Stefan. Ela estava to terrivelmente quieto. Essa era
coisa mais difcil de suportar, a falta de propsito ou resistncia em seu corpo, o vazio.
Era isso. Era como se ele tivesse demitido-se dessa forma e a deixado com um vaso vazio.
"Stefan!" Sacud-lo no adiantou nada. Com uma mo no centro de seu peito frio, ela tentou
detectar um batimento. Se tivesse um, era fraco demais para sentir.
Fique calma, Elena, ela disse  si mesma, afastando a parte de sua mente que queria entrar
em pnico. Essa parte estava dizendo, "E se ele estiver morto? E se ele realmente estiver
morto, e nada que voc possa fazer ir salv-lo?"
Espiando pela sala, ela viu a janela quebrada. Cacos de vidro estavam no cho debaixo dela.
Ela foi at l e pegou um, notando como brilhava na luz do fogo. Uma coisa linda, com
uma ponta como a de uma lmina, ela pensou. Ento, deliberadamente, entrando de cabea,
ela cortou seu dedo com ele.
A dor a fez arfar. Aps um instante, o sangue comeou a fluir do corte, pingando pelo seu
dedo como cera de um castial. Rapidamente, ela se ajoelhou ao lado de Stefan e colocou
seu dedo nos lbios dele.
Com sua outra mo, ela prendeu a mo indiferente dele, sentindo a dureza do anel de prata
que ele usava. Ela mesma imvel como uma esttua, ajoelhou-se ali e esperou.
Ela quase perdeu o primeiro minsculo relampejo de resposta. Seus olhos estavam fixos no
rosto dele, e ela capturou o minuto em que seu peito comeou a se erguer somente na sua
viso perifrica. Mas ento os lbios abaixo de seu dedo tremerem e se separaram
ligeiramente, e ele engoliu automaticamente.
" isso," Elena sussurrou. "Vamos, Stefan."
Os clios dele se agitaram, e com uma clara alegria ela sentiu os dedos dele retornarem a
presso dos dela. Ele engoliu novamente.
"Sim." Ela esperou at que os olhos dele piscassem e lentamente abrissem antes de se
sentar.
Ento ela apalpou com uma mo a gola alta de seu suter, deixando-o de fora do caminho.
Aqueles olhos verdes estavam estupefatos e pesados, mas to teimosos como ela os
conhecia. "No," Stefan disse, sua voz um sussurro rachado.
"Voc tem que fazer, Stefan. Os outros esto voltando e trazendo uma enfermeira com eles.
Eu tive que concordar com isso. E se voc no estiver bem o bastante para convenc-la que
no precisa de um hospital..." Ela deixou a sentena inacabada. Ela mesma no sabia o que
um mdico ou um tcnico de laboratrio achariam ao examinar Stefan. Mas ela sabia que
ele sabia, e isso o faria ficar assustado.
Mas Stefan s pareceu mais obstinado, virando seu rosto para longe dela. "No posso," ele
sussurrou. " perigoso demais. J tomei... demais... noite passada."
Poderia ter sido na noite passada? Parecia h um ano. "Isso ir me matar?" ela perguntou.
"Stefan, me responda! Isso ir me matar?"
"No..." Sua voz estava mal-humorada. "Mas"
"Ento voc tem que fazer isso. No discuta comigo!" Inclinando-se sobre ele, segurando
sua cabea junto  dela, Elena pode sentir a sua necessidade dominante.
Ela ficou impressionada que ele estava at mesmo tentando resistir. Era como um homem
faminto em frente a um banquete, incapaz de tirar seus olhos dos pratos fumegantes, mas se
recusando a comer.
"No," Stefan disse de novo, e Elena sentiu uma onda de frustrao passar por ela. Ele era a
nica pessoa que j conhecera que era to teimosa quanto ela.
"Sim. E se voc no cooperar eu vou cortar outra coisa, como o meu pulso." Ela estivera
pressionando seu dedo no lenol para parar o sangue; agora ela o segurava na direo dele.
As pupilas dele dilataram, seus lbios se separaram. "Demais... j foi," ele murmurou, mas
seu olhar permaneceu no dedo dela, na clara gota de sangue na ponta. "E eu no posso...
controlar..."
"Est tudo bem," ela sussurrou. Ela passou o dedo pelos lbios dele novamente, sentindo-os
abrir para receb-lo; ento, ela se inclinou por sobre ele e fechou seus olhos.
Sua boca estava fria e seca enquanto tocava a garganta dela. Sua mo prendeu a parte de
trs do pescoo dela enquanto os seus lbios procuravam os dois furinhos que j estavam l.
Elena forou-se a no recuar da picada breve da dor. Ento ela sorriu.
Antes, ela tinha sentido a necessidade agonizante dele, sua fome impulsora. Agora, pelo
lao que eles compartilhavam, ela sentia somente uma poderosa alegria e satisfao.
Profunda satisfao a medida que a fome era gradualmente aliviada.
Seu prprio prazer vinha de dar, de saber que estava sustentando Stefan com sua prpria
vida. Ela podia sentir a fora fluindo por ele.
Em tempo, ela sentiu a intensidade da necessidade diminuir. Ainda assim, isso no queria
dizer que ela se fora, e ela no pde entender quando Stefan tentou empurr-la para longe.
" o bastante," ele rangeu, forando os ombros dela para cima. Elena abriu seus olhos, seu
prazer sonhador quebrado. Os prprios olhos dele estavam verdes como folhas de
mandrgora, e em seu rosto ela viu a fome feroz de um predador.
"No  o bastante. Voc ainda est fraco"
" o bastante para voc." Ele a empurrou de novo, e ela viu algo como desespero brilhar
naqueles olhos verdes. "Elena, se eu tomar muito mais, voc ir comear a mudar. E se
voc no se afastar, se voc no se afastar de mim agora..."
Elena retirou-se do p da cama. Ela o observou se sentar e se ajustar ao manto escuro. Na
luz da luminria, ela viu que sua pele tinha recuperado alguma cor, um rubor leve
revestindo sua palidez. O cabelo dele estava secando em mar baderneiro de ondas escuras.
"Eu senti sua falta," ela disse suavemente. Alvio palpitou por ela de repente, uma dor que
era quase to ruim quanto o medo e a tenso foram. Stefan estava vivo; ele estava falando
com ela. Tudo ia ficar bem afinal.
"Elena..." Os olhos deles se encontraram e ela foi presa por um fogo verde.
Inconscientemente, ela se moveu na direo dele, e ento parou quando ela riu alto.
"Eu nunca te vi desse jeito antes," ele disse, e ela olhou para baixo para si mesma. Seus
sapatos e jeans estavam encrostados com lama vermelha, que estava tambm
generosamente untada no resto dela. Sua jaqueta estava rasgada e estava vazando seu
enchimento. Ela no tinha dvida de que seu rosto estava manchado e sujo, e ela sabia que
seu cabelo estava embaraado e desordenado. Elena Gilbert, a imaculada fashionista da
Robert E. Lee, estava uma baguna.
"Eu gosto," Stefan disse, e dessa vez ela riu com ele.
Eles ainda estavam rindo quando a porta abriu. Elena se endureceu alertamente, puxando
sua gola rul, olhando ao redor do quarto por alguma evidncia que pudesse tra-los. Stefan
sentou-se mais reto e lambeu seus lbios.
"Ele est melhor!" Bonnie celebrou enquanto entrava no quarto e via Stefan.
Matt e Meredith estavam logo atrs dela, seus rostos iluminados com surpresa e prazer. A
quarta pessoa que entrou era s um pouco mais velha que Bonnie, mas ela tinha um ar
refrescante de autoridade que camuflava sua juventude. Mary McCullough foi diretamente 
seu paciente e alcanou seu pulso.
"Ento  voc que tem medo de mdicos," ela disse.
Stefan pareceu desconcertado por um momento; ento, ele se recuperou. " um tipo de
fobia infantil," ele disse, soando embaraado. Ele olhou para o lado para Elena, que sorria
nervosamente e dava um pequenino aceno. "De qualquer jeito, eu no preciso de um agora,
como pode ver."
"Por que no me deixa julgar isso? Seu pulso est bem. De fato, est surpreendentemente
lento, at mesmo para um atleta. Eu no acho que voc est com hipotermia, mas ainda est
gelado. Vamos tirar a sua temperatura."
"No, eu realmente no acho que isso seja necessrio." A voz de Stefan estava baixa,
calma. Elena tinha ouvido ele usar aquele voz antes, e ela sabia o que ele estava tentando
fazer. Mas Mary no tomou conhecimento algum.
"Abra, por favor."
"Aqui, eu fao," disse Elena rapidamente, esticando a mo para pegar o termmetro de
Mary.
De algum jeito, quando ela o fez, o pequeno tubo de vidro escapou de sua mo. Ele caiu no
cho de madeira e quebrou em diversos pedaos. Er, sinto muito!
"No importa," Stefan disse. "Estou me sentindo muito melhor do que estava, e eu estou
ficando mais quente."
Mary reparou na baguna no cho, ento olhou ao redor do quarto, percebendo seu estado
pilhado. "Est certo," ela exigiu, virando-se com as mos no quadril.
"O que est acontecendo aqui?"
Stefan nem ao menos piscou. "Nada demais. A Sra. Flowers  simplesmente uma dona de
casa terrvel," ele disse, olhando-na diretamente nos olhos.
Elena queria riri, e ela viu que Mary queria, tambm. A garota mais velha fez uma careta e
cruzou seus braos no peito ao invs. "Suponho que  intil esperar uma resposta direta,"
ela disse. "E est claro que voc no est perigosamente doente. Eu no posso for-lo a ir
para a clnica. Mas eu veementemente sugiro que voc faa um checkup amanh."
"Obrigado," disse Stefan, o que, Elena notou, no era o mesmo que concordar.
"Elena, voc est com cara de que precisa de um mdico," disse Bonnie. "Voc est branca
como um fantasma."
"Eu s estou cansada," Elena disse. "Foi um longo dia."
"Meu conselho  ir para casa e deitar-se  e ficar l," Mary disse. "Voc no est anmica,
est?"
Elena resistiu ao impulso de colocar uma mo em sua bochecha. Ela estava to plida?
"No, eu s estou cansada," ela repetiu. "Ns podemos ir para casa agora, se Stefan estiver
bem."
Ele concordou tranquilizadoramente, a mensagem em seus olhos somente para ela. "D-nos
um minuto, sim?" ele disse para Mary e os outros, e eles recuaram para a escada.
"Tchau. Cuide de si mesmo," Elena disse em voz alta enquanto o abraava. Ela sussurrou,
"Por que voc no usou os seus Poderes em Mary?"
"Eu usei," ele disse carrancudamente no ouvido dela. "Ou pelo menos eu tentei. Eu ainda
devo estar fraco. No se preocupe; passar.
" claro, passar," disse Elena, mas seu estmago embrulhou. "Tem certeza que deve ficar
sozinha, contudo? E se"
"Eu vou ficar bem. Voc  quem no deveria ficar sozinha." A voz de Stefan estava suave
mas urgente. "Elena, eu no tive uma chance de alert-la. Voc estava certa sobre Damon
estar em Fell's Church."
"Eu sei. Ele fez isso com voc, no fez?" Elena no mencionou que ela fora procurar por
ele.
"Eu  no me lembro. Mas ele  perigosos. Mantenha Bonnie e Meredith com voc hoje a
noite, Elena. Eu no quero voc sozinha. E tenha certeza de que ningum convide um
estranho para a sua casa."
"Ns estamos indo direto para a cama," Elena prometeu, sorrindo para ele. "Ns no iremos
convidar ningum."
"Tenha certeza disso." No havia nenhuma petulncia em seu tom, ela concordou
lentamente.
"Eu entendo, Stefan. Ns teremos cuidado."
"Bom." Eles se beijaram, um mero encostar de lbios, mas suas mos unidas se separaram
reluntatemente. "Diga aos outros `obrigado'," ele disse.
"Eu direi."
Os cinco se reagruparam do lado de fora da penso, Matt oferecendo-se para levar Mary e
para casa para que Bonnie e Meredith pudessem voltar com Elena. Mary claramente ainda
estava suspeita sobre os acontecimentos da noite, e Elena no podia culp-la. Ela tambm
no podia pensar. Ela estava cansada demais.
"Ele disse para dizer `obrigado' a todos vocs," ela se lembrou depois de Matt ter partido.
"Ele... no tem de qu," Bonnie disse, dividindo as palavras com um bocejo enorme
enquanto Meredith abria a porta do carro para ela. Meredith no disse nada. Ela estivera
muito quieta desde que deixara Elena sozinha com Stefan.Bonnie riu repentinamente. "Uma
coisa que todos esquecemos," ela disse. "A profecia."
"Que profecia?" disse Elena.
"Sobre a ponte. Aquela que voc disse. Bem, voc foi para a ponte e a Morte no estava
esperando l afinal de contas. Talvez voc entendeu mal as palavras."
"No," disse Meredith. "Ns ouvimos as palavras corretamente."
"Bem, ento, talvez seja outra ponte. Ou... hmmm..." Bonnie aninhou-se em seu casaco,
fechando seus olhos, e no se incomodou em terminar.
Mas a mente de Elena completou a sentena por ela. Ou outra hora.Uma coruja piou do
lado de fora enquanto Meredith ligava o carro.




Captulo Cinco
2 de Novembro, Sbado
Querido Dirio,
Esta manh eu acordei e me senti to estranha. Eu no sei como descrever isto. Por um
lado, eu estava to fraca que quando eu tentei me levantar meus msculos no me
suportaram. Mas por outro lado eu me sentia... agradvel. To confortvel, to relaxada.
Como se eu flutuasse numa cama de luz dourada. Eu no me importava se eu nunca mais
me mexesse de novo.
Ento eu me lembrei de Stefan, e eu tentei me levantar, mas tia Judith me colocou de volta
na cama. Ela disse que Bonnie e Meredith tinham sado horas atrs, e que eu estava
dormindo to profundamente que eles no puderem me acordar. Ela disse que eu precisava
de um descanso.
Ento aqui estou. Tia Judith ligou a TV, mas eu no quero saber de ver TV. Eu prefiro
deitar aqui e escrever, ou s deitar aqui.
Estou esperando que Stefan me ligue. Ele me disse que iria. Ou talvez no. Eu no consigo
me lembrar. Quando ele ligar eu tenho que...
3 de Novembro, Domingo (10:30 p.m.)
Eu acabei de ler o que eu escrevi ontem e eu estou chocada. O que estava errado comigo?
Eu parei no meio de uma frase, e eu nem lembro o que eu ia dizer. E eu no expliquei sobre
o meu novo dirio ou qualquer coisa. Eu deveria estar completamente drogada.
De qualquer forma, este  o comeo oficial do meu novo dirio. Eu comprei este livro em
branco na drogaria. No  to bonito quanto o outro, mas vai ter que servir. Eu j perdi as
esperanas de ver o meu velho de novo. Quem quer que tenha roubado ele, no vai trazer
de volta. Mas quando eu penso em algum lendo ele, todos os meus mais profundos
pensamentos e meus sentimentos sobre Stefan, eu quero matar esta pessoa. Enquanto
simultaneamente eu quero morrer de humilhao.
Eu no estou com vergonha sobre como eu me sinto em relao  Stefan. Mas isto 
privado. E h coisas l, sobre como  quando ele me beija, me abraa, que eu sei que ele
no iria querer que ningum lesse.
 claro, no tinha nada sobre o segredo dele l. Eu no tinha descoberto ainda. S a partir
daquele dia eu realmente o entendi, e ns ficamos juntos, realmente juntos, finalmente.
Agora somos parte um do outro. Eu sinto como se estivesse esperando por ele a minha vida
inteira.
Talvez voc pense que eu seja terrvel por amar ele, considerando o que ele . Ele pode ser
violento, e eu sei que h coisas no seu passado que ele tem vergonha. Mas ele nunca
poderia ser violento em relao a mim, e o passado est acabado. Ele tem tanta culpa e ele
tem tantas feridas dentro de si. Eu quero cur-lo.
Eu no sei o que acontecer agora; eu estou apenas to feliz que ele esteja salvo. Eu fui
para a penso hoje e descobri que a polcia esteve l ontem. Stefan ainda estava fraco e
no pode usar os seus Poderes para se livrar deles, mas eles no o acusaram de nada.
Apenas perguntaram algumas coisas. Stefan disse que eles agiram amigavelmente, o que
me deixou com suspeitas. Todas as perguntas se resumiram realmente sobre: onde voc
estava na noite em que o velho homem foi atacado embaixo da ponte, e na noite em que
Vickie Bennet foi atacada nas runas da igreja, e na noite em que o Sr. Tanner foi morto na
escola?
Eles no tm nenhuma evidncia contra ele. Ento os crimes comearam assim que ele veio
para Fell's Church, ento o qu? Isto no  prova de nada. Ento ele discutiu com o Sr
Tanner naquela noite. De novo, ento o qu? Todo mundo discuti com o Sr. Tanner. Ento
ele desaparece depois que o corpo do Sr. Tanner foi achado. Ele est de volta agora, e est
bem claro que ele mesmo foi atacado, pela mesma pessoa que cometeu os outros crimes.
Mary contou a polcia sobre a condio em que ele estava. E se eles viessem perguntar
para ns, Matt e Bonnie e Meredith e eu podemos testemunhar como encontramos ele. No
havia nenhum caso contra ele realmente.
Stefan e eu conversamos sobre isto, e sobre outras coisas. Era to bom estar com ele de
novo, mesmo se ele parecesse plido e cansado. Ele ainda no lembrava como a noite de
quinta terminou, mas a maior parte disto foi exatamente como suspeitei. Stefan saiu para
encontrar Damon na noite de quinta depois que ele me levou para casa. Eles discutiram.
Stefan acabou quase morto em um poo. No precisa ser um gnio para descobrir o que
aconteceu entre isto.
Eu ainda no contei para ele que sa procurando por Damon no cemitrio sexta-feira de
manh. Eu suponho que seja melhor fazer isto amanh. Eu sei que ele vai ficar com raiva,
especialmente quando ele ouvir o que Damon falou para mim.
Bem, isto  tudo. Estou cansada. Este dirio vai ser bem escondido, por razes bvias.

Elena parou e olhou para a ltima linha da pgina. Ento ela acrescentou:
P.S. Quem ser nosso novo professor de histria europia?

Ele guardou o dirio sob o colcho e desligou a luz.

Elena andou pelo corredor em um vcuo curioso. Na escola, ela era normalmente recheada
de saudaes de todos os lados; era "ol, Elena," atrs de "ol, Elena," para qualquer lugar
que ela fosse. Mas hoje os olhos deslizavam para longe furtivamente quando ela se
aproximava, ou as pessoas de repente ficaram muito ocupadas fazendo coisas que
requeriam que eles mantivessem as costas para ela. Isto aconteceu durante todo o dia.
Ela parou no caminho para a porta da sala de histria europia. Havia alguns alunos j
sentados, e no quadro estava um estranho.
Ele parecia quase como um estudante. Tinha um cabelo cor de areia, um pouco longo, e a
estrutura de um atleta. No quadro ele tinha escrito "Alaric K. Saltzman." Quando ele se
virou, Elena viu que ele tambm tinha um sorriso de menino.
Elena continuou sorrindo enquanto Elena se sentava e outros estudantes entravam. Stefan
estava entre eles, e seus olhos encontraram os de Elena enquanto ele sentava do lado dela,
mas eles no conversaram. Ningum estava falando. A sala estava mortalmente silenciosa.
Bonnie se sentou no outro lado de Elena. Matt estava distante h apenas algumas carteiras,
mas ele estava olhando diretamente para frente.
As duas ltimas pessoas a entrarem foram Caroline Forbes e Tyler Smallwood. Eles
andaram juntos, e Elena no gostou da expresso na face de Caroline. Ela conhecia aqueles
olhos semelhantes aos de gatos e aqueles estreitos olhos verdes bem demais. A beleza de
Tyler, ou melhor, suas feies carnudas estavam brilhando de satisfao. A descolorao
embaixo de seus olhos causada pelos punhos de Stefan j tinha quase desaparecido.
"Okay, para comear, por que no colocamos todas essas cadeiras em um crculo?"
A ateno de Elena voltou-se para o estranho na frente da sala. Ele ainda estava sorrindo.
"Vamos l, vamos fazer isto. Desta forma podemos todos ver o rosto de cada um enquanto
falamos," ele disse.
Silenciosamente, os alunos obedeceram. O estranho no sentou na cadeira do Sr. Tanner;
em vez disso, ele puxou uma cadeira para o crculo e sentou-se de frente para as costas da
cadeira*.
*No sabia como escrever, mas se no entenderem,  como na imagem.
http://wwwdelivery.superstock.com/WI/223/1612/PreviewComp/SuperStock_1612R-20662
.jpg
"Agora," ele disse. "Eu sei que vocs todos devem estar curiosos sobre mim. Meu nome
est no quadro: Alaric K. Saltzman. Mas quero que vocs me chamem de Alaric. Eu
contarei para vocs um pouco mais de mim depois, mas primeiro eu quero dar a vocs a
chance de falarem.
"Hoje  provavelmente um dia difcil para a maioria de vocs. Algum que vocs gostavam
se foi, e isto deve ser doloroso. Eu quero dar a vocs a chance para se abrirem e
compartilharem estes sentimentos comigo e com seus colegas de classe. Eu quero que vocs
tentem entrar em contato com a dor. Ento poderemos comear a construir nossa prpria
relao na verdade. Agora quem gostaria de ser o primeiro?"
Eles olharam para ele. Ningum moveu mais que um clio.
"Bem, vamos ver... que tal voc?" Ainda sorrindo, ele gesticulou encorajadoramente para
uma garota bonita e loira. "Diga-nos seu nome e como voc se sente sobre o que
aconteceu."
Perturbada, a garota se levantou. "Meu nome  Sue Carson, e, uh..." Ele tomou um longo
suspiro e continuou obstinada. "E eu estou com medo. Porque seja quem for este manaco,
ele ainda est  solta. E, na prxima vez, pode ser eu." Ela se sentou.
"Obrigado, Sue. Estou certo que muitos dos seus colegas compartilham sua preocupao.
Agora, estou certo de que alguns de vocs estavam na verdade l quando a tragdia
aconteceu?"
Carteiras rangeram enquanto os estudantes moveram-se desconfortveis.
Mas Tyler Smallwood levantou-se, seus lbios se retraindo de fortes dentes branco em um
sorriso.
"A maioria de ns estava l," ele disse, e seus olhos cintilaram em Stefan. Elena pode ver
outras pessoas seguindo o seu olhar. "Eu cheguei l logo depois que Bonnie descobriu o
corpo. E o que eu sinto  preocupao para com a comunidade. H um assassino perigoso
nas ruas, e at agora ningum fez nada para Par-lo. E--" Ele parou. Elena no tinha
certeza de como, mas ela sentiu que Caroline tinha sinalizado para ele fazer isto. Caroline
jogou seu reluzente cabelo castanho-avermelhado para trs e recruzou suas longas pernas
enquanto Tyler tomava seu lugar novamente.
"Okay, obrigado. Ento a maioria de voc estava l. Isto faz as coisas duas vezes mais
difceis. Podemos ouvir a pessoa que realmente achou o corpo? Bonnie est aqui?" Ele
olhou em volta.
"Bonnie levantou sua mo lentamente, ento se postou em p. "Eu acho que eu descobri o
corpo," ela disse. "Quero dizer, eu fui a primeira pessoa que soube que ele estava realmente
morto, no apenas fingindo."
Alaric Saltzman olhou ligeiramente alarmado. "No apenas fingindo? Ele costumava fingir
estar morto?" Houve risadas abafadas, e ele lanou aquele sorrisinho de garoto novamente.
Elena se virou e olhou de relance para Stefan, que estava com as sobrancelhas franzidas.
"No--no," disse Bonnie. "Veja, ele era um sacrifcio. Na Casa Assombrada. Ento ele
estava coberto com sangue de qualquer forme, mas era sangue de mentira. E isto foi
parcialmente minha culpa, porque ele no queria coloc-lo, e eu disse que ele tinha que
colocar. Era para ele ser um Cadver Sangrento. Mas ele dizia que era muito sujo, e
continuou at que Stefan veio e discutiu com ele--" Ela parou. "Quero dizer, ns falamos
com ele e ele finalmente aceitou em fazer isto, e ento a Casa Assombrada comeou. E um
pouco depois eu percebi que ele no estava levantando e assustando as crianas como ele
deveria fazer, e eu fui at l e perguntei a ele o que havia de errado. E ele no me
respondeu. Ele apenas--ele apenas continuou olhando fixamente para o teto. E ento eu
toquei nele--foi terrvel. A cabea dele apenas meio que caiu pesadamente..." A voz de
Bonnie tremulou e desistiu. Ela engoliu.
Elena se levantou, assim como Stefan, Matt e algumas outras pessoas. Elena alcanou
Bonnie.
"Bonnie, est tudo bem. Bonnie, no; est tudo bem."
"E sangue se espalhou por minhas mos. Tinha sangue por todo o lugar, tanto sangue..." Ela
fungou histericamente.
"Okay, tempo esgotado," Alaric Saltzman falou. "Desculpe-me; eu no queria afligir voc
tanto assim. Mas eu acho que voc precisa trabalhar estes sentimentos em algum momento
no futuro. Est claro que isto foi uma experincia bem devastadora."
Ele se levantou e andou compassadamente pelo centro do crculo, suas mos abrindo e
fechando nervosas. Bonnie ainda estava fungando levemente.
"Eu sei," ele disse, o sorriso de menino voltando com fora total. "Eu gostaria que a nossa
relao aluno-professor tivesse um bom comeo, longe de toda esta atmosfera. Que tal se
todos vocs viessem para minha casa hoje  noite, e ns podemos conversar
informalmente? Talvez s para conhecer uns aos outros, talvez falar sobre o que aconteceu.
Vocs podem at trazer um amigo se quiserem. Que tal?"
Passaram aproximadamente trinta segundos apenas com os eles se olhando fixamente.
Ento algum disse, "Sua casa?"
"Sim... Oh, esqueci. Que estupidez minha. Estou na casa dos Ramsey, na Avenida
Magnolia." Ele escreveu o endereo no quadro. "Os Ramseys so amigos meus, e eles me
emprestaram a casa enquanto eles esto de frias. Eu vim de Charlottesville, e o diretor me
ligou na sexta para perguntar-me se eu poderia substituir. Eu pulei de cabea na chance.
Este  meu primeiro emprego de verdade como professor."
"Oh, isto explica," sussurrou Elena.
"Explica?" falou Stefan.
"De qualquer forma, o que vocs acham?  um plano?" Alaric Saltzman olhou em volta
para eles.
Ningum teve um corao para recusar. Houve diversos "sins" e "claros".
"timo, ento est marcado. Eu providenciarei os petiscos e refrescos, e ns vamos todos
conhecer uns aos outros. Oh, e por falar nisto..." Ele abriu um caderno de notas e olhou
rapidamente. "Nesta aula, participao vai valer a metade de sua nota final." Ele olhou de
relance para cima e sorriu. "Vocs podem ir agora."
"Que nervo o dele," algum murmurou enquanto Elena saiu. Bonnie estava atrs dela, mas
a voz de Alaric Saltzman a chamou de volta.
"Os alunos que compartilharam conosco poderiam ficar para trs por um minuto?
Stefan teve que ir tambm. " melhor eu checar o treino de futebol," ele disse.
"Provavelmente foi cancelado, mas  melhor eu ter certeza."
Elena estava interessada. "Se no foi cancelado, voc acha que est disposto para ir?"
"Eu ficarei bem," ele disse evasivamente. Mas ela notou que o rosto dele ainda parecia
contrado, e ele se moveu como se estivesse com dor. "Encontro voc nos armrios," ele
disse.
Ela assentiu. Quando ela chegou aos armrios, ela viu Caroline falando com duas outras
garotas. Trs pares de olhos seguiram todos os movimentos de Elena enquanto ela guardava
os seus livros, mas quando Elena olhou de relance, dois deles olharam para longe de
repente. Apenas Caroline continuou olhando para ela, com a cabea ligeiramente ereta
enquanto ela sussurrava para as outras garotas.
Elena j tinha tido o suficiente. Fechando o seu armrio, ela andou diretamente at o grupo.
"Ol, Becky; ol, Sheila," ela disse. Ento, com forte nfase: "Ol, Caroline."
Becky e Sheila murmuraram "ol" e adicionaram alguma coisa sobre terem que ir. Elena
nem se virou para v-las escapulindo. Ela manteve seus olhos nos de Caroline.
"O que est acontecendo?" ela mandou.
"Acontecendo?" Caroline obviamente estava curtindo isto, tentando prolongar o mximo
possvel. "Acontecendo com quem?"
"Com voc, Caroline. Com todo mundo. No finja que voc no est envolvida em alguma
coisa, porque eu sei que est. As pessoas tm me evitado todo o dia como se eu tivesse uma
praga, e voc est parecendo como se tivesse ganhado na loteria. O que voc fez?"
A expresso de inqurito inocente de Caroline caiu e ela abriu um sorriso felino. "Eu te
disse que quando a escola comeasse as coisas seriam diferentes este ano, Elena," ela disse.
"Eu te alertei que sua hora no trono iria acabar. Mas no  meu feito. O que est
acontecendo  simplesmente um seleo natural. A lei da natureza."
"Bem, vamos dizer que namorar um assassino pode atrapalhar a sua vida social."
O peito de Elena se apertou como se Caroline tivesse batido nela. Por um momento, o
desejo de bater em Caroline foi quase irresistvel. Ento, com o sangue pulsando nas suas
orelhas, ela disse por dentes cerrados. "Isto no  verdade. Stefan no fez nada. A polcia o
questionou, e ele estava limpo."
Caroline deu de ombros. Seu sorriso estava agora paternalista. "Elena, eu conheo voc
desde o jardim de infncia," ela disse, "ento eu vou te dar um conselho pela considerao
dos velhos tempos: largue Stefan. Se voc fizer isto agora voc evitar ser uma completa
leprosa social. Se no voc tambm pode comprar um sininho para tocar na rua."
A raiva prendeu Elena como refm enquanto Caroline se virou e tomou seu rumo, seu
cabelo castanho-avermelhado movendo-se como lquido sob as luzes. Ento Elena
encontrou sua prpria lngua.
"Caroline." A outra garota se virou. "Voc vai para a festa na casa dos Ramseys hoje 
noite?"
"Eu suponho que sim. Por qu?"
"Porque eu estarei l. Com Stefan. Vejo voc na floresta." Desta vez foi Elena quem se
virou.
A dignidade de sua sada foi ligeiramente perturbada quando ela viu uma esbelta,
sombreada figura na extremidade final do corredor. O pao dela vacilou por um instante,
mas quando ela se aproximou ela reconheceu Stefan.
Ela sabia que o sorriso que ela deu para ele pareceu forado, e ele olhou rapidamente de
volta at os armrios enquanto eles andavam lado a lado para fora da escola.
"Ento o treino de futebol foi cancelado?" ela disse.
Ele confirmou. "O que foi tudo isso?" ele disse calmamente.
"Nada. Eu perguntei para Caroline se ela iria para a festa de hoje  noite." Elena curvou sua
cabea para trs para olhar o cinza e horrendo cu.
"E isto era sobre o que vocs estavam conversando?"
Ela lembrou o que ele tinha contado para ela no seu quarto. Ele podia ver melhor que um
humano, e ouvir melhor tambm. Bem o bastante para pegar palavras faladas a 40 ps de
distncia?
"Sim," ela disse provocante, ainda inspecionando as nuvens.
"E foi isto que fez voc ficar com tanta raiva?"
"Sim" ela disse novamente, no mesmo tom.
Ela podia sentir os olhos dele em cima dela. "Elena, isto no  verdade."
"Bom, se voc l mentes, voc no precisa me fazer perguntas, precisa?"
Eles estavam encarando um ao outro agora. Stefan estava tenso, sua boca fixada em uma
linha desagradvel. "Voc sabe que eu no faria isto. Mas eu pensei que voc era to sria
sobre honestidade em relaes."
"Tudo bem. Caroline estava mostrando sua usual e megera personalidade e soltando sua
boca sobre o assassinato. Ento o qu? Por que voc se importa?"
"Porque," disse Stefan simplesmente e brutalmente, "ela pode estar certa. No sobre o
assassinato, mas sobre voc. Sobre voc e eu. Eu deveria ter percebido que isto poderia
acontecer. No  s ela, ? Eu tenho sentido hostilidade e medo durante todo o dia, mas eu
estava muito cansado para tentar e analisar isto. Eles acham que eu sou o assassino e eles
esto descontando isto em voc."
"O que eles acham no importa! Eles esto errados, e eles vo perceber por fim. Ento tudo
ficar da forma que era antes."
Um sorriso melanclico apareceu no canto da boca de Stefan. "Voc realmente acredita
nisto, no ?" Ele olhou para longe, e sua face se enrijeceu. "E se eles no perceberem? E se
isto apenas se tornar pior?"
"O que voc est dizendo?"
"Pode ser melhor..." Stefan tomou um longo suspiro e continuou, cuidadosamente. "Pode
ser melhor se ns no nos vermos mais por enquanto. Se ele acharem que ns no estamos
mias juntos, eles vo deixar voc em paz."
Ela o encarou. "E voc acha que poderia fazer isto? No me ver ou falar comigo por seja l
quanto tempo?"
"Se for necessrio--sim. Poderamos fingir que ns tivssemos terminado." Seu maxilar
estava imvel.
Elena olhou fixamente por outro momento. Ento ela circulou em volta dele e se moveu
para mais perto, to perto que eles estavam quase se tocando. Ele teve que olhar para baixo
para ela, os olhos dele apenas algumas polegadas dos dela.
"H," ela disse, "apenas uma forma de eu anunciar para o resto da escola que ns
terminamos. E esta  se voc me dizer que no me ama e que no quer me ver. Diga-me
isto, Stefan, agora mesmo. Diga-me que voc no quer ficar comigo nunca mais.
Ele tinha parado de respirar. Ele a encarou, aqueles olhos verdes estriados como os de um
gato em tons de esmeralda e malaquita* e azevinho.
*malaquita (malachita)  um mineral verde (http://pt.wikipedia.org/wiki/Malaquita)
"Diga," ela falou para ele. "Diga-me o quanto voc pode seguir sem mim, Stefan.
Diga-me--"
Ela nunca terminou a frase. A mesma foi cortada quando os lbios dele desceram nos dela.

Captulo Seis

Stefan sentou-se na sala de estar dos Gilbert, concordando educadamente com o que quer
que tia Judith estivesse dizendo. A mulher mais velha estava desconfortvel recebendo-o
aqui; voc no precisava ler mentes para saber disso. Mas ela estava tentando, e portanto
Stefan estava tentando, tambm. Ele queria que Elena fosse feliz.
Elena. Mesmo quando ele no estava olhando para ela, ele estava mais consciente dela do
que de qualquer outra coisa na sala. Sua presena viva batia contra a pele dele como a luz
solar contra plpebras fechadas. Quando ele realmente deixava-se virar para encar-la, era
um doce choque a todos os seus sentidos.
Ele a amava tanto. Ele no mais a via como Katherine; ele tinha quase se esquecido o
quanto ela parecia com a garota morta. Em todo caso, havia tantas diferenas. Elena tinha o
mesmo plido cabelo dourado e a pele cremosa, os mesmos traos delicados de Katherine,
mas a a semelhana acabava. Os olhos dela, parecendo violeta na luz do fogo agora mas
normalmente um azul to escuro quanto lapis lazuli, no eram tmidos nem infantis como
os de Katherine tinham sido. Ao contrrio, eles eram janelas para sua alma, que brilhava
como uma chama vida por trs deles. Elena era Elena, e sua imagem tinha substitudo o
gentil fantasma de Katherine no corao dele.
Mas sua prpria fora fazia do amor deles perigoso. Ele no fora capaz de resistir a ela na
semana passada quando ela oferecera  ele seu sangue. A verdade  que ele poderia ter
morrido sem ele, mas tinha sido cedo demais para a segurana da prpria Elena. Pela
centsima vez, seus olhos se moveram pelo rosto de Elena, procurando pelos sinais
reveladores da mudana. Aquela pele cremosa estava um pouco mais plida? A expresso
dela estava ligeiramente mais distante?
Eles teriam que tomar cuidado de agora em diante. Ele teria que tomar mais cuidado.
Ter certeza de se alimentar regularmente, satisfazer-se com animais, para que no fosse
tentado.
Nunca deixar a necessidade ficar forte demais. Agora que ele pensou nisso, ele estava com
fome agora. A dor seca, a queimao, estava se espalhando pelo seu maxilar superior,
sussurrando por suas veias e vasos capilares. Ele deveria estar na floresta  os sentidos
alertas para capturar o mais ligeirar crepitar de ramos secos, os msculos prontos para a
caa  no aqui perto do fogo observando o traado de veias azuis plidas na garganta de
Elena.
Aquela garganta delgada virou-se enquanto Elena olhava para ele.
"Voc quer ir quela festa hoje a noite? Ns podemos pegar o carro da tia Judith," ela disse.
"Mas voc deve ficar para o jantar primeiro," disse tia Judith rapidamente.
"Ns podemos pegar algo no caminho." Elena quis dizer que eles poderiam pegar algo para
ela, Stefan pensou. Ele mesmo podia mastigar e engolir comida comum se tivesse que,
apesar de no fazer bem algum a ele, e ele h muito tinha perdido gosto por isso. No, os...
apetites... dele eram mais particulares agora, ele pensou. E se eles fossem para essa festa,
isso significaria mais horas antes que ele pudesse se alimentar. Mas ele concordou em
acordo com Elena.
"Se voc quiser," ele disse.
Ela queria; ela estava certa disso. Ele tinha visto isso desde o comeo. "Tudo bem ento, 
melhor eu me trocar."
Ele a seguiu at a base da escada. "Use algo com uma gola alta. Um suter," ele disse  ela
numa voz baixa demais para ser conduzida.
Ela espiou para a entrada, para a sala de estar vazia, e disse, "Est tudo bem. Eles j esto
quase curados. Viu?" Ela puxou seu colarinho rendado para baixo, girando sua cabea para
um lado.
Stefan encarou, hipnotizado, as duas marcas redondas na pele belamente granulada. Elas
eram de uma cor muito leve e translcida de burgundy, como um vinho muito aguado. Ele
endireitou seus dentes e forou seus olhos a se afastarem. Olhar por muito mais tempo para
isso o enlouqueceria.
"No foi isso que eu quis dizer," ele disse bruscamente.
O brilhante vu de seu cabelo caiu sobre as marcas novamente, escondendo-as. "Ah."


"Entre!"
Enquanto eles o faziam, entrando na sala, as conversas pararam. Elena olhou para os rostos
virados na direo deles, para os olhos curiosos e furtivos e para as expresses
desconfiadas. No o tipo de olhares que ela estava acostumada a receber quando fazia uma
entrada.
Fora outro estudante que abrira a porta para eles; Alaric Saltzman no estava a vista. Mas
Caroline estava, sentada em um banquinho de bar, que mostrava da melhor maneira suas
pernas. Ela lanou um olhar zombeteiro a Elena e ento fez alguma observao para o
garoto a sua direita. Ele riu.
Elena pde sentir seu sorriso comear a ficar dolorida, enquanto um rubor arrastava-se na
direo de seu rosto. Ento uma voz familiar chegou a ela.
"Elena, Stefan! Aqui."
Grata, ela avistou Bonnie sentada com Meredith e Ed Goff em um sof de dois lugares no
canto. Ela e Stefan sentaram-se em um puf grande oposto a eles, e ela ouviu as conversas
recomearem ao redor da sala.
Por um acordo tcito, ningum mencionou a estranheza da chegada de Elena e Stefan.
Elena estava determinada a fingir que tudo estava como de costume.
E Bonnie e Meredith estavam apoiando-na. "Voc est tima," disse Bonnie calorosamente.
"Eu simplesmente amo esse suter vermelho."
"Ela est bonita mesmo. No est, Ed?" disse Meredith, e Ed, parecendo vagamente
assustado, concordou.
"Ento a sua sala foi convidada para isso, tambm," Elena disse para Meredith. "Eu achei
que fosse talvez s o stimo perodo."
"Eu no sei se convidada  a palavra," respondeu Meredith secamente. "Considerando que
a participao  metade da nossa nota."
"Voc acha que ele estava falando srio sobre isso? Ele no pode estar falando srio,"
interpos Ed.
Elena deu de ombros. "Ele pareceu estar falando srio para mim. Onde est o Ray?" ela
perguntou a Bonnie.
"Ray? Ah, Ray. Eu no sei, por a em algum lugar, creio. Tem um monte de gente aqui."
Isso era verdade. A sala de estar dos Ramsey estava lotada, e pelo que Elena podia ver a
multido flua at a sala de jantar, no salo da frente, e provavelmente at a cozinha
tambm. Cotovelos ficavam encostando no cabelo de Elena enquanto as pessoas circulavam
atrs dela.
"O que o Saltzman queria com voc depois da aula?" Stefan estava dizendo.
"Alaric," Bonnie corrigiu recatadamente. "Ele quer que a gente chame-o de Alaric. Ah, ele
s estava sendo gentil. Ele se sentiu mal por ter me feito reviver uma experincia to
agonizante. Ele no sabia exatamente como o Sr. Tanner morreu, e ele no tinha percebido
que eu era to sensvel.
 claro, ele prprio  incrivelmente sensvel, ento ele entende como . Ele  aquariano."
"Como ascendente de Lua em cantadas," disse Meredith baixinho. "Bonnie voc no
acredita nesse lixo, acredita? Ele  um professor; ele no devia estar fazendo isso com
estudantes."
"Ele no estava fazendo nada! Ele disse exatamente a mesma coisa para Tyler e Sue
Carson. Ele disse que deveramos formar um grupo de apoio um para o outro ou escrever
uma composio sobre aquela noite para extravasar nossos sentimentos. Ele disse que
adolescentes so muito impressionaveis e que ele no queria que a tragdia tivesse um
impacto lastimvel em nossas vidas."
"Ah, Deus," disse Ed, e Stefan transformou uma risada em tosse. Ele no estava
divertindo-se, porm, e sua pergunta  Bonnie no fora mera curiosidade. Elena sabia; ela
podia sentir isso irradiando dele. Stefan sentia-se em relao a Alaric Saltzman do jeito que
a maioria das pessoas nessa sala sentiam-se em relao a Stefan. Cautela e desconfiana.
"Foi estranho, ele agindo como se a festa fosse uma idia espontnea da nossa sala," ela
disse, respondendo inconscientemente s palavras no ditas de Stefan, "quando obviamente
fora planejado."
"O que  mais estranho  a idia de que a escola fosse contratar um professor sem dizer 
ele como o professor anterior morreu," disse Stefan. "Todo mundo estava falando disso;
devia estar nos jornais."
"Mas no todos os detalhes," disse Bonnie firmemente. "De fato, h coisas que a polcia
ainda no revelou, porque eles acham que ir ajud-los a pegar o assassino. Por exemplo,"
ela abaixou sua voz, "voc sabe o que a Mary disse? O Dr. Feinberg estava falando com o
cara que fez a autpsia, o examinador mdico. E ele disse que no havia nenhum sangue
sobrando no corpo. Nem uma gota."
Elena sentiu um vento gelado assoprar atravs dela, como se ela estivesse de p novamente
no cemitrio. Ela no conseguia falar. Mas Ed disse, "Onde que foi parar?"
"Bem, por todo o cho, eu creio," disse Bonnie calmamente. "Por todo o altar e tudo.  isso
que a polcia est investigando agora. Mas no  comum um cadver no ter nenhum
sangue sobrando; geralmente, tem um pouco que se assenta na parte debaixo do corpo.
Livor mortis,  o nome. Parecem grandes machucados roxos. O que foi?"
"Sua incrvel sensibilidade vai me fazer vomitar," disse Meredith em uma voz estrangulada.
"Podemos falar sobre outra coisa?"
"No foi voc que estava com sangue por tudo," Bonnie comeou, mas Stefan a
interrompeu.
"Os investigadores chegaram a alguma concluso pelo que eles aprenderam? Ele esto mais
prximos de encontrar o assassino?"
"Eu no sei," disse Bonnie, e ento ela se iluminou. " isso mesmo, Elena, voc disse que
sabia"
"Cala a boca, Bonnie," disse Elena desesperadamente. Se tivesse um lugar para no se
discutir isso, era uma sala lotada cercada por pessoas que odiavam Stefan.
Os olhos de Bonnie se arregalaram, e ento ela acenou, aquietando-se.
Elena no conseguia relaxar, contudo. Stefan no tinha matado o Sr. Tanner, e mesmo
assim a mesma evidncia que levaria a Damon poderia to facilmente levar a ele. E iria
levar a ele, porque ningum alm dela e Stefan sabia da existncia de Damon. Ele estava l
fora, em algum lugar, nas sombras. Esperando por sua prxima vtima. Talvez esperando
por Stefan  ou por ela.
"Eu estou com calor," ela disse abruptamente. "Eu acho que vou ver que tipo de refrescos e
petiscos Alaric providenciou."
Stefan comeou a se levantar, mas Elena acenou para permanecer sentado. Ele no seria til
para batatas fritas e ponche. E ela queria ficar sozinha por alguns minutos, estar se movendo
invs de sentada, acalmar-se.
Estar com Meredith e Bonnie tinha lhe dado uma sensao falsa de segurana. Deixando-as,
ela foi novamente confrontada com olhares de esguelha e costas viradas repentinamente.
Dessa vez isso a deixou nervosa. Ela moveu-se pela multido com insolncia deliberada,
segurando qualquer olhar que ela acidentalmente capturasse. Eu j sou notria, ela pensou.
Posso muito bem ser insolente, tambm.
Ela estava faminta. Na sala de jantar dos Ramsey algum tinha providenciado algum tipo de
petisco que parecia surpreendentemente bom. Elena pegou um prato de papel e colocou
alguns palitinhos de cenoura nele, ignorando as pessoas ao redor da mesa branqueada de
carvalho. Ela no ia falar com eles a no ser que eles falassem primeiro. Ela deu sua
ateno total aos refrescos e petiscos, inclinando-se sobre as pessoas para selecionar
tringulos de queijo e bolachas Ritz, esticando a mo na frente deles para puxar uvas,
olhando ostentosamente para cima e para baixo para toda a exibio para ver se tinha algo
que ela tinha deixado escapar.
Ela foi bem sucedida em rebater a ateno de todos, algo que ela sabia sem levantar seus
olhos. Ela mordeu delicadamente um palitinho de po, segurando-o entre seus dentes como
um lpis, e virou-se da mesa.
"Importa-se se eu der uma mordida?"
Choque estalando fez seus olhos se abrirem e congelou sua respirao. Sua mente
comprimiu-se, recusando-se a reconhecer o que estava acontecendo, e deixando-a indefesa,
vulnervel, ao encarar isso. Mas apesar do pensamento racional ter desaparecido, seus
sentidos continuaram a gravar cruelmente: olhos escuros dominando seu campo de viso,
um sopro de algum tipo de colnia nas narinas dela, dois dedos longos inclinando seu
queixo para cima. Damon inclinou-se, e, impecavel e precisamente, mordeu a outra ponta
do palitinho de po.
Naquele momento, os lbios deles estavam apenas a alguns centmetros de distncia. Ele
estava inclinando-se para uma segunda mordida antes que a sanidade mental de Elena
reativasse o bastante para jog-la para trs, sua mo agarrando a ponta do po crocrante e
jogando-o para longe. Ele o pegou no meio do ar, uma amostra virtuosa de reflexo.
Os olhos dele ainda estavam nos dela. Elena inspirou por fim e abriu sua boca; ela no teve
certeza do porque. Para gritar, provavelmente. Para alertar todas essas pessoas para correr
para a noite. Seu corao estava golpeando como um martinete, sua viso embaada.
"Pronto, pronto." Ele tomou o prato dela e de algum modo pegou seu pulso.
Ele estava segurando-o levemente, do jeito que Mary tinha sentido a pulsao de Stefan.
Enquanto ela continuava a encarar e arfar, ele o acariciou com seu dedo, como se
confortando-a. "Pronto. Est tudo bem."
O que voc est fazendo aqui? ela pensou. A cena ao seu redor parecia assustadoramente
clara e artificial. Era como um daqueles pesadelos onde tudo  comum, exatamente como a
vida, ento de repente algo grotesco acontecia. Ele ia matar a todos.
"Elena? Voc est bem?" Sue Carson estava falando com ela, segurando seus ombros.
"Eu acho que ela se engasgou com algo," Damon disse, soltando o pulso de Elena. "Mas ela
est bem agora. Por que no nos apresenta?"
Ele ia matar a todos...
"Elena, esse  Damon, hm..." Sue esticou uma mo como se pedindo desculpa, e Damon
terminou por ela.
"Smith." Ele levantou um copo de papel na direo de Elena. "La vita."
"O que voc est fazendo aqui?" ela sussurrou.
"Ele  um universitrio," Sue voluntariou-se, quando tornou-se aparente que Damon no ia
responder. "Da  Universidade da Virginia, no ? William and Mary*?"
* William and Mary  como  conhecida coloquialmente a Faculdade de William & Mary
na Virginia (The College of William & Mary in Virginia).
"Entre outros lugares," Damon disse, ainda olhando para Elena. Ele no tinha olhado para
Sue nenhuma vez. "Eu gosto de viajar."
O mundo tinha novamente voltado ao lugar ao redor de Elena, mas era um mundo
assustador.
Havia pessoas de todos os lados, observando essa troca com fascinao, impedindo-a de
falar livremente. Mas eles tambm estavam deixando-a a salvo. Por qualquer razo, Damon
estava jogando um jogo, e fingindo ser um deles. E enquanto a mascarada continuava, ele
no faria nada a ela na frente de uma multido... ela esperava.
Um jogo. Mas ele estava fazendo as regras. Ele estava aqui na sala de jantar dos Ramsey
jogando com ela.
"Ele s est aqui por alguns dias," Sue continuava proveitosamente. "Visitando  amigos,
foi o que disse? Ou parentes?"
"Sim," disse Damon.
"Voc tem sorte de ser capaz de ir embora quando quiser," Elena disse. Ela no sabia o que
a estava possuindo, faz-la tentar e desmascar-lo.
"Sorte tem muito pouco a ver com isso," disse Damon. "Voc gosta de danar?"
"No que est se formando?"
Ele sorriu para ela. "Folclore americano. Voc sabia, por exemplo, que uma verruga no
pescoo significa que voc ser rica? Se importa se eu checar?"
"Eu me importo." A voz veio de trs de Elena. Era clara e fria e silenciosa.
Elena tinha escutado Stefan falar nesse tom somente uma vez: quando ele tinha encontrado
Tyler tentando atac-la no cemitrio. Os dedos de Damon aquietaram-se na garganta dela, e,
libertada do feitio dele, ela recuou.
"Mas voc importa?" ele disse.
Os dois se encararam sob a fraca e vacilante luz amarela do candelabro de lato.
Elena estava ciente de camadas de seus prprios pensamentos, como um parfait. Todos
estavam encarando; isso devia ser melhor que filmes... Eu no percebi que Stefan era mais
alto... Ali esto Bonnie e Meredith se peguntando o que est havendo... Stefan est nervoso
mas ele ainda est fraco, ainda est machucado... Se ele atacar Damon agora, ele perder...
E na frente de todas essas pessoas. Seus pensamentos fizeram um barulho hesitante quando
tudo se encaixou. Era por isso que Damon estava aqui, para fazer Stefan atac-lo,
aparentemente no provocado. No importava o que acontecesse depois disso, ele ganharia.
Se Stefan o empurrasse, isso simplesmente seria mais prova da "tendncia violenta" de
Stefan. Mais evidncia para os acusadores do Stefan. E se Stefan perdesse a luta...
Isso significaria sua vida, pensou Elena. Ah, Stefan, ele est to mais forte agora; por favor
no faa isso. No caia no jogo dele.
Ele quer te matar; ele s est procurando uma oportunidade.
Ela fez seus membros moverem-se, apesar deles estaram rgidos e desajeitados como os de
uma marionete.
"Stefan," ela disse, pegando sua mo fria na dela, "vamos para casa."
Ela podia sentir a tenso no corpo dele, como uma corrente eltrica correndo por baixo de
sua pele. Nesse momento, ele estava completamente focado em Damon, e a luz nos olhos
dele era como fogo refletindo em uma lmina de adaga. Ela no o reconhecia nesse
temperamente, no o conhecia. Ele a assustava.
"Stefan," ela disse, chamando-o como se estivesse perdida na neblina e no pudesse
ach-lo.
"Stefan, por favor."
E lentamente, lentamente, ela sentiu ele responder. Ela escutou ele respirar e sentiu seu
corpo sair do estado de alerta, entrando em algum nvel mais baixo de energia. A
concentrao mortal de sua mente foi divergida e ele olhou para ela, e a viu.
"Est certo," ele disse suavemente, olhando-a nos olhos. "Vamos."
Ela manteve suas mos nele enquanto eles se viravam, uma apertando a mo dele, a outra
enfiada dentro do brao dele. Por completa fora de vontade, ela conseguiu no olhar por
sobre seu ombro enquanto eles se afastavam, mas a pele nas costas dela latejava e rastejava
como se esperando a apunhalao de uma faca.
Ao invs disso, ela ouviu a baixa voz irnica de Damon: "E voc ouviu que beijar uma
garota ruiva cura herpes?" E ento a risada escandalosa e lisonjeada de Bonnie.
No caminho da sada, finalmente eles encontraram seu anfitrio.
"Indo embora to cedo?" Alaric disse. "Mas eu nem tive a chance de falar com vocs
ainda."
Ele parecia tanto vido quanto repreensivo, como um cachorro que sabe perfeitamente bem
que no vai sair para passear mas se sacode de qualquer jeito. Elena sentiu preocupao
florescer em seu estmago por ele e por todos os outros na casa. Ela e Stefan estavam
deixando-os com Damon.
Ela teria simplesmente que esperar para que sua avaliao mais cedo estivesse certa e ele
quisesse continuar a mascarada. Nesse momento ela tinha mais o que fazer tirando Stefan
daqui antes que ele mudasse de idia.
"No estou me sentindo muito bem," ela disse enquanto pegava sua bolsa onde estava no
puf. "Sinto muito." Ela aumentou a presso no brao de Stefan. No precisaria de muito
para faz-lo virar e dirigir-se para a sala de jantar nesse momento.
"Eu sinto muito," disse Alaric. "Tchau."
Eles estavam no solado da porta antes que ela visse a tirinha de papel violeta presa no bolso
lateral de sua bolsa. Ela a puxou e desdebrou quase por reflexo, sua mente em outras coisas.
Havia uma escrita nela, comum e em negrito e desconhecida. S trs linhas. Ela as leu a
sentiu o mundo balanar. Isso era demais; ela no conseguia lidar com mais nada.
"O que foi?" disse Stefan.
"Nada." Ela colocou o pedao de papel de volta no bolso lateral, empurrando-o com seus
dedos. "No  nada, Stefan. Vamos para fora."
Eles foram para fora para a chuva.
Captulo Sete

Da prxima vez," disse Stefan calmamente, "eu no vou embora."
Elena sabia o que isso significava, e isso a aterrorizou. Mas bem agora suas emoes
haviam se aquietado, e ela no quis discutir.
"Ele estava l," ela disse. "Dentro de uma casa ordinria cheia de gente ordinria,
simplesmente como se tivesse todo o direito de estar. Eu no pensei que ele ousaria."
"Por que no?" Stefan disse brevemente, amargamente. "Eu estava l em uma casa
ordinria cheia de gente ordinria, simplesmente como se eu tivesse todo o direito de estar."
"Eu no quis dizer isso.  s que a nica outra vez que eu o vi em pblico foi na Casa
Assombrada quando ele estava usando mscara e fantasia, e estava escuro. Antes disso foi
sempre em algum lugar deserto, como o ginsio naquela noite que eu estava sozinha, ou o
cemitrio..."
Ela soube assim que disse a ltima parte que foi um erro. Ela ainda no tinha contado a
Stefan sobre ter ido encontrar Damon trs dias atrs. No banco do motorista, ele congelou.
"Ou no cemitrio?"
"Sim... Eu me referi quele dia que Bonnie e Meredith e eu fomos perseguidas. Eu estou
supondo que deve ter sido Damon quem nos perseguiu. E o lugar estava deserto a no ser
por ns trs."
Por que ela estava mentindo para ele? Porque, uma pequena voz em sua cabea respondeu
sinistramente que, caso contrrio, ele podia surtar*. Sabendo o que Damon disse a ela, o
que ele havia prometido que estava reservado, podia ser o tudo o que era necessrio para
levar Stefan ao seu limite.
*(a palavra aqui  snap, que significa: tentar morder, quebrar com estalo, tirar um
instantneo; mas achei que nenhuma delas faria muito sentido).
Eu jamais poderei contar a ele, ela percebeu com um solavanco enjoativo. No sobre aquele
dia ou sobre qualquer coisa que Damon fizer no futuro. Se ele lutar com Damon, ele morre.
Ento ele nunca ir saber, ela prometeu a si mesma. No importa o que eu tenha que fazer,
eu vou mant-los fora de uma luta um com o outro por mim. No importa o que.
Por um momento, apreenso a tomou.


Quinhentos anos atrs, Katherine havia tentado mant-los fora de uma luta, e tinha
conseguido apenas fora-los em uma luta mortal. Mas ela no cometeria o mesmo erro,
Elena disse a si mesma ferozmente. Os mtodos de Katherine haviam sido estpidos e
infantis. Quem mais alm de uma estpida criana se mataria na esperana de que os dois
rivais pela a mo dela se tornassem amigos? Tinha sido o pior erro de todo o triste caso. Por
causa disso, a rivalidade entre Stefan e Damon tinha virado dio implacvel. Alm do mais,
Stefan havia vivido com a sua culpa desde ento; ele culpou a si mesmo pela estupidez e
fraqueza de Katherine.
Procurando por um outro assunto, ela disse: "Voc acha que algum o convidou?"
"Obviamente, j que ele estava l."
"Ento  verdade sobre  Pessoas como voc. Vocs tm que ser convidados. Mas Damon
foi ao ginsio sem um convite."
"Isso  porque o ginsio no  uma residncia para moradia. Esse  o critrio. No importa
se  uma casa ou uma tenda ou um apartamento em cima de um armazm. Se humanos
vivos comem e dormem l, ns precisamos ser convidados a entrar".
"Mas eu no convidei voc para a minha casa."
"Sim, voc convidou. Aquela primeira noite, quando eu te levei para casa, voc empurrou a
porta para abrir e inclinou a cabea para mim. No precisa ser um convite verbal. Se h
inteno,  o suficiente. E a pessoa que est convidando voc no precisa ser algum que
realmente vive na casa. Qualquer humano pode fazer."
Elena estava pensando. "E quanto a uma casa flutuante?"
"Mesma coisa. Embora gua corrente possa ser um obstculo por si s. Para alguns de ns,
 quase impossvel cruzar."
Elena teve uma sbita viso dela e Meredith e Bonnie correndo pela ponte Wickery. Porque
de algum jeito ela soube que se elas chegassem ao outro lado do rio elas estariam salvas de
o que quer que fosse que estivesse atrs delas.
"Ento  por isso," Ela sussurrou. Isso ainda no explicava como ela soube, no entanto. Foi
como se o conhecimento tivesse sido posto em sua cabea vindo de outra fonte externa.
Ento ela percebeu algo.
"Voc me levou atravs da ponte. Voc pode atravessar gua corrente."
"Isso  porque eu sou fraco," ele disse categoricamente, sem nenhuma emoo. " irnico,
mas quanto mais fortes so seus Poderes, mais voc  afetado por certas limitaes. Quando
mais voc permanece no escuro, mais as regras da escurido se vinculam a voc."
"Quais outras regras existem?" Disse Elena. Ela estava comeando a ver o vislumbre de um
plano. Ou pelo menos da esperana de um plano.
Stefan olhou para ela. "Sim," ele disse, "Eu acho que j passou da hora de voc saber.
Quanto mais voc souber sobre Damon, mais chances voc ter de se proteger."
De me proteger? Talvez Stefan soubesse mais do que ela imaginava. Mas quando ele virou
o carro em uma rua lateral e estacionou, ela apenas disse: "Ok. Eu devo estocar alho?"
Ele riu. "S se voc quiser ser impopular. H certas plantas, no entanto, que podem ajudar
voc. Como verbena.*  uma erva que supostamente protege voc contra encantos, e pode
manter sua mente clara mesmo se algum estiver usando Poderes contra voc. As pessoas
costumam usa-las em volta do pescoo. Bonnie amaria isso; era sagrado para os Druidas."
*pra quem no sabe que planta  essa: http://www.sensibilidadeesabor.com.br/verbena.html
"Verbena," disse Elena, provando a no familiar palavra. "O que mais?"
 "Luz forte, ou luz do sol direta, pode ser muito dolorosa. Voc perceber a mudana do
tempo."
"Eu percebi," disse Elena depois de uma batida. "Voc quer dizer que Damon est fazendo
isso?"
"Ele deve estar.  preciso poderes enormes para controlar os elementos, mas isso facilita
para ele andar na luz do dia. Enquanto ele mantm nublado, ele nem sequer precisa proteger
os olhos."
"E nem voc," Elena disse, "E quanto a -- bem, cruzes e outras coisas?"
"No tem efeito," Disse Stefan. "A no ser que a pessoa segurando-a acredite que  uma
proteo, isso pode fortalecer a fora de vontade delas de resistir enormemente."
"Uh... Balas de prata?"
Stefan riu uma risada curta de novo. "Estas so para lobisomens. Pelo que eu ouvi dizer
eles no gostam de prata em qualquer forma. Umas estaca de madeira no corao  ainda o
mtodo mais aprovado para a minha espcie. Tm outros meios que so mais ou menos
efetivos, no entanto: queima, decapitao, impulsionar pregos atravs das tmporas. Ou, o
melhor de todos--"
"Stefan!" O solitrio, amargo sorriso em sua face a desanimou. "E quanto  se transformar
em animais?" Ela disse. "Antes, voc disse que com Poder suficiente voc podia fazer isso.
Se Damon pode ser qualquer animal de que ele goste, como vamos reconhec-lo?"
"No qualquer animal de que ele goste. Ele  limitado a um animal, ou no mximo dois.
Mesmo com os Poderes dele eu no acho que ele pudesse sustentar nada mais que isso"
"Ento ns continuamos procurando por um corvo."
"Certo. Voc pode ser capaz de dizer se ele est por perto, tambm, olhando animais
regulares. Eles geralmente no reagem muito bem a ns; eles sentem que ns somos
caadores."
"Yangtze ficou latindo para o corvo. Foi como se ele soubesse que tinha algo errado
naquilo." Elena lembrou. "Ah... Stefan," ela adicionou em um tom diferente com um novo
pensamento atingindo-a, "E quando aos espelhos? Eu no lembro de j ter visto voc em
um."
Por um momento ele no respondeu. Ento ele disse, "Lendas dizem que os espelhos
refletem a alma da pessoa que o est olhando. Por isso pessoas antigas tm medo dos
espelhos; elas tm medo que suas almas sejam aprisionadas e roubadas. Minha espcie
supostamente no tem reflexo  porque ns no temos alma." Lentamente, ele estendeu o
brao para o espelho do retrovisor e o inclinou para baixo, ajustando-o de modo que Elena
pudesse olh-lo. No vidro prateado, ela viu seus olhos, perdidos, assombrados e
infinitamente tristes.
No havia nada a fazer a no ser segur-lo, e Elena o fez. "Eu te amo," ela sussurrou. Era o
nico conforto que ela podia dar a ele. Era tudo o que eles tinham.
Os braos de Stefan apertaram em volta dela; sua face estava enterrada em seus cabelos.
"Voc  o espelho," ele sussurrou de volta.
Foi bom sentir ele relaxar, a tenso fluindo para fora de seu corpo enquanto calor e conforto
fluam para dentro. Ela estava confortvel, tambm, uma sensao de paz penetrando-na,
rodeando-a. Foi to bom que ela esqueceu de perguntar a ele o que ele quis dizer at que
eles estavam na frente da porta de sua casa, se despedindo.
"Eu sou o espelho?" ela disse ento, olhando para ele.
"Voc roubou minha alma," ele disse. "Tranque a porta atrs de si, e no a abra de novo
essa noite." E ento ele tinha ido.
"Elena, graas aos cus," disse tia Judith. Quando Elena olhou para ela, ela acrescentou,
"Bonnie ligou da festa. Ela disse que voc saiu inesperadamente, e quando voc no voltou
para casa eu fiquei preocupada."
"Eu e Stefan fomos dar uma volta." Elena no gostou da expresso no rosto de sua tia
quando ela disse isso. "Algum problema?"
"No, no.  s que..." Tia Judith no sabia como terminar a frase. "Elena, eu me pergunto
se poderia ser uma boa idia... no continuar a passar tanto tempo com Stefan."
Elena ficou quieta. "Voc, tambm?"
"No  que eu acredite nos boatos," Tia Judith assegurou a ela. "Mas, para o seu prprio
bem, poderia ser melhor ficar a uma certa distncia dele, para... --"
"Larg-lo? Abandon-lo porque as pessoas esto espalhando rumores sobre ele? Manter-me
longe da sujeira no caso de alguma coisa cair sobre mim?" A clera libertou-se, e as
palavras se acumularam na garganta de Elena, tudo tentando sair de uma s vez. "No, eu
no acho que  uma boa idia, tia Judith. E se fosse sobre Robert que ns estivssemos
falando, voc no acharia tambm. Ou talvez sim!"
"Elena, eu no vou admitir voc falando comigo nesse tom--"
"Eu acabei, de qualquer jeito!" Elena gritou, e subiu s cegas pelas escadas. Ela conseguiu
conter as lagrimas at estar no seu prprio quarto com a porta trancada. Ento ela caiu na
cama e chorou.
Ela levantou-se arrastando um tempo depois para ligar para Bonnie. Bonnie estava excitada
e volvel. O que diabos Elena queria dizer, se alguma coisa inesperada tinha acontecido
depois que ela e Stefan saram? A coisa inesperada foi eles sarem! No, aquele garoto
novo, Damon, no tinha dito nada sobre Stefan posteriormente; ele apenas ficou l por um
tempo e depois desapareceu. No, Bonnie no tinha visto se ele saiu com algum. Por qu?
Elena estava com cimes? Sim, isso era pra ser uma brincadeira. Mas, srio, ele era
deslumbrante, no era? Quase mais deslumbrante que Stefan, isso supondo que voc gosta
de cabelos e olhos escuros. Claro, se voc gosta de cabelos mais claros e olhos cor de
avel...
Elena imediatamente deduziu que os olhos de Alaric Saltzman eram cor de avel.
Ela desligou o telefone por fim e s ento lembrou do bilhete que ela encontrou em sua
bolsa. Ela devia ter perguntado  Bonnie se algum tinha estado perto de sua bolsa
enquanto ela estava na sala de jantar. Mas tambm, Bonnie e Meredith tinham estado na
sala de jantar parte do tempo tambm. Algum deve ter colocado l ento.
A viso do papel violeta a fez sentir gosto de estanho na boca. Ela mal podia suportar
olh-lo. Mas agora que ela estava sozinha ela tinha que desdobr-lo e l-lo novamente, o
tempo todo esperando que a essa altura as palavras pudessem estar diferentes, que ela
pudesse estar errada antes.
Mas elas no estavam diferentes. A ntida, clara letra maiscula destacou-se contra o plido
fundo como se elas fossem dez vezes maiores.

Eu quero toc-lo. Mais do que qualquer garoto que eu j conheci. E eu sei que ele quer
isto, tambm, mas ele est se segurando.

As palavras dela. Do seu dirio. O que havia sido roubado.
No dia seguinte Meredith e Bonnie tocaram sua campainha.
"Stefan me ligou ontem  noite," disse Meredith. "Ele disse que queria estar certo de que
voc no iria andando sozinha para a escola. Ele no ir  escola hoje, ento ele perguntou
se eu e Bonnie podamos vir aqui e ir com voc."
"Te escoltar," disse Bonnie, que claramente estava de bom humor. "Acompanhar voc. Eu
acho que  terrivelmente doce da parte dele ser to protetor."
"Ele provavelmente  de aqurio, tambm." Disse Meredith. "Vamos, Elena, antes que eu a
mate para faz-la se calar sobre Alaric."
Elena andou em silncio, imaginando o que Stefan estava fazendo que o deteve de ir 
escola. Ela se sentiu vulnervel e exposta hoje, como se sua pele estivesse ao avesso. Um
daqueles dias em que ela estava pronta para chorar por qualquer motivo.
Sobre o quadro de avisos estava um pedao de papel violeta.
Ela deveria saber. No fundo ela tinha sabido. O ladro no estava satisfeito com deixar ela
saber que suas palavras privadas tinham sido lidas. Ele a estava mostrando que isso podia
vir a pblico.
Ela rasgou o bilhete para fora do quadro e o amassou, mas no antes de ter vislumbrado as
palavras. De relance elas foram gravadas em seu crebro.

Eu sinto como se algum o tivesse ferido terrivelmente no passado e ele nunca tivesse
superado isso. Mas eu tambm acho que h algo de que ele tem medo, algum segredo que
ele tema que eu descubra.

"Elena, o que  isto? Qual  o problema? Elena volte aqui!"
Bonnie e Meredith a seguiram at o banheiro feminino, onde ela parou perto da lixeira,
rasgando o papel em pedaos microscpicos, respirando como se ela tivesse acabado de
correr uma corrida. Elas se olharam e em seguida viraram para examinar os boxes do
banheiro.
"Ok," Meredith disse ruidosamente, "privilgios dos veteranos. Voc!" Ela deu um soco na
nica porta fechada, "Saia."
Um farfalhar, e ento uma primeiranista perplexa apareceu. "Mas eu ainda nem--"
"Sai. Fora," Bonnie ordenou, "E voc," ela disse para a garota lavando as mos, "Saia daqui
e tenha certeza de que ningum entre aqui."
"Mas por qu? O que vocs--"
"Anda, criana. Se algum passar por aquela porta ns a responsabilizaremos."
Quando a porta estava de novo fechada, elas se viraram para Elena.
"Ok, isso  um assalto," disse Meredith, "Vamos, Elena. Entregue."
Elena rasgou o ultimo minsculo pedao de papel, surpreendida entre gargalhadas e
lgrimas. Ela quis dizer-lhes tudo, mas ela no pde. Ela resolveu por dizer a elas sobre o
dirio.
Elas ficaram to bravas, to indignadas, como ela estava.
"Tem que ter sido algum na festa," Meredith disse ento, uma vez que cada uma delas
tinha expressado sua opinio sobre a personalidade do ladro, moralidade, e o provvel
destino ps-vida. "Mas qualquer um pode ter feito isso. Eu no lembro de ningum em
particular perto da sua bolsa, mas aquela sala estava cheia de gente, e pode ter acontecido
sem eu perceber."
"Mas por que algum iria querer fazer isso?" Bonnie colocou. "A no ser que... Elena, na
noite em que ns encontramos Stefan voc estava insinuando algumas coisas. Voc disse
que voc achava que sabia quem era o assassino."
"Eu no acho que eu sei; eu sei. Mas se voc est perguntado se isso pode estar conectado,
eu no tenho certeza. Eu acho que pode estar. A mesma pessoa pode ter feito isto."
Bonnie estava horrorizada. "Mas isso significa que o assassino  um estudante da escola!"
Quando Elena sacudiu a cabea, ela prosseguiu. "As nicas pessoas que estavam na festa
que no eram estudantes eram aquele garoto novo e Alaric." Sua expresso mudou. "Alaric
no matou o Sr. Tanner! Ele nem estava em Fell's Church."
"Eu sei. Alaric no fez isso." Ela tinha ido longe demais para parar agora; Bonnie e
Meredith j sabiam demais. "Damon matou."
"O garoto era o assassino? O garoto que me beijou?"
"Bonnie, calma." Como sempre, a histeria de outras pessoas fez Elena se sentir mais
controlada. "Sim, ele  o assassino, e ns trs devemos ficar alertas contra ele.  por isso
que eu estou contando a vocs. Nunca, nunca o convidem para ir s suas casas."
Elena parou, observando as faces das suas amigas. Elas estavam olhando fixo para ela, e
por um momento ela teve um revoltante sentimento de que elas no tinham acreditado nela.
Que elas estavam questionando sua sanidade.
Mas tudo o que Meredith perguntou, numa voz at imparcial foi: "Voc tem certeza disso?"
"Sim. Eu tenho certeza. Ele  o assassino e quem colocou Stefan no poo, e ele pode ir atrs
de uma de ns da prxima vez. E eu no sei se h um modo de par-lo."
"Bem, ento," disse Meredith, erguendo as sobrancelhas. "No surpreende que voc e
Stefan estivessem com tanta pressa para sair da festa."


Caroline deu a Elena um sorriso afetado na cafeteria. Mas Elena mal notou.
Uma coisa ela percebeu logo, no entanto. Vickie Bennett estava l.
Vickie no tinha ido para a escola desde a noite em que Matt e Bonnie e Meredith a haviam
encontrado errante na estrada, delirando sobre neblina e olhos e alguma coisa terrvel no
cemitrio. Os mdicos que a examinaram posteriormente disseram que no havia nada
muito ruim com o seu psicolgico, mas ela ainda no tinha retornado  escola Robert E.
Lee. As pessoas sussurravam sobre psiclogos e os remdios que eles estavam tentando.
Ela no parecia louca, no entanto, Elena pensou. Ela parecia plida e moderada e com um
tipo de amassado em suas roupas. E quando Elena passou por ela e ela a olhou, seus olhos
eram como os de filhotes assustados.
Foi estranho sentar numa mesa semi-vazia com somente Bonnie e Meredith como
companhia. Geralmente as pessoas ficavam apertadas para pegar lugares ao redor delas trs.
"Ns no terminamos de conversar esta manh," Meredith disse. "Pegue algo para comer, e
ento ns vamos descobrir o que fazer com esses bilhetes."
"Eu no estou com fome," disse Elena categoricamente. "E o que ns podemos fazer? Se
for Damon, no h como par-lo. Confiem em mim, no  um caso para polcia.  por isso
que eu no disse a eles que ele  o assassino. No h nenhuma prova, alm disso, eles nunca
iriam... Bonnie, voc no est ouvindo."
"Desculpa," disse Bonnie, que estava olhando para trs da orelha esquerda de Elena. "Mas
algo estranho est acontecendo logo ali."
Elena virou. Vickie Bennett estava de p na frente da cafeteria, mas ela j no parecia
amassada e moderada. Ela estava olhando em volta da sala com um sorriso malicioso e
avaliativo sorriso.
"Bem, ela no parece normal, mas eu no diria que ela est parecendo estranha,
exatamente." Meredith disse. Ento ela adicionou, "Espere um minuto."
Vickie estava desabotoando seu casaquinho. Mas era o modo como ela estava fazendo
isso... Com deliberados e pequenos movimentos rpidos de seus dedos, tudo enquanto
olhava em volta com aquele sorriso secreto -- era estranho. Quando o ultimo boto estava
desabotoado, ela pegou o pulver delicadamente entre o dedo indicador e o polegar e
deslizou para baixo ao longo de um brao, e depois do outro. Ela jogou o pulver no cho.
"Estranha  a palavra," confirmou Meredith.
Estudantes passando na frente Vickie com bandejas carregadas deram uma olhadela para ela
com curiosidade e ento olharam para trs, para seus ombros, quando j tinham passado.
Eles no pararam de andar exatamente, no entanto, at ela tirar seus sapatos.
Ele fez isso graciosamente, pegando o calcanhar de um na ponta dos ps do outro e tirando.
E ento ela tirou o segundo.
"Ela no pode continuar isso," Bonnie murmurou, quando os dedos de Vickie moveram-se
para o boto de imitao de prola na sua blusa de seda branca.
Cabeas estavam virando; as pessoas estavam cutucando uns aos outros e gesticulando. Em
volta de Vickie um pequeno grupo tinha se recolhido, permanecendo longe o suficiente que
eles no interferiram na viso de ningum.
A blusa de seda branca foi tirada, tremulando como um fantasma no cho.
Vickie estava vestindo um suti rendado de branco `sujo' por baixo.
No tinha nenhum barulho na cafeteria exceto alguns sussurros. Ningum estava comendo.
O grupo em volta de Vickie tinha ficado mais largo.
Vickie sorriu recatadamente e comeou a desabotoar a fivela em sua cintura. Sua saia
pregueada caiu no cho. Ela saiu de dentro dela e a empurrou para o lado com o seu p.
Algum levantou no fundo da cafeteria e cantou: "Tira! Tira!" Outras vozes se juntaram.
"Ningum vai par-la?" Revoltou-se Bonnie.
Elena levantou-se. A ltima vez que ela estivera perto de Vickie a garota gritara e a
expulsara. Mas agora, quando ela chegou mais perto, Vickie lhe deu um sorriso
conspiratrio. Seus lbios se moveram, mas Elena no pde entender o que ela estava
dizendo acima da cantoria.
"Vamos, Vickie. Vamos," ela disse.
O cabelo castanho claro de Vickie balanou e ela deslizou a ala de seu suti.
Elena abaixou-se para pegar o casaquinho e embrulhou-o em volta dos ombros delgados da
menina. Quando ela o fez, quando ela tocou Vickie, aqueles olhos semi-cerrados abriram
como os de um filhote assustado de novo. Vickie a fitou selvagemente, como se ela tivesse
acabado de despertar de um sonho. Ela olhou para baixo para si mesma e sua expresso se
tornou desacreditada. Pondo seu casaquinho em volta dela mais apertado, ela recuou,
tremendo.
A sala estava silenciosa novamente.
"Est tudo bem," disse Elena, acalmando-a. "Vamos."
Ao som de sua voz, Vickie pulou como se tivesse sido tocada por um arame farpado. Ela
olhou fixo para Elena, e ento explodiu em gritos.
"Voc  uma deles! Eu vi voc! Voc  m!"
Ela virou e correu descala para fora da cafeteria, deixando Elena atordoada.




Captulo Oito

"Sabe o que  estranho sobre o que a Vickie fez na escola? Quer dizer, fora todas as coisas
bvias," Bonnie disse, lambendo cobertura de chocolate de seus dedos.
"O qu?" disse Elena tediosamente.
"Bem, a maneira como ela terminou, em seu suti. Ela parecia exatamente como estava
quando ns a encontramos na estrada, s que ento ela estava toda arranhada, tambm."
"Arranhes de gatos, ns achamos," disse Meredith, terminando a ltima mordida de seu
bolo. Ela parecia estar em um dos seus humores quietos e pensativos; nesse momento ela
estava observando Elena de perto. "Mas isso no parece muito provvel."
Elena olhou diretamente de volta para ela. "Talvez ela tenha cado em alguns arbustos," ela
disse.
"Agora, se vocs terminaram de comer, querem ver o primeiro bilhete?"
Elas deixaram seus pratos na pia e subiram a escada para o quarto de Elena. Elena sentiu-se
corando enquanto as outras meninas liam a nota. Bonnie e Meredith eram suas melhores
amigas, talvez suas nicas amigas agora. Ela tinha lido passagens de seu dirio para elas
antes. Mas isso era diferente. Era a sensao mais humilhante que ela j tinha sentido.
"Bem?" ela disse para Meredith.
"A pessoa que escrevey isso tem um metro e oitenta, anda mancando ligeiramente, e usa um
bigode falso," Meredith entoou. "Desculpa," ela acrescentou, vendo o rosto de Elena. "No
 engraado. Na verdade, no h muito o que seguir, tem? A escrita parece a de um garoto,
mas o papel parece feminino."
"E o negcio todo tem um tipo de toque feminino," interpes Bonnie, balanando
ligeiramente na cama de Elena.
"Bem, tem," ela disse defensivamente. "Citar pedacinhos dos seu dirio de volta para voc
 o tipo de coisa que uma mulher pensaria. Homens no ligam para dirios."
"Voc s no quer que seja o Damon," disse Meredith. "Eu achei que voc ficaria mais
preocupada com ele sendo um assassino psictico do que um ladro de dirio."
"Eu no sei; assassinos so meio romnticos. Imagine voc morrendo com as mos dele ao
redor da sua garganta. Ele estrangularia a vida de voc, e a ltima coisa que voc veria seria
o rosto dele." Colocando suas prprias mos na garganta, Bonnie arfou e expirou
tragicamente, acabando drapejada na cama. "Ele pode me ter a hora que quiser," ela disse,
os olhos ainda fechados.
Estava nos lbios de Elena dizer, "Voc no entende, isso  srio," mas ao invs ela bufou.
"Ah, Deus," ela disse, e correu at a janela. O dia estava mido e sufocante, e a janela fora
aberta. L fora nos galhos esquelticos de um marmeleiro estava um corvo.
Elena jogou o caixilho para baixo to forte que o vidro chacoalhou e trincou. O corvo olhou
para ela atravs da vidraa tremeluzente com olhos de obsidiana. Arco-ris brilharam na sua
suave plumagem preta.
"Por que voc disse isso?" ela disse, virando-se para Bonnie.
"Ei, no tem ningum l fora," disse Meredith gentilmente. "A no ser que voc conte os
pssaros."
Elena deu as costas para elas. A rvore estava vazia agora.
"Sinto muito," disse Bonnie em uma voz baixa, depois de um momento. " s que nem
parece real as vezes, mesmo o Sr. Tanner estar morto no parece real. E Damon pareceu...
bem, excitante. Mas perigoso. Eu posso acreditar que ele  perigoso."
"E alm do mais, ele no apertaria a sua garganta; ele cortaria," Meredith disse. "Ou pelo
menos foi o que ele fez com o Tanner. Mas o velho debaixo da ponta teve sua garganta
aberta, como se algum animal tivesse feito isso." Meredith procurou Elena por
esclarecimento. "Damon no tem um animal, tem?"
"No. Eu no sei." De repente, Elena sentiu-se muito cansada. Ela estava preocupada com
Bonnie, sobre as consequncias dessas palavras tolas.
"Eu posso fazer qualquer coisa com voc, com voc e com aqueles que ama," ela lembrou.
O que Damon faria agora? Ela no o entendia. Ele estava diferente toda vez que eles se
encontravam. No ginsio ele estava zombeteiro, rindo dela. Mas da prxima vez ela juraria
que ele estava srio, citando poesia para ela, tentando fazer com que ela fosse com ele. Na
semana passada, com o gelado vento do cemitrio fustigando ao redor dele, ele fora
ameaador, cruel. E debaixo de suas palavras zombeteiras na noite passada, ela sentiu a
mesma ameaa. Ela no conseguia prever o que ele faria a seguir.
Mas, o que quer que acontecesse, ela tinha que proteger Bonnie e Meredith dele.
Especialmente j que ela no conseguia avis-las propriamente. E o que Stefan estava
aprontando? Ela precisava dele agora, mais do que tudo. Onde estava ele?

Comeou nessa manh.
"Deixa eu entender isso," Matt disse, inclinando-se contra o corpo cicatrizado de seu velho
Ford sed quando Stefan aproximou-se dele antes da escola.
"Voc quer emprestar o meu carro."
"Sim," Stefan disse.
"E a razo pela qual voc quer emprest-lo  flores. Voc quer pegar algumas flores para
Elena."
"Sim."
"E essas flores em particular, essas flores que voc simplesmente tem que conseguir, no
crescem por aqui."
"Talvez elas cresam. Mas a estao da florescncia  bem para o norte. E o gelo teria
acabado com elas de qualquer jeito."
"Ento voc quer ir para o sul  quo sul voc no sabe - para achar algumas dessas flores
que voc simplesmente tem que dar para Elena."
"Ou pelo menos algumas das plantas," Stefan disse. "Eu preferia ter as flores de verdade,
contudo."
"E j que a polcia ainda tem o seu carro, voc quer emprestar o meu, por quanto tempo
demorar at voc chegar ao sul e achar essas flores que voc simplesmente tem que dar para
Elena."
"Eu imaginei que dirigir  o jeito menos evidente de deixar a cidade," Stefan explicou. "Eu
no quero a polcia me seguindo."
"Ah h. E  por isso que voc quer o meu carro."
"Sim. Voc vai me d-lo?"
"Se eu vou dar meu carro pro cara que roubou a minha namorada e agora quer dar um
passeio no sul para dar para ela algum tipo especial de flor que ela simplesmente tem que
ter? Voc est louco?" Matt, que estivera encarando os telhados das casas de madeira do
outro lado da rua, virou por fim para olhar para Stefan. Seus olhos azuis, geralmente alegres
e diretos, estavam cheios de total descrdito, e coroados por sobrancelhas tortas e
enrugadas.
Stefan desviou o olhar. Ele devia ter sabido. Depois de tudo que Matt j tinha feito por ele,
esperar mais era ridculo. Especialmente esses dias, quando as pessoas hesitavam ao som de
seus passos e evitavam seus olhos quando ele chegava perto.
Esperar Matt, que tinha as melhores razes para se ressentir dele, fazer tal favor sem
explicao, na base somente da f, realmente era insano.
"No, eu no estou louco," ele disse silenciosamente, e virou-se para ir.
"Nem eu," Matt tinha dito. "E eu teria que ser louco para dar o meu carro para voc. Diabos
que no. Eu vou com voc."
No momento em que Stefan havia se virado de novo, Matt estava olhando para o carro ao
invs dele, seu lbio inferior para frente em um beicinho desconfiado e criterioso.
"Afinal de contas," ele disse, esfregando o vinil descascado do teto, "voc pode arranhar a
pintura ou algo assim."

Elena colocou o telefone de volta no gancho. Algum estava na penso, porque algum
ficava atendendo quando o telefone tocava, mas depois s havia silncio e ento o clique
desligando. Ela suspeitou que fosse a Sra. Flowers, mas isso no dizia a ela nada sobre onde
Stefan estava. Instintivamente, ela queria ir com ele. Mas estava escuro l fora, e Stefan
tinha avisado-a especificamente para no sair no escuro, especialmente no em algum lugar
perto do cemitrio ou da floresta. A penso era perto de ambos.
 "Sem resposta?" disse Meredith quando Elena voltou e sentou na cama.
"Ela fica desligando na minha cara," Elena disse, e resmungou algo em voz baixa.
"Voc disse que ela  uma fruta?"
"No, mas rima com isso," disse Elena.
"Olha," disse Bonnie, sentando-se. "Se Stefan for ligar, ele vai ligar para c. No h razo
para voc vir e passar a noite comigo."
Havia uma razo, apesar de Elena no conseguir explic-la nem para si mesma. Afinal de
contas, Damon tinha beijado Bonnie na festa de Alaric Saltzman. Era culpa de Elena que
Bonnie estava em perigo em primeiro lugar. De algum jeito ela sentia que se pelo menos
estivesse no cenrio, ela poderia ser capaz de proteger a Bonnie.
"Minha me e meu pai e Mary esto todos em casa," Bonnie persistiu. "E ns trancamos
nossas portas e janelas e tudo desde que o Sr. Tanner foi assassinado. Esse final de semana
papai ps at mesmo fechaduras extras. Eu no vejo o que voc pode fazer."
Elena tambm no. Mas ela ia do mesmo jeito.
Ela deixou uma mensagem para Stefan com a tia Judith, dizendo a ele onde ela estava.
Ainda havia uma restrio restando entre ela e sua tia. E ainda haveria, Elena pensou, at
que tia Judith mudasse de idia sobre Stefan.
Na casa de Bonnie, ela ficou com um quarto que pertencera a uma das irms de Bonnie que
estava agora na faculdade.
A primeira coisa que ela fez foi checar a janela. Estava fechada e trancada, e no havia nada
fora na qual algum conseguisse escalar, com um cano de drenagem ou uma rvore. To
discretamente quanto possvel, ela tambm checou o quarto de Bonnie e os outros em que
conseguiu entrar. Bonnie estava certa; eles estavam todos bem fechados de dentro. Nada de
fora podia entrar.
Ela ficou deitada na cama por um tempo naquela noite, encarando o teto, incapaz de
dormir. Ela ficou lembrando de Vickie sonhadoramente fazendo um striptease na cantina.
O que tinha de errado com a garota? Ela se lembraria de perguntar isso a Stefan na prxima
vez que ela o visse.
Pensamentos sobre Stefan era agradveis, mesmo com todas as coisas terrveis que tinham
acontecido ultimamente.
Elena sorriu na escurido, deixando sua mente vagar. Algum dia todo essa importunao
iria acabar, e ela e Stefan poderia planejar uma vida juntos.  claro, ele na verdade no
tinha falado nada sobre isso, mas a prpria Elena tinha certeza. Ela ia se casar com Stefan,
ou com ningum. E Stefan ia se casar com ningum alm dela...
A transio para o sonho foi to suave e gradual que ela dificilmente notou. Mas ela sabia,
de algum jeito, que ela estava sonhando. Era como se um pedacinho dela estivesse de lado e
observando o sonho como uma pea.
Ela estava sentada em um longo corredor, que estava coberto por espelhos em um lado e
janelas no outro. Ela estava esperando por alguma coisa. Ento ela viu um tremor de
movimento, e Stefan estava de p do lado de fora da janela. Seu rosto estava plido e seus
olhos estavam magoados e nervosos. Ela foi at a janela, mas ela no conseguia ouvir o que
ele estava dizendo por causa do vidro. Em uma mo, ele estava segurando um livro com
uma capa de veludo azul, e ele ficava gesticulando para ele e perguntando algo para ela.
Ento ele derrubou o livro e se virou.
"Stefan, no v! No me deixe!" ela gritou. Seus dedos se achataram alvamente no vidro.
Ento ela notou que havia um caixilho de um lado da janela e ela abriu, chamando-o. Mas
ele tinha desaparecido e l fora ela viu apenas uma nvoa branca serpenteando.
Desconsolada, ela deu as costas a janela e comeou a andar pelo corredor.
Sua prpria imagem brilhou em espelho atrs de espelho enquanto ela passava por eles.
Ento algo em um dos reflexos chamou sua ateno.
Os olhos eram os seus, mas havia um novo olhar neles, um olhar predator e dissimulado. Os
olhos de Vickie estavam daquele jeito quando ela estava se despindo. E havia algo
perturbador e faminto em seu sorriso.
Enquanto ela observava, parada de p, a imagem de repente girou continuamente, como se
estivesse danando. O horror lavou Elena. Ela comeou a correr pelo corredor, mas agora
todos os reflexos tinha vida prpria, danando, chamando ela, rindo dela. Juso quando ela
pensou que seu corao e pulmes fossem explodir de terror, ela alcanou o final do
corredor e abriu a porta de supeto.
Ela estava de p em uma sala ampla e bonita. O eminente teto era talhado complexamente e
incrustado de ouro; as portas eram foliadas com mrmore branco. Esttuas clssicas
estavam de p em nichos pelas paredes. Elena nunca tinha visto uma sala com tanto
esplendor, mas ela sabia onde estava. Na Itlia da Renascena, quando Stefan estava vivo.
Ela olhou para si mesma e viu que estava usando um vestido como aquele que ela tinha
feito para o Dia das Bruxas, o vestido de baile da Renascena azul gelo.
Mas esse vestido era de um profundo vermelho rubi, e ao redor de sua cintura ela usava
uma corrente fina com pedras vermelhas brilhantes. As mesmas pedras estavam em seu
cabelo. Quando ela se moveu, a seda brilhou como chamas na luz de cem tochas.
Bem no final da sala, dois enormes portas abriram para dentro. Uma figura apareceu entre
elas. Andou na direo dela, e ela viu que era um jovem vestido em roupas da Renascena,
uma roupa justa com meias e com um colete de pele animal apertado.
Stefan! Ela foi na direo dele avidamente, sentindo o peso de seu vestido balanando em
sua cintura. Mas quando ela chegou mais perto ela parou, inalando rapidamente. Era
Damon.
Ele continuou andando na direo dela, confiante, casual. Ele estava sorrindo, um sorriso de
desafio. Alcanando-a, ele colocou uma mo em cima de seu corao e saudou-a. Ento ele
estendeu a mo para ela como se estivesse desafiando-a a peg-la.
"Voc gosta de danar?" ele disse. Exceto que seus lbios no se moveram. A voz estava na
mente dela.
Seu medo foi drenado, e ela riu. O que estava errado com ela, para j ter tido medo dele?
Eles se entendiam muito bem. Mas ao invs de pegar a mo dele, ela virou de costas, a seda
de seu vestido virando atrs dela. Ela moveu-se levemente na direo de uma das esttuas
perto da parede, no olhando para trs para ver se ele estava seguindo-a. Ela sabia que ele
iria. Ela fingiu estar absorta na esttua, esquivando-se novamente bem quando ele a
alcanou, mordendo seu lbio para segurar a risada. Ela se sentiu maravilhosa agora, to
viva, to linda. Perigoso?  claro, esse jogo era perigoso.
Mas ela sempre gostou do perigo.
Da prxima vez que ele chegou perto dela, ela olhou provocantemente para ele enquanto se
virava. Ele estendeu a mo, mas pegou apenas a corrente de pedras na cintura dela. Ele
soltou-a rapidamente, e, olhando para trs, ela viu que a moldura de uma das pedras tinha
cortado-o.
A gota de sangue no dedo dele era exatamente da cor do vestido. Os olhos dele
relampejaram para os lados dela, e seus lbios se curvaram num sorriso derrisrio enquanto
ele levantava o dedo machucado. Voc no ousaria, aqueles olhos diziam.
Ah, eu no ousaria? Elena disse a ele com seus prprios olhos. Ousadamente, ela tomou a
mo dele e a segurou por um momento, provocando-o. Ento ela levou o dedo aos seus
lbios.
Depois de alguns instantes, ela o soltou e olhou para ele. "Eu gosto de danar," ela disse, e
descobriu que, como ele, ela podia falar com sua mente. Era uma sensao eletrizante. Ela
moveu-se para o centro da sala e esperou.
Ele a seguiu, gracioso como uma besta caando. Os dedos dele estavam quentes e duros
quando seguraram os dela.
Havia msica, apesar dela esvair-se e soar muito distante. Damon colocou sua outra mo na
cintura dela. Ela podia sentir o calor de seus dedos l, a presso. Ela pegou sua saia, e eles
comearam a danar.
Era adorvel, como voar, e seu corpo sabia todos os movimentos a fazer. Eles danavam
continuamente ao redor da sala vazia, num momento perfeito, juntos.
Ele estava rindo para dela, seus olhos escuros brilhando com alegria. Ela se sentiu to
bonita; to envenenada e alerta e pronta para tudo. Ela no conseguia se lembrar de quando
se divertira tanto.
Gradualmente, contudo, seu sorriso dissipou, e a dana deles ficou lenta. Por fim ela ficou
sem se mover no crculos dos braos dele. Os olhos escuros dele no estavam mais
divertidos, mas ferozes e esquentados. Ela olhou para ele sobriamente, sem medo. E ento
pela primeira vez ela sentiu como se estivesse sonhando; ela sentiu-se ligeiramente tonta e
muito lnguida e fraca.
O quarto ao redor dela estava borrando. Ela conseguia ver apenas seus olhos, e eles a
estavam fazendo se sentir mais e mais sonolenta.
Ela permitiu que seus prprios olhos se fechassem parcialmente, sua cabea cair para trs.
Ela suspirou.
Ela podia sentir o olhar dele agora, nos lbios dela, em sua garganta. Ela sorriu para si
mesma e deixou seus olhos fecharam completamente.
Ele estava segurando o peso dela agora, impedindo-a de cair. Ela sentiu os lbios dele na
pele do pescoo dela, pelando quente como se ele estivesse com febre. Ento ela sentiu a
picada, como a injeo de duas agulhas. Acabou rapidamente, contudo, e ela relaxou ao
prazer de ter seu sangue drenado.
Ela lembrou dessa sensao, da sensao de flutuar numa cama de uma luz dourada. Uma
languidez deliciosa infiltrou-se por todos os seus membros. Ela se sentiu sonolenta, como
se fosse muito problemtico se mover. Ela nem mesmo queria se afastar; ela sentiu-se bem
demais.
Os dedos dela estava descansando no cabelo dele, prendendo a cabea dele a dela.
Preguiosamente, ela moveu-os pelos suaves fios de cabelo escuro. O cabelo dele era como
seda, quente e vivo debaixo dos dedos dela. Quando ela abriu seus olhos um pouquinho, ela
viu que ele refletia arco-ris na luz de vela. Vermelho e azul e roxo, bem como  bem como
as penas...
E ento tudo desmoronou. Houve uma dor repentina em sua garganta, como se sua alma
estivesse sendo arrancada dela. Ela estava empurrando Damon, arranhando-o, tentando
for-lo a se afastar. Gritos ecoaraam nos ouvidos dela. Damon estava lutando com ela, mas
no era Damon; era um corvo. Asas enormes batiam contra ela, batendo no ar.
Os olhos dela estavam abertos. Ela estava acordada e gritando. O salo se fora, e ela estava
em um quarto escurecido. Mas o pesadelo tinha seguido-a. Mesmo quando ela alcanava a
luz, vinha at ela novamente, asas batendo em seu rosto, um bico afiado mergulhando at
ela.
Elena golpeou-o, uma mo lanando-se para proteger seus olhos. Ela ainda estava gritando.
Ela no conseguia fugir disso, aquelas asas terrveis continuavam batendo freneticamente,
com um som como o de mil maos de cartas sendo embaralhados ao mesmo tempo.
A porta abriu de supeto, e ela ouviu gritos. O corpo quente e pesado de um corvo
golpeou-a e seus gritos ficaram mais altos. Ento algum estava puxando-a para fora da
cama, e ela estava sendo protegida atrs do pai de Bonnie. Ele tinha uma vassoura e ele
estava batendo no pssaro com ela.
Bonnie estava de p na entrada da porta. Elena correu para seus braos. O pai de Bonnie
estava gritando, e ento veio a pancada de uma janela.
"Est fora," o Sr. McCullough disse, respirando com dificuldade.
Mary e a Sra. McCullough estavam do lado de fora do corredor, cobertas por roupes.
"Voc est machucada," a Sra. McCullough disse para Elena em espanto. "O nojentinho te
bicou."
"Estou bem," Elena disse, roando uma mancha de sangue no rosto dela. Ela estava
tremendo tanto que seus joelhos estavam prestes a ceder.
"Como isso entrou?" disse Bonnie.
O Sr. McCullough estava inspecionando a janela. "Voc no devia ter deixado aberta," ele
disse. "E por que voc quis tirar as trancas?"
"Eu no tirei," Elena gritou.
"Estava destrancada e aberta quando eu ouvi voc gritando e entrei," o pai de Bonnie disse.
"Eu no sei quem mais poderia ter aberto exceto voc."
Elena engoliu seus protestos. Hesitantemente, cautelosamente, ela moveu-se para a janela.
Ele estava certo; as trancas foram desparafusadas. E s poderia ter sido feito de dentro.
"Talvez voc seja sonmbula," disse Bonnie, guiando Elena para longe da janele enquanto
o Sr. McCullough comeou a colocar as trancas de volta.
" melhor limparmos voc."
Sonmbula. De repente o sonho inteiro inundou Elena. O corredor de espelhos, e o salo, e
Damon. Danando com Damon. Ela se soltou do aperto de Bonnie.
"Eu fao isso sozinha," ela disse, ouvindo sua prpria voz tremer na beira da histeria.
"No  srio  eu quero." Ela escapou para o banheiro e ficou de p com suas costas para a
porta fechada, tentando respirar.
A ltima coisa que ela queria fazer era olhar no espelho. Mas por fim, lentamente, ela
aproximou do em cima da pia, tremendo enquanto via a margem de seu reflexo, movendo
centmetro a centmetro at que estava emoldurada na superfcie prateada.
Sua imagem encarou de volta, um plido fantasmagrico, com olhos que pareciam
machucados e assustados.
Havia sombras profundas debaixo deles e manchas de sangue em seu rosto.
Lentamente, ela virou sua cabea ligeiramente e levantou seu cabelo. Ela quase chorou alto
quando ela viu o que estava por baixo.
Dois machucadinhos, frescos e abertos na pele de seu pescoo.
Captulo Nove

-Sei que vou lamentar ter perguntado  disse Matt, tirando os olhos avermelhados fixos na
estrada para Stefan sentado no assento do passageiro junto a ele.  Mas, pode me dizer por
que queremos esta super-especial, no disponvel localmente, erva daninha semi-tropical
para Elena?
Stefan olhou o assento posterior, onde repousavam os resultados da busca atravs de sebes
e zonas herbceas. As plantas, com seus talos verdes ramificados e suas pequenas folhas
dentadas, elas se pareciam com ervas daninhas mais do que qualquer coisa. Os secos restos
de flores nos extremos dos talos eram quase invisveis, e ningum podia fingir se quer que
os brotos eram decorativos.
-E se eu dissesse que podem ser usadas para produzir um colrio totalmente natural? 
sugeriu depois de um momento de reflexo.  Ou um ch de ervas?
-Por que? Estava pensando em dizer algo parecido?
-Na realidade, no.
-Bem. Porque se fosse, eu provavelmente ti derrubaria com um soco.
Sem olhar realmente para Matt, Stefan sorriu. Havia algo novo que se agitava em seu
interior, algo que no fazia sentido durante quase cinco sculos, exceto com Elena.
Aceitao. Cordialidade e amizade compartilhadas com outro ser humano que no conhecia
a verdade sobre ele mas que confiava nele de qualquer forma. No estava seguro se
merecia, mas no podia negar o que significava para ele. Quase se sentia... humano outra
vez.


Elena contemplou fixamente a imagem no espelho. No havia sido um sonho. No por
completo. As feridas no pescoo lhe provavam. E agora que as havia visto, advertiu-lhe a
sensao de tontura, de letargia.
Era sua culpa. Havia se preocupado tanto em advertir Bonnie e Meredith de que no
convidassem conhecidos a entrar em suas casas... E havia se esquecido que ela mesma
havia convidado Damon a entrar na casa de Bonnie. Tinha feito naquela noite em que havia
organizado o jantar silencioso na mesa de Bonnie e gritada para a escurido: "Entra".
E o convite iria se manter para sempre. Ele podia regressar a qualquer momento se quisesse,
inclusive agora. Especialmente agora, que ela estava frgil e poderia ser hipnotizada
facilmente para que voltasse a abrir a janela.
Saiu cambaleante do banheiro, passando junto a Bonnie no caminho ao quarto de hospedes.
Agarrou sua bolsa e comeou a botar suas coisas nela.
-Elena, no pode sair assim!
-No posso ficar aqui  respondeu ela.
Passou uma olhada no quarto procurando os sapatos, os descobriu perto da cama e foi at
eles. Ento se deteve, com um som abafado. Descansando sobre as roupas havia uma
solitria pluma negra. Era enorme, horrivelmente enorme e real e slida, com um grosso
cunho de aspecto ceroso. Resultava quase obcena descansando ali sobre os brancos lenis
de percal.
Uma sensao de nusea se apoderou de Elena, que virou sua cabea. No podia respirar.
-Ok, ok  disse Bonnie  Se se sente assim, farei papai leva-la para sua casa.
-Voc tambm tem que vir.
A Elena acabara de vir a mente que Bonnie no estava mais segura naquela casa do que ela
estava. "Voc e seus entes queridos", recordou, e girou para pegar o brao da amiga.
-Tem que vir. Preciso de voc comigo.
E no final ela foi. Os McCullough pensavam que estava histrica, que reagiu de forma
exagerada, que possivelmente estava com uma crise nervosa. Mas finalmente cederam. O
Sr. McCoullough levou ela e Bonnie em seu carro para a casa dos Gilbert, onde, sentindo-se
igual um ladro, abriu a porta com a chave e deslizou para o interior para no acordar
ningum.
Inclusive aqui, Elena no podia dormir, e permaneceu acordada ao lado de Bonnie, que
respirava pausadamente, olhando em direo da janela do quarto. No exterior, as ramas do
galho chicoteavam contra o vidro, mas nada mais se moveu at o amanhecer.
Foi ento que olhou o carro. Havia reconhecido o sibilante som do motor de Matt em
qualquer parte. Alarmada, foi na ponta dos ps at a janela e olhou fora a quietude Alba de
outro dia nublado. Logo correu escada abaixo e abriu a porta principal.
-Stefan!
Em toda a sua vida, nunca tinha se alegrado tanto em ver algum. Se abraou a ele antes de
que pudesse fechar a porta do carro. Ele balanou para trs pela fora do impacto, e ela
pde perceber sua surpresa. No geral, ela no era to intensa em pblico.
-Hey!  disse ele, devolvendo o abrao com suavidade  Eu tambm me alegro, mas no
esmague as flores.
-Flores?
Se afastou para olhar o que ele segurava; ento, olhou-o no rosto. Logo depois a Matt, que
emergia do outro lado do carro. O rosto de Stefan estava plido e emaciado; o de Matt
esgotado pelo cansao e com os olhos avermelhados.
-Ser melhor que entre  disse por fim, desconcertada.  Os dois esto com um aspecto
horrvel.
- verbena  explicou Stefan mais tarde.
Elena e ele estavam sentados na mesa da cozinha. Atravs do vo aberto da porta, podia ver
Matt estendido no sof da sala de estar, roncando com suavidade. Se deixou cair ali depois
de trs tigelas de cereal. Tia Judith, Bonnie e Margareth seguiam no andar de cima,
dormindo, mas Stefan manteve a voz baixa mesmo assim.
-Lembra do que eu disse sobre ela?  perguntou.
-Disse que ajuda a manter a mente clara inclusive quando algum est usando o Poder para
influenciar.
Elena se sentiu orgulhosa da firmeza que soou sua voz.
-Correto. E essa  uma das coisas que Damon podia tentar. Pode usar o poder da sua mente
inclusive  distancia, e pode fazer tanto se estiver acordada como se estiver dormindo.
As lgrimas inundaram os olhos da garota, e ela os baixou para ocult-las, contemplando os
largos e finos talos os restos secos das diminutas flores lils nas pontas.
-Dormindo?  perguntou, temendo que nesse momento sua voz no estivesse to firme.
-Sim; poderia influenciar para que saia da casa, digamos, ou para que o deixe entrar. Mas a
verbena deve impedi-lo.
Stefan parecia cansado mas satisfeito consigo mesmo.
"Ah, Stefan, se voc soubesse", pensou Elena. O presente havia chegado com uma noite de
atraso. Apesar de todos os esforos, uma lagrima caiu, gotejando sobre as folhas verdes.
-Elena!  sua voz soou sobresaltada  O que aconteceu? Me conta.
Tentava olhar seu rosto, mas ela inclinou a cabea, pressionando-a contra seu ombro. Ele a
rodeou com seus braos, sem tentar obriga-la a levantar outra vez.
-Conte-me  repetiu em voz baixa.
Era o momento. Se ia contar alguma vez, devia ser agora. Sentia a garganta ardente e
inflamada, e desejava deixar as palavras que levava dentro sair.
Mas no podia. "No importa o que acontea, no permitirei que briguem por mim",
pensou.
- s que... estava preocupada contigo  conseguiu dizer.  No sabia onde tinha ido ou
quando ia voltar.
-Devia ter ti contado. Mas, isso  tudo? No h nada mais que a esteja transtornando?
-Isso  tudo.
Agora tinha que conseguir que Bonnie jurasse manter segredo sobre o corvo. Por que uma
mentira sempre levava a outra?
-Que devemos fazer com a verbena?  perguntou sentando-se para trs.
-Mostrarei esta noite. Uma vez que tenha extrado o azeite das sementes, pode esfregar na
pele ou adicionar na gua da banheira. E pode colocar as folhas secas na bolsa e leva-la com
voc ou coloca-la embaixo da almofada pela noite.
-Ser melhor que d a Bonnie e Meredith. Precisaro de proteo.
Ele assentiu.
-Por agora...  rompeu um galho e depositou na mo de Elena  Limite-se a levar isto ao
colgio com voc. Vou voltar a pousada para extrair o azeite  Calou um instante e logo
disse: - Elena...
-Sim?
-Se creese que iria servir de algo, eu iria. No exporia voc a Damon. Mas no creio que ele
iria me seguir se eu fosse, no mais. Creio que poderia ficar... devido a voc.
-Nem pense em ir embora  disse ela com ferocidade, alcanando os olhos dele.  Stefan,
isso  a nica coisa que eu no poderia suportar. Promete que no far, prometa-me.
-No ti deixarei sozinha com ele  replicou Stefan, que no era exatamente o mesmo.
Mas no servia de nada insistir mais.
Em vez disso, ele ajudou a acordar Matt e os acompanhou at a porta. Ento, com um talo
de verbena seca na mo, subiu as escadas e se preparou para ir para o colgio.
Bonnie bocejou sem parar durante o caf e realmente no acabou de despertar at que
estivessem na rua, andando para o colgio com uma brisa fresca as golpeando no rosto. Ia
ser um dia frio.
-Tive um sonho muito estranho esta noite  disse Bonnie.
O corao de Elena deu um pulo. J havia colocado um galhinho dentro da mochila da
amiga, bem no fundo, onde Bonnie no podia v-lo. Mas se Damon havia chegadoa te
Bonnie na noite anterior...
-Sobre o que?  inquiriu, se apoiando.
-Sobre voc. A vi de p embaixo de uma arvore e o vento soprava. Por algum motivo, tinha
medo e no queria se aproximar mais de mim. Parecia... diferente. Muito plida, mas quase
resplandecia. E ento um corvo desceu voando da arvore, e voc alongou o brao e o
agarrou no ar. Foi to rpida que parecia incrvel. E continuava a olhar para mim, com essa
expresso rara. Sorria, mas o sorriso me fez ter vontade de fugir. E logo retorceu o pescoo
do corvo e este morreu.
Elena que havia escutado aquilo com crescente horror, respondeu:
- um sonho repugnante.
-, no ?  disse Bonnie com serenidade.  Me pergunto o que significa. Os Corvos so
pssaros de mau agouro nas lendas. Podem predizer a morte.
-Provavelmente sabia o quo transtornada que estava depois de encontrar aquele corvo no
quarto.
-Sim  disse Bonnie  Exceto por uma coisa. Tive o sonho antes de que nos despertassem
com os gritos.


Esse dia, na hora do almoo, havia outro pedao de papel violeta no mural de comunicados.
Este, no obstante, limitava-se a dizer: OLHE NOS ANUNCIOS PESSOAIS.
-Que anncios pessoais?  perguntou Bonnie.
Meredith que se aproximava naquele momento com um exemplar Wildcat Weekly, o jornal
da escola, proporcionou a resposta.
-Viram isso?  inquiriu.
Estava na sesso pessoal, completamente annimo, sem titulo nem assinatura. "No suporto
a idia de ti perder. Mas ele est sempre to infeliz com alguma coisa, e se ele no disser o
que , se ele no confiar em mim o suficiente, eu no vejo esperana para ns."
Ao ler, Elena sentiu um estalo de energia nova por cima de todo cansao. Deus, como
odiava quem estava fazendo aquilo. Ela se imaginou batendo neles, apunhalando-os,
contemplando como cairiam. E logo, vividamente, imaginou algo mais. Agarrar por trs dos
cabelos do ladro e afundar os dentes na garganta indefesa. Foi uma viso estranha e
inquietante, mas por um momento pareceu quase real.
Ela notou que Meredith e Bonnie olhavam para ela.
-Bem?  disse, sentindo-se ligeiramente incomoda.
-Me dei conta de que no escutava  suspirou Bonnie.  Acabo de dizer que continua sem
parecer obra de Da... obra do assassino. No creio que um assassino possa ser to
mesquinho.
-Por mais que eu odeie concordar com ela; ela est certa  disse Meredith.  Isso cheira a
algum sorrateiro. Algum que guarda rancor de modo pessoal e realmente quer fazer voc
sofrer.
Havia acumulado saliva na boca de Elena, e ela a tragou.
-Tambm algum que esteja familiarizado com o colgio. Tiveram que preencher um
formulrio para pr uma mensagem pessoal em uma das aulas de jornalismo  disse.
-E algum que sabia que tinha um dirio, supondo que o roubaram de propsito. Talvez
estava em uma das tuas aulas aquele dia que trouxeste para o colgio. Lembra? Quando o
Sr. Tanner quase o pegou  acrescentou Bonnie.
-A Srta. Halpern conseguiu pag-lo; inclusive leu uma parte em voz alta, algo sobre Stefan.
Isso foi justo depois que Stefan e eu comeamos a sair. Espera um minuto. Essa noite em
sua casa, quando roubaram o dirio, quanto tempo estiveste fora da sala?
-S uns poucos minutos. Yangtze havia deixado de latir, e foi at a porta para deixa-lo
entrar, e...  Bonnie apertou os lbios e se deu de ombros.
-Assim que o ladro tinha estado familiarizado com a casa  disse Meredith rapidamente -;
ou ele ou ela, no haviam entrado, pegou o dirio e saiu antes que voltssemos. Muito bem,
ento, estamos procurando algum sorrateiro e cruel que provavelmente est nas suas aulas,
Elena, e que provavelmente est familiarizado com a casa de Bonnie. Algum que tem algo
pessoal contra voc e no parar at ti prejudicar... Ah, meu Deus!
As trs olharam fixamente.
-Tem que ser  murmurou Bonnie  Tem que ser.
-Somos to estpidas! Tnhamos que ter visto logo  disse Meredith.
Para Elena significou a repentina compreenso de que toda a ira que havia sentido antes no
era nada comparada com a ira que era capaz de sentir. A chama de uma vela comparada
com o sol.
-Caroline  disse, e apertou os dentes com tanta fora que a mandbula doeu.
Caroline. Naquele instante Elena realmente se sentiu capaz de matar a garota de olhos
verdes. E tinha sado correndo para tentar faze-lo se Bonnie e Meredith no a tivessem
detido.
-Depois da aula  disse Meredith com firmeza -, quando podermos leva-la a algum lugar
privado. Espere s isso, Elena.
Mas quando foram para o refeitrio, Elena reparou na cabea de cabelos castanho
avermelhado que desaparecia pelo corredor de arte e musica. E recordou algo que Stefan
havia dito tempos atrs naquele mesmo ano, sobre que Caroline o levava a aula de
fotografia na hora do almoo. Para ter intimidade, dissera Caroline.
-Vocs duas continuem; esqueci algo  disse enquanto Bonnie e Meredith tinham comida
em suas bandejas do refeitrio.
Logo fingiu est surda enquanto saia rapidamente e retrocedia at a ala de arte.
Todas as salas estavam escuras, mas a porta da sala de fotografia no estava fechada com
chave. Algo fez Elena girar a maaneta com cautela e se moveu silenciosamente ao estar l
dentro, no lugar de entrar de uma vez para iniciar uma briga como havia planejado.
Caroline estava ali dentro? Se estava, o que estava fazendo na escurido sozinha?
No principio, a sala parecia estar vazia. Logo, Elena olhou o murmrio de vozes que saiam
de um pequeno oco situado ao fundo e viu que a porta do quarto escuro estava entreaberta.
Em silncio, furtivamente, se encaminhou at encontrar o outro lado da entrada, e o
murmrio de sons se transformaram em palavras.
-Mas como podemos estar seguros de que ser ela a quem escolheram?  Aquela era
Caroline.
-Meu pai est no conselho escolar. A escolheram, est certo  E aquela era a voz de Tyler
Smallwood, cujo padre era advogado e estava em todos os conselhos que existiam.  Alm
do mais, quem mais podia ser?  prosseguiu ele.  O Esprito de Fell's Church supe ser
inteligente, alm de ter um bom tipo.
-E pensa que eu no sou inteligente?
-Eu disse isso? Olha, se quer que seja voc que desfile vestida de branco no Dia do
Fundador, timo. Mas se quer ver como tiram Stefan Salvatore da cidade devido o
testemunho do dirio de sua prpria namorada...
-Mas por que esperar tanto tempo?
A voz de Tyler soou impaciente.
-Porque desse modo arruinar tambm os festejos. A festa dos Fell. Por que eles tinham que
levar o crdito de haver fundado a cidade? Os Smallwood estavam aqui primeiro.
-Ah, quem se importa quem fundou a cidade? Tudo o que eu quero  ver Elena humilhada
perante todo o colgio.
-E a Salvatore.
O puro dio e malicia da voz de Tyler fizeram Elena enlouquecer.
-Ter sorte se no acabar pendurada em uma rvore. Tem certeza que as provas esto a?
-Quantas vezes tenho que dizer? Primeiro, disse que ela perdeu a fita dois de setembro no
cemitrio. Logo depois, disse que Stefan a recolheu esse dia e a guardou. A ponte Wickery
est justo ao lado do cemitrio. Isso significa que Stefan estava perto da ponte no dia dois
de setembro, na noite que atacaram o velho. Todo mundo sabe que estava perto quando os
ataques a Vicky e a Tanner. O que quer mais?
-Jamais se sustentaria em um jri. Talvez devssemos conseguir alguma prova que o
comprometesse. Como perguntar a Sr. Flowers a que horas chegou em casa naquela noite.
-Ah, quem se importa? A maioria das pessoas j o considera culpado. O dirio fala de
algum grande segredo que ocultava de todos. O pessoal captar a idia.
-O guarda em um lugar seguro?
-No, Tyler, o guardo na mesa do caf. At que ponto acha que sou estpida?
-O bastante estpida para enviar a Elena notas que a pe sob aviso  olhou o papel do
jornal.  Olha isto,  incrvel. E tem que parar agora. E se ela deduzir quem o tem?
-O que far, chamar a policia?
-Ainda quero que fique quieta. Espere at o Dia do Fundador, ento ver como se derrete a
princesa de gelo.
-E direi ciao (tchau em italiano) a Stefan. Tyler... ningum vai machuca-lo realmente, no
?
-Quem se importa?  Tyler imitou o tom que ela havia usado antes  Voc deixou isso para
mim e meus amigos, Caroline. Limite-se a fazer sua parte, de acordo?
A voz de Caroline desceu at se converter em um sussurro gutural.
-Me convena.
Depois de uma pausa, Tyler lanou uma risada.
Escutou o som de roupas e um suspiro. Elena girou e escapou da sala to silenciosamente
como havia entrado.
Foi para o seguinte corredor e logo se apoiou contra os armrios que havia ali, tentando
pensar.
Era quase demais para absorver tudo de uma vez. Caroline, que em uma ocasio tinha sido
sua amiga, a havia trado e queria v-la humilhada perante todo o colgio. Tyler que sempre
parecia mais um imbecil que uma ameaa autentica, planejava conseguir que tirassem
Stefan da cidade... ou o matassem. E o pior era que estavam usando o prprio dirio de
Elena para fazer tudo isso.
Agora compreendia o inicio do sonho da noite anterior. Havia tido um sonho parecido no
dia anterior que descobriu que Stefan havia desaparecido. Em ambos os casos, Stefan a
havia olhado com olhos enraivecidos e acusadores, e logo depois havia jogado um livro em
seus ps e lhe havia dado as costas.
No era um livro. Era seu dirio. Dirio que continha provas que podiam ser fatais para
Stefan. Em trs ocasies pessoas tinham sido atacadas em Fell's Church, e nas trs ocasies
Stefan havia estado na cena do crime. O que isso podia parecer para a cidade, a policia?
E no existia um modo de contar a verdade. Supondo que ela dissesse:
"Stefan no  culpado.  seu irmo Damon, que o odeia e sabe o quanto que Stefan odeia a
idia de ferir e matar. E que tem seguido Stefan por todas as partes e atacado gente para que
Stefan pensasse que talvez tivesse sido ele que o fizera, para enlouquece-lo. E que est aqui
na cidade, em alguma parte, o busquem no cemitrio ou no bosque. Mas, ah, no procurem
somente um garoto bem afeioado, porque poderia ser um corvo no momento".
 "A propsito, ele  um vampiro".
Nem sequer ela acreditava. Soava absurdo.
Uma pulsada no lado do seu pescoo a recordou que era absurda a historia, na realidade. Se
sentia estranha hoje, quase como se estivesse doente. Era mais que simplesmente a tenso e
a falta de sono. Se sentia ligeiramente enjoada, e em algumas ocasies o solo parecia
esponjoso, cedendo embaixo dos seus ps e logo voltando a recuperar sua posio. Eram
sintomas de gripe, exceto que tinha certeza de que no tinha nenhum vrus em sua corrente
sangunea.
Culpa de Damon, outra vez. Tudo era culpa de Damon, exceto o dirio. No tinha ningum
a quem culpar por isso, a no ser ela mesma. Se ao menos no tivesse escrito sobre Stefan,
se ao menos no tivesse levado o dirio para o colgio. Se ao menos no o tivesse deixado
na sala de Bonnie. Se ao menos, se ao menos...
Naquele momento, tudo que importava era que tinha que recupera-lo.
Captulo Dez

Soou a sineta. No havia tempo para voltar ao refeitrio e informar a Bonnie e Meredith.
Elena foi a sua prxima aula, passando pelos rostos indiferentes e os olhares hostis que
estavam se transformando em familiares demais por esses dias.
Foi difcil, na aula de histria, no olhar fixamente para Caroline, no deixar que Caroline
soubesse o que sabia. Alaric perguntou por Matt e Stefan, que estavam ausentes pelo
segundo dia consecutivo, e Elena se deu de ombros, sentindo-se desprotegida e exposta.
No confiava naquele homem de sorriso juvenil e olhos avel e sua nsia de informao
sobre a morte do Sr. Tanner. E Bonnie, que se limitava a contemplar a Alaric
espiritualmente, no servia de nenhuma ajuda.
Depois da aula, ela captou um pedao da conversa de Sue Carson.
-...est de frias da faculdade..., no lembro exatamente de onde...
Elena j estava cansada de manter um discreto silncio. Girou de volta e falou diretamente
com Sue e a garota com quem ela falava, interrompendo-as sem ser convidada na discusso.

-Se eu fosse voc  disse a Sue -, manteria distancia de Damon. Falo srio.
Houve uma risada sobresaltada e embarassada. Sue era uma das poucas pessoas do colgio
que no tinha evitado Elena, e agora parecia querer t-lo feito.
-Quer dizer  disse a outra garota em tom vacilante  que ele tambm ti pertence? Ou...
O riso da prpria Elena foi discordante.
-Quero dizer que  perigoso  respondeu.  E no estou brincando.
Se limitaram a olha-la, e Elena guardou a violncia de ter que responder girando os
calcanhares e se distanciando. Escolheu a Bonnie no grupo extra-escolar de seguidores de
Alaric e se encaminhou ao armrio de Meredith.
-Aonde vamos? Pensvamos que amos falar com Caroline.
-Agora no  respondeu Elena  Espere at que cheguemos em casa. Ento direi o motivo.


-No posso acreditar  disse Bonnie uma hora mais tarde  Quero dizer, acredito, mas no
posso acreditar. No de Caroline.
- Tyler  disse Elena  Foi ele que teve o grande plano. Depois dizem que os homens no
se interessam por dirios.
-Na verdade, devamos agradecer  comentou Meredith  Graas a ele pelo menos temos
at o Dia do Fundador para fazer alguma coisa. Por que vai ser no Dia do Fundador, Elena?
-Tyler tem algo contra os Fell.
-Mas esto todos mortos  disse Bonnie.
-Bom, isso no parece importante para Tyler.Lembro que ele tambm falou dele no
cemitrio quando olhvamos a tumba dele. Ele acha que roubaram de seus antepassados o
lugar que lhes corresponde como fundadores da cidade, ou algo assim.
-Elena  disse Meredith em tom srio -, tem alguma coisa mais que possa prejudicar
Stefan? Alm da coisa do velho, quero dizer.
-No  o suficiente?
Com aqueles olhos firmes e escuros fixos nela, Elena sentiu o desconforto de um molestar
em suas costas. O que Meredith estava perguntando?
-Suficiente para tirar Stefan da cidade, como eles disseram  concordou Bonnie.
-Suficiente para que recuperemos o dirio que Caroline tem em seu poder  disse Elena. 
A nica questo  como.
-Caroline disse que tinha escondido em algum lugar seguro. Isso provavelmente significa
sua casa.  Meredith mordeu o lbio pensativamente.  Ela s tem esse irmo que est na
oitava, no ? E sua me trabalha, mas vai comprar na Roanoke com assiduidade. Eles tem
empregada?
-Por que?  disse Bonnie.  O que isso importa?
-Bom, no queremos que entre ningum enquanto roubamos a casa.
-Enquanto o que?  A voz de Bonnie se lanou em um agudo guincho.  No pode est
falando srio!
-O que sugere que possamos fazer, simplesmente sentar e esperar at o Dia do Fundador e
deixar que ela leia o dirio para toda a cidade? Ela roubou da sua casa. Simplesmente temos
que traze-lo de volta  respondeu Meredith com exasperante tranqilidade.
-Nos pegaro. Nos expulsaro do colgio..., se  que no vamos acabar na cadeia. Bonnie
virou a cabea para Elena em atitude suplicante.  Diga, Elena.
-Bom...
Honestamente, a perspectiva intranqilizava um pouco Elena. No era tanto a idia da
expulso, ou inclusive a cadeia, como a idia de ser pega. O rosto altivo da Sra. Forbes
flutuou ante seus olhos, cheio de justificada indignao. Logo mudou para o de Caroline,
rindo com rancor enquanto sua me apontava com o dedo acusador para Elena.
Alm do mais, parecia tal... violao entrar na casa de algum quando no tinha ningum
ali para remexer suas coisas. Odiaria que algum lhe fizesse isso.
Entretanto, j haviam feito. Caroline violado a casa de Bonnie, e naquele momento teve em
suas mos a coisa mais ntima de Elena.
-Vamos fazer  disse Elena em voz pausada  Mas faremos com cuidado.
-No podemos conversar?  inquiriu Bonnie com tom dbil, passando os olhos do rosto
decidido de Meredith para o de Elena.
-No h nada o que conversar. Voc vem  a indicou Meredith.  Voc prometeu 
acrescentou quando Bonnie tomou ar para voltar a discutir, e levantou seu dedo indicador.
-O juramento de sangue foi s para ajudar Elena a conquistar Stefan!  exclamou Bonnie.
-Pense de novo  disse Meredith.  Voc jurou que faria qualquer coisa que Elena pedisse
em relao a Stefan. No havia nada sobre um limite de tempo ou sobre "s at que Elena o
consiga".
Bonnie ficou boquiaberta. Olhou para Elena que quase sorria diferente dela.
-Est certo  respondeu ela, solenemente  E voc mesma disse "jurar solenemente com
sangue significa que mantenha sua promessa acontea o que acontecer".
Bonnie fechou a boca e ergueu o queixo.
-Ok  replicou com tom sombrio.  Agora estou obrigada durante a minha vida a fazer o
que Elena quiser que eu faa em relao a Stefan. Maravilhoso.
-Est  a ultima coisa que eu ti pedirei  disse Elena.  Eu prometo. Juro que...
-No diga isso!  interveio Meredith, repentinamente sria.  No diga isso, Elena. Poder
lamentar mais tarde.
-Agora voc tambm est se afeioando com as profecias?  inquiriu Elena, e logo
perguntou: - Ento, como vamos conseguir a chave da casa de Caroline durante uma hora
pelo menos?


Sbado, 9 de novembro

Querido dirio:
Sinto por ter passado tanto tempo. Ultimamente tenho estado ou ocupada demais ou
deprimida demais  ou ambas as coisas  para escrever.
Alm do mais, com tudo o que aconteceu, tenho quase um medo de ter um dirio. Mas
preciso de algum a quem recorrer, por que justamente agora no existe um s ser
humano, uma s pessoa na Terra, a quem eu no esteja ocultando algo.
Bonnie e Meredith no podem saber a verdade sobre Stefan. Stefan no pode saber a
verdade sobre Damon. Tia Judith no pode saber nada de nada. Bonnie e Meredith sabem
sobre Caroline estar com o dirio; Stefan, no. Stefan sabe da verbena que uso todo dia
agora; Bonnie e Meredith, no. Inclusive que suas bolsas esto repletas dela. Uma boa
coisa: parece funcionar, ou ao menos no voltei a andar sonmbula pela noite. Mas seria
uma mentira dizer que no tenho sonhado com Damon. Aparece em todos os meus
pesadelos.
Minha vida est cheia de mentiras nesse momento, e preciso de algum com quem possa
ser totalmente honesta. Vou esconder o dirio embaixo da tabua solta do closet, de modo
que ningum o encontre, ainda que eu morra e esvaziem meu quarto. Alm do mais algum
dos netos de Margareth brincar ali dentro algum dia e vai levantar a tbua e tira-lo, mas
at ento, ningum. Este dirio  meu ltimo segredo.
No sei porque penso na morte e em morrer. Essa  a mania de Bonnie;  ela que seria
romntico. Eu sei o que realmente : no houve nada de romntico quando mame e papai
morreram. Simplesmente, as piores sensaes do mundo. Quero viver por muito tempo,
casar com Stefan e ser feliz. E no h motivo para que no possa, uma vez que todos esses
problemas fiquem para trs.
Exceto que h vezes em que me assusto e acredito nisso. E h coisas que no deveriam me
importar, mas que preocupam. Como por que Stefan ainda leva o anel de Katherine
pendurado no pescoo, embora eu saiba que me ama. Como por que nunca disse que me
ama, apesar de que eu saiba que sim.

No importa. Tudo sair bem. Tem que sair bem. Ento estaremos juntos e seremos felizes.
No h motivos para que no sejamos. No h motivos para que no sejamos. No h
motivo.

Elena deixou de escrever, tentando manter as letras da pgina centradas. Mas s se
bagunavam mais, e fechou o livro antes que uma lgrima acusadora pudesse cair sobre a
tinta. Foi at o closet, levantou a tbua solta com uma lima para unhas e colocou o dirio
debaixo.

Levava a lima de unhas no bolso uma semana mais tarde, quando as trs, Bonnie, Meredith
e ela, se detiveram ante a porta dos fundos da casa de Caroline.
-Depressa!  sibilou Bonnie desesperada, passando os olhos no ptio como se esperasse que
algo saltasse entre elas.  Vamos, Meredith!
-Pronto  disse Meredith quando a chave encaixou por fim corretamente na fechadura com
a lingeta e a maaneta cedeu com o giro de seus dedos.  Estamos dentro.
-Tem certeza que no esto em casa? Elena, e se voltarem cedo? Por que no podemos
fazer isso outro dia, ao menos?
-Bonnie, quer entrar de uma vez? J falamos sobre isso. A empregada est sempre aqui
durante o dia. E no voltaro cedo hoje, ao menos que algum passe mal em Chez Louis.
Agora vamos!  disse Elena.
-Ningum ousaria ficar doente no jantar de aniversario do Sr. Forbes  disse Meredith com
tom consolador a Bonnie enquanto a menor das meninas entrava.  Estamos a salvo.
-Se tem dinheiro o suficiente para ir a restaurantes caros, era de se pensar que deixariam
umas luzes acesas  replicou Bonnie, negando-se a se deixar consolar.
Em si, Elena se deu uma razo para isso. Parecia estranho e desconcertante vagar pela casa
de outra pessoa na escurido, e seu corao martelou asfixiantemente enquanto subiam as
escadas. Sua palma, que se fechava na lanterna do chaveiro que mostrava o caminho, estava
mido e escorregadio. Mas alem de todos os sintomas de pnico, sua mente continuava
funcionando friamente, quase com indiferena.
-Tem que est em seu quarto  disse.
A janela de Caroline dava para a rua, o que significava que tinham que ser mais cuidadosas
ainda para que no vissem nenhuma luz ali. Elena balanou o diminuto feixe da lanterna de
um lado para o outro com a sensao de desalento. Uma coisa era planejar revistar o quarto
de algum, imaginar mentalmente a reviso eficiente e metdica das gavetas, e outra era
est realmente ali de p, rodeada pelo que parecia um milho de lugares para esconder algo,
e sentir medo de tocar em alguma coisa e Caroline perceber que estava mexido.
As outras duas garotas tambm estavam totalmente imveis.
-Talvez devssemos ir para casa  sugeriu Bonnie em voz baixa.
Meredith no a contradisse.
-Temos que tentar. Ao menos tentar  disse Elena, ouvindo o quo oca e baixa que soava
sua voz.
Abriu com cuidado uma gaveta de uma cmoda alta e passou a luz por cima dos delicados
montes de roupas intimas. Uns instantes de busca entre eles bastaram para comprovar que
no havia nada parecido com livro. Colocou os montinhos de volta e fechou a gaveta. Logo
depois soltou o ar.
-No  to difcil  disse  O que precisamos  dividir o quarto e revista-lo, cada gaveta,
cada mvel, cada objeto bastante grande para esconder um dirio.
Ela assinalou o closet e a primeira coisa que fez foi apalpar as tabuas do cho com sua lima
de unha. Mas as tabuas de Caroline pareciam estar todas bem pregadas e as paredes do
armrio embutido soaram slidas. Procurando entre as roupas de Caroline, encontrou varias
coisas que ela havia deixado a outra garota no ano anterior. Se sentiu tentada a leva-las mas,
 claro, que no podia. Examinou os sapatos e os bolsos de Caroline, mas nada revelaram,
inclusive quando arrastou uma cadeira at ali para investigar a estante superior do closet.
Meredith estava sentada no cho examinando um monte de animais de pelcia que haviam
sido relegados junto a outras recordaes infantis. A garota passou os largos e sensveis
dedos sobre cada um procurando fendas no material. Quando chegou a um poodle fofo, se
deteve.
-Eu lhe dei isso  murmurou.  Acho que em seu dcimo aniversario. Pensava que o tinha
jogado fora.
Elena no pode ver seus olhos, a prpria lanterna de Meredith estava dirigida para o poodle.
Mas soube como a amiga se sentiu.
-Tentei fazer as pazes com ela  disse em voz baixa  Eu tentei, Meredith, na Casa Maldita.
Mas praticamente me disse que jamais me perdoaria por lhe tirar Stefan. Eu desejei que as
coisas fossem diferentes, mas ela no quis deixar que elas fossem.
-E agora  guerra.
-E agora  guerra  disse Elena, categrica e contundente.
Observou enquanto Meredith deixava o poodle em um lado e pegava o prximo animal;
depois voltou para sua prpria revista.
Mas no teve melhor sorte na penteadeira do que no closet. E a cada minuto que transcorria
se sentia mais inquieta, com mais certeza de que estavam a ponto de escutar um carro
chegando na entrada de acesso dos Forbes.
-No serve de nada  disse Meredith por fim, apalpando debaixo do colcho de Caroline. 
Deve ter escondido... Espera. H algo aqui. Sinto um canto.
Elena e Bonnie a olharam fixamente dos lados opostos do quarto, momentaneamente
paralisadas.
-Achei. Elena,  um dirio!
O alivio descendeu como uma exalao atravs de Elena e fez que se sentisse como um
pedao de papel enrugado que alisam e estiram. Podia voltar a se mover. Respirar era
maravilhoso. Ela sabia, sabia todo o tempo que nada realmente terrvel podia acontecer com
Stefan. A vida no podia ser to cruel, no com Elena Gilbert. Todos estavam a salvo agora.

A voz de Meredith soou perplexa.
- um dirio. Mas  verde e no azul.  o dirio errado.
-Que?
Elena lhe arrancou o pequeno caderno e dirigiu sua lanterna sobre ele, tentando converter o
verde esmeralda em azul safira. No funcionou. Aquele dirio era quase exatamente como o
seu, mas no era o seu.
- o de Caroline  disse estupidamente, ainda sem querer acreditar.
Bonnie e Meredith se empoleiraram junto a ela. Todas olhavam o livro fechado e se
olharam.
-Pode haver pistas  disse Elena devagar.
- muito justo  concordou Meredith.
Mas foi Bonnie quem realmente tomou o dirio e abriu.
Elena esquadrinhou por cima do seu ombro a letra pontiaguda e inclinada para trs de
Caroline, to diferente das maisculas de notas violetas. Ao principio seus olhos no
conseguiram focar bem mas logo um nome lhe saltou a vista: Elena.
-Espera, o que  isso?
Bonnie, que era a nica que realmente estava em uma posio que permitia ler mais de uma
ou duas palavras, permaneceu em silncio um momento, movendo os lbios.Logo depois
suspirou.
-Escuta isso  disse e leu : Elena  a pessoa mais egosta que j conheci. Todo mundo
pensa que  equilibrada, mas  certo que seja s frieza. D nojo o modo como as pessoas
babam por ela, sem pensar que ela jamais se importa com nada nem ningum que no seja
Elena.
-Caroline disse isso? Olha quem fala!
Elena sentiu seu rosto ardendo. Era praticamente o que Matt disse quando ela ia atrs de
Stefan.
-Vamos, tem mais - disse Meredith, dando tapinhas em Bonnie, que prosseguiu em tom
ofendido.
-"Bonnie est quase igual de impossvel esses dias, sempre tentando se fazer de importante.
A ultima  fingir que  mdium para que a gente a note. Se realmente fosse mdium,
descobriria que Elena s a est usando".
Houve uma pausa embaraosa e logo Elena disse:
-Isso  tudo?
-No, h algo sobre Meredith: Meredith no faz nada para det-lo. Na verdade, Meredith
no faz nada a no ser observar.  como se no pudesse atuar; s pudesse reagir as coisas.
Alem do mais, ouvi meus pais falarem sobre sua famlia..., no me surpreende que ela
nunca os mencione". O que significa isso?
Meredith no se moveu e Elena via unicamente seu pescoo e seu queixo na tnue luz. A
garota falou em voz baixa e firme.
-No importa. Continue olhando, Bonnie, procure algo sobre o dirio de Elena.
-Procure por volta de dezoito de outubro. Foi quando o roubaram  indicou Elena, deixando
de lado suas perguntas; j que as faria a Meredith.
No tinha nenhuma anotao para dezoito de outubro nem o fim de semana seguinte.
Nenhuma delas mencionava o dirio.
-Bom, ento  isso  disse Meredith sentando-se atrs.  Este livro no serve. A menos que
queiramos chantagea-la com ele.Voc sabe, algo como que no mostremos o seu e ela no
mostra o seu.
Era uma idia tentadora, mas Bonnie detectou uma falha.
-No h nada ruim sobre Caroline aqui; no so mais que queixas sobre outras pessoas.
Principalmente ns. Aposto que encantaria Caroline que fosse lido em voz alta no colgio.
Animaria seu dia.
-Ento, o que faremos com ele?
-Devolve-lo a seu lugar  respondeu Elena com a voz cansada.
Passou a luz da lanterna pelo quarto, que a seus olhos parecia estar repleto de sutis
diferenas em comparao com a que tinham encontrado.
-Simplesmente teremos que continuar fingindo que no sabemos que ela tem meu dirio e
esperar outra oportunidade.
-Concordo  disse Bonnie, mas continuou olhando o livro dando risadas soltas de vez em
quando e uma bufada ou um sibilar indignados.  Quer ouvir isso?  exclamou.
-No h tempo  disse Elena.
Havia dito algo mais, mas nesse momento Meredith falou e seu tom exigiu a imediata
ateno de todo mundo.
-Um carro.
Foi s um segundo para determinar que o veculo estava na entrada de acesso dos Forbes.
Os olhos e a boca de Bonnie estavam abertos e redondos e a garota parecia paralisada
ajoelhada junto a cama.
-Anda! Vamos  disse Elena tirando-lhe o dirio  Apaga as lanternas e sai pela porta dos
fundos.
J se moviam, Meredith estando a frente de Bonnie. Elena se deixou cair de joelhos e
levantou o lenol da cama at o colcho de Caroline. Com a outra mo empurrou o dirio
para frente, encaixando-o entre o colcho e a parte que circundava a parte baixa da cama.
As molas finalmente recobertas se cravavam no brao que estava abaixo, ainda pior era o
peso do colcho que caia em cima. Deu ao livro mais alguns empurres com os dedos e
logo extraiu o brao debaixo do colcho, estirando o lenol para deixa-lo como estava.
Deu uma olhada frentica de novo no quarto enquanto saia; no havia tempo para arrumar
mais nada. Enquanto descia veloz e em silncio as escadas, olhou a chave da porta
principal.
Logo em seguida foi uma espcie de pega-pega espantoso. Elena sabia que no a estavam
perseguindo deliberadamente, mas a famlia Forbes parecia decidida a esquadrinhar sua
casa. Regressou por onde havia vindo enquanto luzes e vozes se materializavam no
vestbulo se dirigindo para as escadas. Foi at o interior da ultima entrada do corredor
abaixo, e eles pareciam segui-la. Cruzaram o hall; estavam justo ante o quarto principal.
Girou em direo ao banheiro, mas viu acender a luz de repente por baixo da porta fechada,
cortando a fugida.
Estava atrapalhada. Os pais de Caroline podiam entrar a qualquer momento. Viu as portas
envidraadas que davam para a varanda e tomou sua deciso nesse instante.
Fora o ar era fresco e sua respirao arquejante resultava ligeiramente invisvel. Uma luz
amarela surgiu do quarto onde estava e se agachou a esquerda mantendo-se fora do
caminho. Logo, o som que estava temendo se escutou com terrvel claridade: o deslize da
maaneta da porta, seguida por um ondular de cortinas produzido ao abrir as portas
envidraadas.
Olhou ao redor freneticamente. A distncia era grande demais para saltar e no havia nada
que a segurasse na descida. Isso deixava s o telhado, mas no havia nada para subir.
Contudo, algum instinto a fez tentar e j estava sobre o corrimo da varanda, procurando no
tato algum lugar para subir quando uma sombra apareceu entre as vaporosas cortinas. Uma
mo a separou, uma figura comeou a sair e ento Elena sentiu que algo agarrava com fora
sua mo fechando-se no seu pulso e iando-a para o alto. Deu um impulso automaticamente
com os ps e se encontrou no telhado de telhas de madeira. Enquanto tentava tranqilizar a
irregular respirao, olhou adiante agradecida para ver quem era seu salvador... e ficou
gelada.




Captulo Onze

 "O nome  Salvatore. Como em Salvador", ele disse. Tinha um breve flash de dentes
brancos na escurido.
Elena olhou para baixo. A tapearia pendurada no telhado obscurecia a varanda, mas ela
podia ouvir uma mistura de sons l embaixo. Mas eles no eram sons de uma perseguio, e
no havia sinais de que as palavras de seus companheiros haviam sido escutadas por acaso.
Um minuto depois ela ouviu as portas de vidro se fecharem.
"Eu pensei que era Smith," ela disse, ainda olhando para baixo na escurido.
Damon sorriu. Era um sorriso terrivelmente envolvente, sem a amargura do de Stefan. A
fez pensar na luz de arco-ris na pena do corvo.
Apesar de tudo, ela no era tola. Encantador como parecia, Damon era perigoso como quase
alm da imaginao. Esse gracioso, longnquo corpo era dez vezes mais forte do que o de
um humano. Aqueles olhos escuros preguiosos eram adaptados para ver perfeitamente 
noite. A mo de dedos longos que a tinha puxado para o telhado podiam se mover com uma
rapidez impossvel. E, mais perturbador que tudo, sua mente era a mente de um assassino.
Um predador.
Ela podia sentir isso abaixo da superfcie dele. Ele era diferente de um humano. Ele tinha
vivido tanto tempo caando e matando que ele tinha esquecido qualquer outro meio de
viver. E ele apreciava isso, no combatendo sua natureza como Stefan combateu, mas se
vangloriando dela. Ele no tinha moral nem conscincia, e ela estava aprisionada aqui com
ele no meio na noite.
Ela se acomodou sobre o calcanhar, pronta para pular a qualquer minuto. Ela devia estar
brava com ele agora, depois do que ele tinha feito com ela no sonho. Ela estava, mas no
havia nada expressando isso. Ele sabia o quo furiosa ela devia estar, e ele apenas riria dela
se ela dissesse isso para ele.
Ela o assistiu quietamente, intensamente, esperando pelo seu prximo movimento.
Porm, ele no se moveu. Aquelas mos podiam disparar to rapidamente quanto uma
cobre imvel repousada nos seus joelhos. Sua expresso a lembrou do modo como ele a
tinha olhado uma vez antes. A primeira vez que eles tinham se encontrado ela tinha visto o
mesmo prudente, relutante respeito em seus olhos  exceto que naquela vez tinha tido
tambm surpresa neles. Agora no tinha nenhuma.
"Voc no vai gritar comigo? Ou desmaiar?" Ele disse, como se lhe oferecendo opes
padres.
Elena ainda estava assistindo ele. Ele era muito mais forte do que ela, e mais rpido, mas se
ela precisasse, ela pensou, ela podia chegar  borda do telhado antes dele a alcanar. Eram
dez metros de queda se ela perdesse a varanda, mas ela podia decidir correr o risco. Tudo
dependia de Damon.
"Eu no desmaio," ela disse brevemente. "E por que eu deveria gritar com voc? Ns
estvamos jogando um jogo. Eu fui estpida aquela noite e por isso eu perdi. Voc me
avisou no cemitrio sobre as consequencias".
Os lbios dele se separaram em um flego rpido e ele olhou para longe. "Eu posso
simplesmente ter que te fazer minha Rainha das Sombras", ele falou e, praticamente
falando consigo mesmo, ele continuou. "Eu j tive muitas companheiras, garota, to jovens
quanto voc e mulheres que eram as mais bonitas da Europa. Mas voc  a que eu quero ao
meu lado. No poder, fazendo o que quisermos quando quisermos. Temidos e adorados por
todos, as almas mais fracas. Isso seria to ruim?"
"Eu sou uma das almas mais fracas," Elena disse. "E voc e eu somos inimigos, Damon.
Ns no podemos nunca ser outra coisa".
"Voc tem certeza?" Ele olhou para ela, e ela pde sentir a fora da mente dele quando
tocou a dela, como o atrito daqueles dedos longos. Mas no havia vertigem, nem
sentimento de fraqueza ou de sucumbir. Naquela tarde ela tinha ficado de molho por um
longo tempo, como ela sempre havia feito nesses dias, numa banheira quente salpicada com
verbena.
Os olhos de Damon lampejaram com entendimento, mas ele se recomps com graa. "O
que voc est fazendo aqui?" Ele falou casualmente.
Foi estranho, mas ela no sentiu necessidade de mentir para ele. "Caroline pegou algo que
me pertence. Um dirio. Eu vim pag-lo de volta".
Um novo olhar tremulou em seus olhos negros. "Indubitavelmente para proteger meu irmo
imprestvel de algum jeito" disse ele, contrariado.
"Stefan no est envolvido nisso!"
"Oh, no est?" Ela ficou com medo de que ele tivesse entendido maus do que ela
tencionava. "Estranho, ele parece estar sempre envolvido quando tem confuso. Ele cria
problemas. Agora, se ele estivesse fora do filme..."
Elena falou firmemente. "Se voc machucar Stefan de novo eu vou fazer voc se
arrepender. Eu acharei um jeito de fazer voc desejar no ter feito isso, Damon. Eu juro."
"Eu vejo. Bem, ento eu vou ter simplesmente que trabalhar em voc, no ?"
Elena no disse nada. Ela tinha se auto encurralado, concordando em jogar esse jogo mortal
deve de novo. Ela olhou para longe.
"Eu vou ter voc no final, voc sabe", ele falou suavemente. Essa era a voz que ele usou na
festa, quando disse, "Devagar, devagar". No havia zombaria ou malcia agora; ele estava
simplesmente declarando um fato. "Custe o que custar, como sua gente diz   uma linda
frase  voc ser minha antes que a prxima nevasca caia".
Elena tentou dissimular o frio que sentir, mas ela sabia que ele viu de qualquer jeito.
"Bom" ele disse. "Voc tem alguma sensatez, voc tem razo em ter medo de mim; eu sou
a coisa mais perigosa que voc provavelmente vai encontrar na sua vida, mas agora eu
tenho uma proposta de negocio para voc."
"Uma proposta de negcio?"
"Exatamente. Voc veio aqui para pegar um dirio. Mas voc no o pegou." Ele indicou as
mos vazias dela. "Voc fracassou, no ?" Quando Elena no respondeu, ele continuou. "E
j que voc no quer meu irmo envolvido, ele no pode ter ajudar. Mas eu posso. E eu
vou."
"Voc vai?"
" claro. Por um preo."
Elena o fitou. Sangue flamejou em seu rosto. Quando ela conseguiu colocar as palavras
para fora, elas vieram somente como um murmrio.
"Que  preo?"
um sorriso cintilou fora da escurido. "Alguns minutos do seu tempo, Elena. Algumas goras
do seu sangue. Mais ou menos uma hora gasta comigo, sozinhos."
"Seu..." Elena no conseguiu achar a palavra certa. Todos os adjetivos que ela conhecia
eram muito suaves.
"Eu vou ter isso de qualquer jeito, no final," ele disse em um tom sensato. "Se voc for
honesta, vai admitir isso para voc mesma. A ltima vez no foi a ltima. Por que no
aceita isso?" A voz dele caiu para um timbra quente, ntimo. "Lembre-se..."
"Eu preferiria cortar minha garganta," ela disse.
"Um pensamento intrigante. Mas eu posso fazer isso se um jeito muito mais agradvel."
Ele estava rindo dela. De algum jeito, acima de todo o resto, hoje isso era demais. "Voc 
nojento, voc sabe disso" ela disse. "Voc  nojento". Ela estava tremendo agora, e no
conseguia respirar. "Eu morreria antes de me entregar a voc. Eu preferiria..."
Ela no estava certa do que a fez fazer isso. Quando ela estava com Damon um pouco de
instinto tomava conta dela. E naquele momento, ela sentiu que preferiria arriscar qualquer
coisa a v-lo vencer desta vez. Ela percebeu, com metade de sua mente, que ele estava
sentado, relaxando, apreciando o rumo que seu jogo estava tomando. A outra metade da
mente dela estava calculando o quanto o telhado ultrapassava a varanda.
"Eu preferiria fazer isso," ela disse, e se arremessou de lado.
Ela estava certa; ele estava fora de guarda e no pde se mexer rpido o suficiente para
par-la. Ela sentiu espao livre embaixo de seus ps e percebeu que a varanda era mais para
trs do que ela havia pensado. Ela ia falhar.
Mas ela no tinha contado com Damon. Sua mo se lanou, no rpida o suficiente para
mant-la no telhado, mas fazendo-a parar de cair mais. Era como se o peso dela no fosse
nada para ele. Reflexivamente, Elena agarrou a borda do telhado e tentou dar um impulso
com o joelho.
A voz dele estava furiosa. " Sua pequena tola! Se voc est to ansiosa para conhecer a
morte eu posso lhe apresenta-la eu mesmo."
"Me larga," disse Elena entre dentes. Algum sairia para aquela varanda a qualquer
segundo, ela estava certa disso. "Me larga."
"Aqui e agora?" Olhando dentro daqueles insondveis olhos pretos, ela percebeu que ele
estava srio. Se ela dissesse que sim ele a largaria.
"Seria um jeito rpido de acabar as coisas, no seria?" ela disse. Seu corao estava batendo
de medo, mas ela se recusou a deixa-lo ver isso.
"Mas um desperdcio". Com um movimento, ele a puxou para a segurana. Para ele. Seus
braos se apertaram em volta dela, a pressionando para a dureza magra de seu corpo, e de
repente Elena no pde ver nada. Ela estava envolvida. Ento ela sentiu aqueles msculos
planos se recolhendo como os de um gato, e eles dois se lanaram no espao.
Ela estava caindo. Ela no podia fazer nada a no ser agarrar-se a ele como a nica coisa
slida no apressado mundo em volta dela. E ento ele pousou, felino, absorvendo o impacto
facilmente.
Stefan tinha feito algo similar uma vez. Mas Stefan no a tinha segurado dessa maneira,
confusamente perto, com os seus lbios quase em contato com os dela.
"Pense sobre minha proposta," ele disse.
Ela no pde se mover ou desviar o olhar. E dessa vez ela sabia que no era nenhum Poder
que ele estava usando, mas simplesmente a louca atrao entre eles. Era intil negar isso; o
corpo dela respondia ao dele. Ela podia sentir a respirao dele em seus lbios.
 "Eu no preciso de voc para nada," ela disse a ele.
ela pensou que ele iria beija-la depois, mas ele no o fez. Acima deles tinha um som de
portas de vidro se abrindo e uma voz furiosa na varanda. "Hey! O que est acontecendo?
Tem algum a fora?"
"Dessa vez eu te fiz um favor," Damon disse, muito suave, ainda segurando ela. "D
prxima vez eu vou cobrar."
Ela no poderia ter virado sua cabea para longe. Se ele a tivesse beijado, ela teria deixado.
Mas de repente a dureza de seus braos se dissolveram em volta dela e o rosto dele pareceu
um borro. Era como se a escurido o estivesse levando para dentro dela. As asas pretas
capturaram e bateram o ar e um enorme corvo estava se afastando.
Alguma coisa, um livro ou um sapato, foi arremessado depois pela varanda. Perdeu-se no
quintal.
"Malditos pssaros!" disse a voz da senhora Forbes acima. "Eles devem estar construindo
ninhos no telhado."
Tremendo, com os seus braos apertados em volta dela, Elena se lanou na escurido at
que ela estivesse de volta dentro.
Ela encontrou Meredith e Bonnie agachadas no porto. "O que te fez demorar tanto?"
Bonnie sussurrou. "Ns pensamos que voc tinha sido pega!".
"Eu quase fui. Eu tive que ficar at que estivesse segura." Elena estava to acostumada a
mentir sobre Damon que ela fazia isso agora sem um esforo consciente. "Vamos para
casa," ela sussurrou. "No h nada mais que ns possamos fazer".
Quando elas estavam na porta de Elena, Meredith disse, "So s duas semanas at o Dia do
Fundador."
"Eu sei." Por um momento a proposta de Damon nadou na mente de Elena. Mas ela sacudiu
a cabea para limpa-la. "Eu vou pensar em alguma coisa" ela disse.
Ela no tinha pensado em nada at o prximo dia de escola. O fato encorajador era que
Caroline no parecia ter percebido nada de errado em seu quarto  mas era tudo o que Elena
podia encontrar de encorajador. Teve uma assemblia naquela manh, na qual foi anunciada
que a escola tinha escolhido Elena como a estudante para representar "A Primavera de
Fell's Church". Durante todo o discurso do diretor sobre isso, o sorriso de Caroline tinha
brilhado distante, triunfante e malicioso.
Elena tentou ignora-lo. Ela fez o melhor que pde para ignorar is insultos e as ofensas que
vieram em seqncia  assemblia, mas no foi fcil. No foi nada fcil, e teve dias que ela
pensava que bateria em algum ou simplesmente comearia a gritar, mas ela rapidamente se
controlava.
Aquela tarde, esperando pela aula de histria do sexto perodo para poder sair, Elena
estudou Tyler Smallwood. Desde que voltou para a escola, ele no tinha destinado a ela
nem uma palavra diretamente. Ele sorriu to obscenamente como Caroline durante o
anncio do diretor. Agora, como tivesse capturado a viso de Elena permanecendo sozinha,
ele empurrou Dick Carter com o cotovelo.
"O que  aquilo?" Ele disse. "Uma flor de parede?"
Stefan, onde voc est? Pensou Elena. Mas ela sabia a resposta para isso. na metade da
frente da escola, na aula de astronomia.
Dick abriu a boca para dizer algo, mas ento sua expresso mudou. Ele estava olhando para
alm de Elena, para o corredor sul. Elena virou e viu Vickie.
Vickie e Dick tinham ficado juntos antes do baile. Elena sups que eles ainda estavam. Mas
Dick olhou incerto, como se ele no estivesse certo do que esperar da garota que estava se
movendo rumo a ele.
Tinha algo estranho sobre o rosto de Vickie, sobre o jeito de ela andar. Ela estava se
movendo como se seus ps no tocassem o cho. Seus olhos estavam dilatados e
sonhadores.
 "Oi," Disse Dick timidamente, e ele se ps de frente para ela. Vickie passou por ele sem
olhar e foi em direo a Tyler. Elena assistiu o que aconteceu depois com um crescente
desassossego. Isso devia ser engraado, mas no era.
Comeou com Tyler olhando um pouco perplexo. Depois Vickie colocou uma mo no peito
dele. Tyler sorriu, mas tinha um olhar forado em relao a isso. Vickie deslizou sua mo
para dentro na jaqueta dele. O sorriso de Tyler oscilou. Vickie ps sua outra mo no peito
dele. Tyler olhou para Dick.
"Hey, Vickie, v com calma," disse Dick precipitadamente, mas ele no chegou mais perto.
Vickie deslizou suas duas mos para cima, tirando a jaqueta de Tyler de seus ombros. Ele
tentou manear os ombros e coloca-la de volta sem deixar seus livros ou parecer muito
preocupado. Ele no conseguiu. Os dedos de Vickie penetraram embaixo da sua camisa.
"Pare com isso. Voc vai par-la?" Disse Tyler a Dick. Ele estava em apuros.
"Hey, Vickie, pare. No faa isso". Mas Dick manteve uma distncia segura. Tyler lanou a
ele um olhar fulminante e tentou afastar Vickie.
Um barulho tinha comeado. De inicio parecia se uma freqncia quase muito baixa para
um humano ouvir, mas ficou mais e mais alto. Um rosnado, sinistramente ameaador, que
gelou a espinha de Elena. Tyler estava olhando admirado com descrena, e ela logo
percebeu isso. O som estava vindo de Vickie.
Ento tudo aconteceu de uma vez. Tyler estava no cho com os dentes de Vickie a
centmetros da garganta de Tyler e tentando mord-la. Elena, com todas as brigas
esquecidas, estava tentando ajudar Dick a tira-la de l. Tyler estava uivando. A porta da sala
de histria foi aberta e Alaric estava gritando.
"No a machuquem! Sejam cuidadosos!  epilepsia, ns apenas precisamos mant-la
deitada agora!".
Os dentes de Vickie tentaram morder de novo quando ele alcanou uma mo no combate. A
esguia garota era mais forte do que todos eles juntos, e eles estavam perdendo o controle
sobre ela. Eles no seriam capazes de controlar-la por muito mais tempo. Foi com grande
alivio que Elena ouviu uma voz familiar sobre seu ombro.
"Vickie, calma. Est tudo bem. Apenas relaxe agora."
Com stefan prendendo os braos de Vickie e conversando com ela de modo calmante,
Elena ousou afrouxar o seu prprio aperto. E pareceu, a principio, que a estratgia de Stefan
estava funcionando. Os dedos de Vickie afrouxaram, e eles puderam desliza-los para fora
de Tyler. Como Stefan continuou falando com ela, ela ficou mole e seus olhos se fecharam.
"Muito bom. Voc est se sentindo cansada agora.  bom ir dormir."
Mai ento, abruptamente, parou de funcionar, e fosse qual fosse o Poder que Stefan estava
exercendo sobre ela estava quebrado. Os olhos de Vickie se abriram, e eles perfuraram sem
nenhuma semelhana com os olhos de filhote assustado que Elena tinha visto na cafeteria.
Eles estavam fulgurantes com intensa fria. Ela rosnou para Stefan e estourou lutando com
a fora renovada.
Precisou de cinco ou seis deles para controla-la enquanto algum chamava a polcia. Elena
permaneceu onde ela estava, conversando com Vickie, de vez em quando berrando com ela,
at a polcia chegar. Nada disso fez bem algum.
Ento ela andou para trs e viu a multido de expectadores pela primeira vez. Bonnie estava
na frente da fila, fitando boquiaberta. Assim como Caroline.
"O que aconteceu?" disse Bonnie quando os oficiais carregaram Vickie para longe.
Elena, ofegando suavemente, tirou uma mecha de cabelo dos seus olhos. "Ela ficou louca e
tentou despir Tyler."
Bonnie franziu os lbios. "Bem, ela teria que estar louca para querer, no ?" E ela lanou
um sorriso tolo sobre os ombros diretamente para Caroline.
Os joelhos de Elena estavam moles e suas mos estavam tremendo. Ela sentiu um brao
envolv-la, e ela apoiou-se contra Stefan gratamente. Ento ela olhou para cima para ele.
"Epilepsia?" Ela disse com descrente desdm.
Ele estava olhando fixo para o lado sul atrs de Vickie. Alaric Saltzman, ainda gritando
instrues, estava aparentemente indo com ela. O grupo virou no corredor seguinte.
"Eu acho que a turma acabou de ser dispensada," Stefan disse. "Vamos".
Eles andaram para a penso em silncio, cada um perdido em pensamentos. Elena franziu a
testa, e muitas vezes lanou olhares para Stefan, mas no foi at que eles estavam sozinhos
no quarto dele que ela falou.
"Stefan, o que  tudo isso? O que est acontecendo com Vickie?"
" o que eu estava me perguntando. S h uma explicao na qual eu posso pensar, e  que
ela ainda est sob ataque."
"Voc quer dizer que Damon ainda est  Oh, meu Deus! Oh, Stefan, eu devia ter dado a
ela um pouco de verbena. Eu devia ter percebido..."
"No teria feito nenhuma diferena acredite em mim." Ela tinha virado para a porta como
se para ir atrs de Vickie naquele minuto, mas ele a puxou de volta gentilmente. "Algumas
pessoas so mais facilmente influenciadas que outras, Elena. Vickie nunca foi muito forte.
Pertence a ele, agora."
Lentamente, Elena sentou. "Ento ningum pode fazer nada? Mas, Stefan, ela vai ficar 
como voc e Damon?"
"Isso depende." Seu tom era desolado. "Isso no  s uma questo de quanto sangue ela
perde. Ela precisa do sangue dele nas suas veias fazer a transformao completa. De outro
modo, ela vai apenas terminar como o Sr. Tanner. Drenada, usada. Morta."
Elena tomou um longo flego. Tinha algo mais que ela queria perguntar a ele sobre isso,
algo que ela queria perguntar a ele a um longo tempo. "Stefan, quando voc conversou com
Vickie l, eu pensei que estava funcionando. Voc estava usando seus Poderes nela, no
estava?"
"Sim."
"Mas ento ela simplesmente enlouqueceu de novo. O que eu quero dizer... Stefan, voc
est bem, no est? Seus Poderes voltaram?"
Ele no respondeu. Mas isso era resposta o suficiente para ela. "Stefan, por que voc no
me contou? Qual  o problema?" Ela foi at ele e se ajoelhou para que ele tivesse que olhar
para ela.
"Est me levando um tempo para recuperar, isso  tudo. No se preocupe com isso."
"Eu estou preocupada. No h nada que ns possamos fazer?"
"No," ele disse. Mas seus olhos fecharam.
Compreenso inundou Elena. "Oh," Ela sussurrou, sentando de novo. Ento ela se estendeu
para ele de novo, tentando pegar suas mos. "Stefan, me escuta "
"Elena, no. Voc no v?  perigoso, perigoso para ns dois, mas especialmente para
voc. Isso podia lhe matar, ou pior."
"S se voc perder o controle," ela disse. "E voc no vai. Me beija."
"No," disse Stefan novamente. Ele adicionou, menos rudemente, "Eu vou sair para caar
essa noite assim que escurecer."
" a mesma coisa?" Ela disse. Ela sabia que no era. Era sangue humano que dava Poderes.
"Oh, Stefan, por favor; voc no v que eu quero? Voc no quer?"
"No  justo," Ele disse, seus olhos torturados. "Voc sabe que no , Elena. Voc sabe o
quanto " Ele se virou para longe dela novamente, suas mos cerradas em punhos.
"Mas por que no? Stefan, eu preciso..." Ela no podia terminar. Ela no podia explicar
para ele o que ela precisava; era uma necessidade de conexo com ele, de proximidade. Ela
precisava lembrar o que era estar com ele, limpar sua memria dana com Damon em seu
sonho e dos braos de Damon apertados em volta dela. "Eu preciso de ns dois juntos
novamente," Ela sussurrou.
Stefan ainda estava longe, e ele sacudiu a cabea.
 "Tudo bem," Elena sussurrou, mas ela sentiu uma onda de tristeza e medo como derrota
penetrar nos seus ossos. O maior medo era por Stefan, que estava vulnervel sem seus
Poderes, vulnervel o suficiente que podia ser ferido pelos ordinrios cidados de Fell's
Church. Mas parte do medo era por ela mesma.
Captulo Doze

Uma voz falou enquanto Elena pegava uma lata da prateleira da loja.
"Molho de oxicoco, j?"
Elena olhou para cima. "Oi, Matt. Sim, tia Judith gosta de fazer uma prvia no domingo
antes do Dia de Ao de Graas, lembra?
Se ela pratica, tem menos chance de fazer algo horrvel."
"Como esquecer de comprar o molho de oxicoco at que sejam quinze minutos antes do
jantar?"
"At que sejam cinco minutos antes do jantar," disse Elena, consultando seu relgio, e Matt
riu.
Era um som gostoso, e um que Elena no ouvia h muito. Ela moveu-se em direo ao
caixa, mas depois de ter pago por sua compra ela hesitou, olhando para trs.
Matt estava parado ao lado da prateleira das revistas, aparentemente absorto, mas havia algo
na inclinao de seus ombros que a fez querer ir at ele.
Ela deu um cutuco na revista. "O que voc vai fazer no jantar?" ela disse.
Quando ele olhou incertamente em direo a frente da loja, ela acrescentou, "Bonnie est
esperando no carro; ela estar l." Fora isso  s a famlia. E Robert,  claro; ele deve estar
l a essa hora." Ela quis dizer que Stefan no estava indo. Ela ainda no estava certa de
como as coisas estavam entre Matt e Stefan esses dias. Pelo menos eles falavam um com o
outro.
"Estou evitando perguntas diretas hoje a noite; mame no est se sentindo muito bem," ele
disse. Mas ento, como se para mudar de assunto, ele continuou, "Onde est Meredith?"
"Com a famlia dela, visitando alguns parentes ou algo assim." Elena foi vaga porque a
prpria Meredith fora vaga; ela raramente falava sobre sua famlia. "Ento o que acha?
Quer se arriscar com a comida da tia Judith?"
"Pelos bons e velhos tempos?"
"Pelos bons e velhos amigos," disse Elena aps um momento de hesitao, e sorriu para
ele.
Ele pestanejou e desviou o olhar. "Como eu posso recusar um convite desses?" ele disse em
uma voz estranhamente atenuada. Mas quando ele colocou a revista de volta e a seguiu para
fora ele estava sorrindo, tambm.
Bonnie o cumprimentou alegremente, e quando chegaram em casa tia Judith pareceu
satisfeita por v-lo entrar na cozinha.
"O jantar est quase pronto," ela disse, tomando a sacola de compras de Elena. "Robert
chegou h alguns minutos. Por que vocs no vo direto para a sala de jantar? Ah, e pegue
outra cadeira, Elena. Com Matt so sete."
"Seis, tia Judith," disse Elena, divertida. "Voc e Robert, eu e Margaret, Matt e Bonnie."
"Sim, querida, mas Robert trouxe um convidado, tambm. Eles j esto sentados."
Elena registrou as palavras enquanto entrava na sala de jantar, mas houve um atraso
instantneo antes de sua mente reagir a elas. Mesmo assim, ela sabia; passando por aquela
porta, de algum jeito ela sabia o que estava esperando por ela.
Robert estava l, ocupando-se com uma garrafa de vinho branco e parecendo jovial.
E sentado na mesa, no lado mais distante do enfeite de outono e das altas velas acesas,
estava Damon.
Elena percebeu que ela parara de se mover quando Bonnie deu um encontro com ela por
trs. Da ela forou suas pernas a se moverem. Sua mente no estava to obediente; ela
permaneceu congelada.
"Ah, Elena," Robert disse, estendendo uma mo. "Essa  Elena, a garota de quem eu estava
te falando," ele disse para Damon. "Elena, esse  Damon... h..."
"Smith," disse Damon.
"Ah, sim. Ele  da minha alma mater*, William and Mary, e eu simplesmente esbarrei nele
do lado de fora da farmcia.
* universidade ou faculdade onde uma pessoa estudou
J que ele estava procurando algum lugar para comer, eu o convidei para c para uma
refeio caseira. Damon, esses so alguns amigos da Elena, Matt e Bonnie."
"Oi," disse Matt. Bonnie simplesmente encarou-o; ento, ela moveu olhos enormes para
Elena.
Elena estava tentando se segurar. Ela no sabia se berrava, marchava para fora da sala, ou
jogava o copo de vinho que Robert estava servindo na cara de Damon. Ela ficou nervosa
demais, no momento, para ficar assustada.
Matt foi trazer uma cadeira da sala de estar. Elena ficou curiosa com a aceitao casual dele
com Damon, e ento percebeu que ele no estivera na festa de Alaric. Ele no sabia o que
tinha acontecido entre Stefan e o "visitante da faculdade."
Bonnie, contudo, parecia pronta para entrar em pnico. Ela estava olhando para Elena
suplicantemente.
Damon tinha ficado de p e estava afastando uma cadeira para ela.
Antes que Elena pudesse bolar uma resposta, ela escutou a vozinha aguda de Margaret na
entrada.
"Matt, voc quer ver a minha gatinha? Tia Judith disse que eu posso ficar com ela. Eu vou
cham-la de Bola de Neve."
Elena se virou, excitada com uma ideia.
"Ela  bonitinha," Matt estava dizendo gentilmente, inclinando-se sobre o pequeno
amontoado de pelo branco nos braos de Margaret. Ele ficou assustado quando Elena
agarrou sem cerimnia a gatinha debaixo de seu nariz.
"Aqui, Margaret, vamos mostrar a sua gatinha pro amigo do Robert," ela disse, e enfiou o
pacote fofinho na cara de Damon, fazendo tudo exceto jog-la nele.
O pandemnio se seguiu. Bola de Neve inchou duas vezes o seu tamanho normal quando
seu pelo eriou. Ela fez um barulho como gua derrubada em uma frigideira em brasas e
ento ela rosnou, cuspiu e arranhou Elena, golpeou Damon, e ricocheteou nas paredes antes
de escapar da sala.
Por um instante, Elena teve a satisfao de ver os olhos negros noturnos de Damon
ligeiramente mais arregalados que o normal.
Ento as plpebras se abaixaram, cobrindo-as novamente, e Elena virou-se para encarar a
reao dos outros ocupantes da sala.
Margaret estava justamente abrndo sua boca para um gemido de mquina a vapor. Robert
estava tentando evitar isso, empurrando-a para fora para achar a gata. Bonnie estava com
suas costas pressionadas contra a parede, parecendo desesperada. Matt e tia Judith, que
estavam espiando da cozinha, pareciam simplesmente chocados.
"Acho que voc no leva jeito com animais," ela disse para Damon, e tomou seu lugar na
mesa.
Ela acenou para Bonnie, que relutantemente se descascou da parede e correu para seu
prprio assento antes que Damon pudesse tocar a cadeira. Os olhos castanhos de Bonnie
deslizaram seguindo-o enquanto ele se sentava.
Aps alguns minutos, Robert reapareceu com uma Margaret manchada de lgrimas e
franziu a testa severamente para Elena. Matt empurrou sua prpria cadeira em silncio
apesar de suas sobrancelhas estarem no cabelo.
Enquanto tia Judith chegava e a refeio comeava, Elena olhou para cima e para baixo na
mesa.
Uma neblina brilhante pareceu deitar-se sobre tudo, e ela teve uma sensao de irrealidade,
mas a prpria cena quase parecia inacreditavelmente benfica, como algo sado de um
comercial. Simplesmente sua famlia comum sentada para comer peru, ela pensou. Uma tia
solteirona ligeiramente confusa, preocupada que as ervilhas ficassem moles e os pezinhos
queimassem, um confortvel futuro tio, uma sobrinha adolescente de cabelo dourado e sua
irmzinha de cabelos clarssimos. Um garoto comum de olhos azuis, uma amiga com
vivacidade, um lindo vampiro passando as batatas-doce. Uma tpica famlia americana.
Bonnie passou a primeira metade da refeio telegrafando mensagens do tipo "O que eu
fao?" para Elena com seus olhos. Mas quando tudo que Elena telegrafava de volta era
"Nada," ela aparentemente decidiu abandonar-se ao seu destino. Ela comeou a comer.
Elena no tinha idia do que fazer. Ficar presa desse jeito era um insulto, uma humilhao,
e Damon sabia disso. Ele tinha encantado tia Judith e Robert, contudo, com elogios sobre a
refeio e uma conversa leve sobre William and Mary. At mesmo Margaret estava
sorrindo para ele agora, e logo Bonnie entraria nessa.
"Fell's Church estar tendo a celebrao do Dia do Fundador semana que vem," tia Judith
informou Damon, suas magras bochechas levemente rosas.
"Seria to bom se voc pudesse voltar para isso."
"Eu gostaria," disse Damon afavelmente.
Tia Judith pareceu satisfeita. "E esse ano Elena far uma grande participao nele. Ela foi
escolhida para representar o Esprito de Fell's Church."
"Voc deve estar orgulhosa dela," disse Damon.
"Ah, estamos," tia Judith disse. "Ento voc tentar vir?"
Elena interrompeu, passando manteiga em um pazinho furiosamente. "Eu escutei
novidades sobre Vickie," ela disse. "Voc se lembra, a garota que foi atacada." Ela olhou
apontando para Damon.
Houve um curto silncio. Ento Damon disse, "Receio que no a conheo."
"Ah, tenho certeza que conhece. Mais ou menos a minha altura, olhos castanhos, cabelo
castanho claro... de qualquer jeito, ela est piorando."
"Ah, cus," disse tia Judith.
"Sim, aparentemente os mdicos no conseguem entender. Ela simplesmente fica pior e
pior, como se o ataque ainda estivesse acontecendo." Elena manteve seus olhos no rosto de
Damon enquanto falava, mas ele mostrou apenas um interesse corts. "Coma mais recheio,"
ela terminou, empurrando uma tigela para ele.
"No, obrigado. Eu quero mais disso, contudo." Ele levantou uma colher cheia de molho de
oxicoco gelatinoso at uma das velas para que a luz brilhasse por ela. " uma cor to
tentadora."
Bonnie, como o resto das pessoas a mesa, olhou para a vela quando ele fez isso.
Mas Elena notou que ela no olhou para baixo novamente. Ela continuou olhando para as
chamas danantes, e lentamente qualquer expresso desapareceu de seu rosto.
Ah, no, pensou Elena, um latejar de preocupao arrepiando seus membros. Ela tinha visto
aquele olhar antes. Ela tentou conseguir a ateno de Bonnie, mas a outra garota parecia
no ver nada alm da vela.
"... e ento as crianas do ensino bsico fazem uma cerimnia sobre a histria da cidade,"
tia Judith estava dizendo para Damon. "Mas a cerimnia de encerramento  feita por
estudantes mais velhos. Elena, quantos veteranos vo fazer a leitura esse ano?"
"S trs." Elena teve que se virar para se dirigir a sua tia, e foi enquanto ela estava olhando
para o rosto sorridente da tia Judith que ela ouviu a voz.
"Morte."
Tia Judith arfou. Robert parou com seu garfo a meia caminho de sua boca. Elena desejou,
selvagem e absolutamente sem esperana, por Meredith.
"Morte," disse a voz novamente. "A morte est nessa casa."
Elena olhou ao redor da mesa e viu que no havia ningum para ajud-la. Todos estavam
encarando Bonnie, imveis como as pessoas em uma fotografia.
A prpria Bonnie estava encarando a chama da vela. Seu rosto estava vazio, seus olhos
arregalados, como eles tinham sido antes quando essa voz falava por ela. Agora, esses olhos
incapazes de ver se viraram na direo de Elena. "A sua morta," a voz disse. "Sua morte
est esperando, Elena. ɭ"
Bonnie pareceu engasgar. Depois ela inclinou-se para frente e quase pousou em seu prato.
Houve uma paralisia instantnea, e ento todos se moveram. Robert levantou-se e puxou
Bonnie pelos ombros, levantando-a. A pele de Bonnie tinha ficado branca-azulada, seus
olhos estavam fechados. Tia Judith agitou-se ao redor dela, dando tapinhas em seu rosto
com um guardanapo mido. Damon observou com olhos pensativos e estreitos.
"Ela est bem," Robert disse, olhando para cima com alvio bvio. "Eu acho que ela
simplesmente desmaiou. Deve ter sido algum tipo de ataque histrico." Mas Elena no
respirou novamente at Bonnie abrir olhos grogues e perguntar o que todos estavam
encarando.
Colocou um fim efetivo no jantar. Robert insistiu que Bonnie fosse levada de volta para
casa direto, e na atividade que se seguiu Elena encontrou tempo para sussurrar palavras para
Damon.
"Caia fora!"
Ele ergueu suas sobrancelhas. "O qu?"
"Eu disse, caia fora! Agora! V. Ou eu contarei a eles que voc  o assassino."
Ele pareceu acusativo. "Voc no acha que um convidado merece um pouco mais de
considerao?" ele disse, mas com a expresso dela ele deu de ombros e sorriu.
"Obrigado por me convidar para jantar," ele disse em voz alta para tia Judith, que estava
andando por ele carregando um cobertor para o carro.
"Espero que posso retribuir o favor algum dia."
Para Elena ele acrescentou, "Te vejo."
Bem, isso foi esperto o bastante, Elena pensou, enquanto Robert dirigia com um Matt
lgubre e uma Bonnie sonolenta. Tia Judith estava no telefone com a Sra. McCullough.
"Eu no sei o que essas garotas tem, tampouco," ela disse. "Primeiro Vickie, agora
Bonnie... e Elena no tem sido ela mesma ultimamente..."
Enquanto tia Judith falava e Margaret procurava pela sumida Bola de Neve, Elena
marchava.
Ela iria ter que ligar para Stefan. Era tudo que se tinha a fazer. Ela no estava preocupada
com Bonnie; nas outras vezes que isso tinha acontecido no pareceu ter feito um dano
permanente. E Damon tinha coisas melhores a fazer do que assediar os amigos de Elena
hoje a noite.
Ele estava vindo aqui, para coletar o "favor" que ele tinha feito a ela. Ela sabia sem dvida
que era esse o significado de suas palavras finais. E isso significava que ela teria que contar
a Stefan tudo, porque ela precisava dele hoje a noite, precisava de sua proteo.
S que, o que Stefan podia fazer? Apesar de todos seus pedidos e discusses da semana
passada, ele tinha se recusado a tomar o sangue dela. Ele insistia que seus Poderes
voltariam sem ele, mas Elena sabia que ele ainda estava vulnervel agora. Mesmo se Stefan
estivesse aqui, ele conseguiria parar Damon? Conseguiria ele fazer isso sem ele mesmo ser
morto?
A casa de Bonnie no era um refgio. E Meredith tinha ido embora. No havia ningum
para ajud-la, ningum em quem pudesse confiar. Mas o pensamento de esperar aqui
sozinha hoje a noite, sabendo que Damon estava vindo, era insuportvel.
Ela ouviu tia Judith desligar o telefone. Automaticamente, ela se moveu na direo da
cozinha, o nmero de Stefan correndo em sua mente. Ento ela parou, e lentamente virou-se
para olhar para a sala de estar que ela tinha acabado de deixar.
Ela olhou para do cho para as janelas do teto e para a lareira elaborada com suas lindas
curvas moldadas. Essa sala era parte da casa original, aquela que fora quase queimada
completamente na Guerra da Secesso. Seu prprio quarto era bem acima.
Uma luz notvel estava comeando a surgir. Elena olhou para a moldura ao redor do teto,
onde ela se juntava a sala de jantar mais moderna. Ento ela quase correu em direo a
escada, seu corao batendo rpido.
"Tia Judith?" Sua tia parou na escada. "Tia Judith, me diga uma coisa.
Damon entrou na sala de estar?"
"O qu!" Tia Judith pestanejou para ela com distrao.
"Robert levou Damon na sala de estar? Por favor pense, tia Judith! Eu preciso saber."
"Ora, no, eu acho que no. No, ele no levou. Eles entraram e foram diretamente para a
sala de jantar. Elena, o que diabos?..." Essa ltima foi quando Elena jogou seus braos
impulsivamente ao redor dela e a abraou.
"Desculpa, tia Judith. Eu simplesmente estou feliz," disse Elena. Sorrindo, ela se virou para
descer as escadas.
"Bem, eu estou feliz que algum est feliz, depois de como o jantar saiu. Apesar de que
aquele garoto bacana, Damon, pareceu ter se divertido. Sabe, Elena, ele pareceu bem
impressionado com voc, apesar do jeito como voc estava agindo."
Elena virou-se. "Ento?"
"Bem, eu s achei que voc poderia dar-lhe uma chance, s isso. Eu achei que ele era bem
agradvel. O tipo de jovem que eu gostaria de ver por aqui."
Elena revirou os olhos por um momento, ento engoliu para impedir a risada histrica de
escapar.
Sua tia estava sugerindo que ela ficasse com Damon ao invs de Stefan... porque Damon
era mais seguro. O tipo de jovem bacana que minha tia gostaria. "Tia Judith," ela comeou,
arfando, mas ento ela percebeu que era intil. Ela balanou sua cabea mudamente,
jogando suas mos para cima em defesa, e observou sua tia subir as escadas.
Geralmente Elena dormia com sua porta fechada. Mas hoje a noite ela a deixou aberta e
deitou na cama olhando para o corredor escuro. De vez em quando ela olhava para os
nmeros luminosos do relgio na cabeceira ao lado dela.
No havia perigo dela cair no sono. Enquanto os minutos engatinhavam, ela quase comeou
a desejar que conseguisse. O tempo movia-se com uma lentido agonizante. Onze horas...
onze e meia... meia noite. Uma da manh. Uma e meia. Duas.
As 2:10 ela ouviu um som.
Ela escutou, ainda deitada em sua casa, o fraco sussurro de barulho escada abaixo. Ela sabia
que ele iria encontrar um jeito de entrar se quisesse. Se Damon estivesse determinado,
nenhuma tranca o manteria de fora.
Msica do sonho que ela tivera naquela noite na casa da Bonnie tocou em sua mente, um
punhado de notas plangentes e ressonantes. Acordou sentimentos estranhos nela. Ela
prpria quase em um atordoamente ou sonho, ela levantou-se e foi para o solado da porta.
O corredor estava escuro, mas seus olhos tiveram um longo tempo para se ajustarem. Ela
conseguia ver a silhueta escura subindo a escada. Quando alcanou o topo ela viu o reflexo
rpido e mortal de seu sorriso.
Ela esperou, sem sorrir, at que ele a alcanasse e ficasse de frente para ela, com somente
um metro de cho de madeira entre eles. A casa estava completamente silenciosa. Do outro
lado do corredor Margaret dormia; no final da passagem, tia Judith deitava-se coberta por
sonhos, alheia ao que estava acontecendo fora de sua porta.
Damon no disse nada, mas ele olhou para ela, seus olhos tomando a grande camisola
branca com uma gola alta e de lao.
Elena tinha escolhido-a porque era a mais modesta que ela possuia, mas Damon obviamente
achou-a atraente. Ela se forou a permanecer quieta, mas sua boca estava seca e seu corao
estava golpeando vagarosamente.
Agora era hora. Em mais um minuto ela saberia.
Ela recuou, sem uma palavra ou gesto de convite, deixando a entrada vazia.
Ela viu a chama rpida nos olhos abismveis dele, e observou ele vir avidamente na direo
dela.
E observou ele parar.
Ele ficou simplesmente fora do quarto dela, claramente desconcertado. Ele tentou
novamente dar um passo para frente mas ele no conseguiu. Algo parecia estar impedindo-o
de se mover mais. Em seu rosto, surpresa cedeu lugar para perplexidade e ento raiva.
Ele olhou para cima, seus olhos varrendo a padieira, escaneando o teto dos dois lados do
solado da porta. Ento, quando a percepo total o acertou, seus lbios se separaram de seus
dentes em um rosnado animal.
Salva dos dois lados da entrada, Elena riu suavemente. Tinha funcionado.
"Meu quarto e a sala de estar abaixo so tudo o que sobrou da casa antiga," ela disse para
ele. "E,  claro era uma residncia diferena. Uma a qual voc no est convidado, e nunca
ser."
Seu peito estava pesando com raiva, suas narinas dilatadas, seus olhos selvagens. Ondas de
raiva negra emanavam dele. Ele olhou como se fosse rasgar as paredes com suas mos, que
estavam torcendo e apertando com fria.
Triunfo e alvio fizeram Elena ficar volvel. " melhor voc ir agora," ela disse. "No tem
nada aqui para voc."
Por mais um minuto aqueles olhos ameaadores queimaram os dela, e ento Damon
virou-se. Mas ele no foi para a escada. Ao invs, ele deu um passo para o outro lado do
corredor e colocou sua mo na porta do quarto de Margaret.
Elena foi para frente antes de saber o que estava fazendo. Ela parou na entrada, segurando a
armao ornamentada, sua prpria respirao saindo dificilmente.
A cabea dele girou rapidamente e ele sorriu para ela, um sorriso lento e cruel. Ele girou a
maaneta ligeiramente sem olhar para ela. Seus olhos, como piscinas de bano lquido,
permaneceram em Elena.
"Sua escolha," ele disse.
Elena ficou muito quieta, sentindo como se todo o inverno estivesse dentro dela. Margaret
era apenas um beb. Ele no podia estar falando srio; ningum podia ser to monstro para
machucar uma criana de quatro anos.
Mas no havia pista de suavidez ou compaixo no rosto de Damon. Ele era um caador,
assassino, e os fracos eram sua caa. Ela lembrou-se do rosnado animal apavorante que
havia transfigurado seus lindos traos, e ela sabia que ela nunca poderia deixar Margaret
com ele.
Tudo parecia estar acontecendo em cmera lenta. Ela viu a mo de Damon na maaneta; ela
viu aqueles olhos sem misericrdia. Ela estava andando pela entrada, deixando para trs o
nico lugar seguro que ela conhecia.
A morte estava na casa, Bonnie tinha dito. E agora Elena tinha ido encontrar a Morte de
livre e espontnea vontade. Ela curvou sua cabea para esconder lgrimas impotentes que
vieram aos seus olhos. Estava acabado. Damon tinha vencido.
Ela no olhou para cima para ver ele avanar nela. Mas ela sentiu o ar rodopiar ao redor
dela, fazendo-a tremer. E ento ela foi envolvida em uma escurido suave e sem fim, que
enrolou ao seu redor como as asas de um grande pssaro.
Captulo Treze

Elena se remexeu e abriu as pesadas plpebras. Via luz ao redor das bordas das cortinas.
Era difcil se mexer, assim permaneceu ali deitada sobre a cama e tentou recompor o que
havia acontecido na noite anterior.
Damon. Damon havia aparecido ali e tinha ameaado Margareth. E portanto Elena foi a ele.
Ele havia ganhado.
Mas, por que no havia terminado? Elena lanou uma mo lnguida para tocar o lado do
seu pescoo, j sabendo o que iria encontrar. Sim, estava ali: duas pequenas punes ternas
e sensveis a presso.
Apesar de tudo, ela continuava viva. Havia parado antes de levar a cabo sua promessa. Por
que?
Suas recordaes das ultimas horas eram confusas e apagadas. Unicamente alguns
fragmentos pareciam claros. Os olhos de Damon sob ela, enchendo todo seu mundo. A
aguda pontada em sua garganta. E ento Damon abrindo sua camisa, o sangue de Damon
brotando de um pequeno corte em seu pescoo.
Ento lhe havia feito beber seu sangue. Se havia feito era mais correto porque ela no
lembrava de ter resistido ou sentido alguma repugnncia. Portanto, o havia desejado.
Mas no estava morta, nem se quer seriamente debilitada. No a havia transformado em
vampira. E isso era o que ela no compreendia.
Ele carecia de moral e conscincia, recordou. De modo que certamente no havia sido
misericrdia que o havia parado. "Provavelmente s quer aumentar o jogo, ti fazer sofrer
mais antes de ti matar. Ou ainda pior, quer que seja como Vickie, com um p no mundo das
sombras e outro no da luz. De forma a enlouquece-la pouco a pouco."
Uma coisa era certa: ela no se deixaria enganar pensando que era bondade sua. Damon no
era capaz de demonstrar bondade. E nem de se preocupar com ningum que no fosse ele
mesmo.
Tirando os lenis, se levantou da cama. Olhou tia Judith passando pelo corredor. Era
segunda de manh e tinha que se preparar para ir a escola.


Quarta, 27 de novembro
Querido dirio
De nada serve fingir que no estou assustada, porque estou. Amanh  o dia de Ao de
Graas e dois dias depois o Dia do Fundador. E ainda no encontrei um modo de deter
Caroline e Tyler.
No sei o que fazer. Se no posso recuperar meu dirio das mos de Caroline, ela vai l-lo
na frente de todo mundo. Ter a oportunidade perfeita,  uma dos trs alunos elegidos
para ler poesia durante a cerimnia de clausura. Elegida pelo conselho escolar, do qual o
pai de Tyler  um dos membros, podia adiciona-la. Me pergunto o que ele pensar quando
isso terminar.
Mas, o que importa? A menos que me ocorra um plano, quando tudo isso terminar, para
mim tudo j no ter importncia. E Stefan ter ido, expulso da cidade pelos bons
cidados de Fell's Church. Ou estar morto, se no recuperar alguns dos seus Poderes. E
se ele morresse, eu tambm morreria.  simples assim.
O que significa que terei que armar um modo de conseguir o dirio. Tenho que
consegui-lo.
Mas no posso.
Eu sei que ele est esperando para que eu lhe diga. H um modo de conseguir meu dirio e
o modo  Damon. Tudo que preciso  aceitar seu preo.
Mas voc no pode entender o quanto isso me assusta. No s porque Damon me assusta
mas sim porque tenho medo do que acontecer se eu e ele estivermos juntos outra vez.
Tenho medo do que acontea a mim... a mim e a Stefan.
No posso continuar falando disso.  muito perturbador. Me sinto to confusa e perdida e
s... No h a quem eu possa recorrer ou algum para falar. Ningum que possa realmente
compreender.
O que vou fazer?


Quinta, 28 de novembro, 11:30 da noite
Querido dirio
As coisas parecem mais claras hoje, talvez porque eu tenha chegado a uma deciso.  uma
deciso que me horroriza, mas  melhor do que a nica alternativa que me ocorre.
Vou contar tudo a Stefan.
 a nica coisa que posso fazer agora. O Dia do Fundador  no sbado e no me ocorre
nenhum outro plano. Mas talvez Stefan possa faze-lo, se compreender o quo desesperada
 esta situao. Vou passar o dia na pousada amanh e quando eu chegar vou contar tudo
que deveria ter-lhe contado desde o inicio.
Tudo. Sobre Damon tambm.
No sei o que dir. Continuo recordando seu rosto em meus sonhos. O modo como me
olhava, com tal amargura e repulsa. No como se me amasse. Se me olhar assim amanh...
Ah, estou assustada. Meu estmago est revirando. Apenas pude provar a cena de Ao de
Graas... e no posso ficar quieta. Sinto como se fosse me despedaar em milhares de
pedaos. Dormir esta noite? HA.
Por favor, faa que Stefan compreenda. Por favor, faa com que ele me perdoe.
O mais engraado  que eu queria me transformar em uma pessoa melhor por ele. Queria
ser digna de seu amor. E agora, quando ele descobrir como eu estava mentindo, o que
pensar de mim? Acreditar quando eu disser que s tentava protege-lo? Voltar a confiar
em mim alguma vez?
Amanh saberei. Deus, tomara que tudo termine logo. No sei como viverei at ento.
Elena escapou de casa sem dizer para tia Judith aonde ia. Estava cansada de mentiras, mas
no queria enfrentar a baguna que inevitavelmente que provocaria se dissesse que ia a casa
de Stefan. Desde que Damon tinha ido jantar, tia Judith tinha estado falando nele, lanando
sutis indiretas em todas as conversas. E Robert era quase igual a ela. Elena as vezes pensava
que ele incitava sua tia.
Pressionou com fora a campainha da pousada. Onde estava a Sra. Flowers esses dias?
Quando a porta finalmente se abriu, Stefan estava do outro lado.
Estava vestido para sair, com a gola da jaqueta levantado.
-Pensei que podamos dar um passeio  disse ele.
-No.
Elena se mostrou firme. No foi capaz de lhe mostrar um sorriso real, de modo que deixou
de tentar. Lhe disse:
-Vamos para cima, Stefan, por favor? H algo que temos que conversar.
A olhou com surpresa e algo devia est aparecendo em seu rosto, pois sua expresso se
aquietou e ficou sombria gradualmente. Aspirou profundamente e assentiu. Sem uma
palavra, virou e foi para seu quarto.
Os bas e as cmodas e estantes fazia tempo que havia sido colocadas em seus respectivos
lugares. Mas Elena sentiu como se se desse conta disso pela primeira vez. Por algum
motivo, pensou na primeira noite que havia estado ali, quando Stefan a salvou do
repugnante abrao de Tyler. Seus olhos recorreram os objetos da penteadeira: os florines de
ouro do sculo XV, a adaga de cabo de marfim, o pequeno cofre de ferro com a tampa de
dobradia. Ela havia tentado abri-lo na primeira noite e ele o havia fechado em um golpe.
Deu a volta, Stefan estava de p junto a janela, recortado contra o retngulo de cu cinza e
deprimente. Cada dia daquela semana havia sido nublado e com neblina e este no era uma
exceo. A expresso de Stefan reproduzia o tempo que fazia do lado de fora.
-Bem  disse ele com a voz pausada -, do que temos que falar.
Houve um ultimo momento para escolher e ento Elena tomou uma deciso. Esticou uma
mo at o pequeno cofre de ferro e o abriu.
No interior, um objeto de seda cor de abric com uma luz apagada. Sua fita de cabelo. Lhe
trouxe a memria o vero, os dias de vero que pareciam impossivelmente longes naquele
momento. A levantou e a ofereceu a Stefan.
-Sobre isto  disse.
Ele havia dado um passo a frente quando ela tocou o cofre, mas agora pareceu perplexo e
surpreso.
-Sobre isso?
-Sim, porque eu sabia que estava a, Stefan. Descobri h muito tempo, um dia em que voc
deixou o quarto por poucos minutos. No sei por que tinha que saber o que tinha dentro,
mas no pude evitar. Assim que encontrei a fita. E ento...  se deteve e tomou flego 
Ento escrevi sobre isso no meu dirio.
Stefan parecia cada vez mais perplexo, como se aquilo no fosse o que estava esperando.
Elena procurou desesperadamente as palavras corretas.
-Escrevi porque pensei que era uma prova de que eu era importante para voc desde
sempre, o suficiente para pega-la e guarda-la. Jamais pensei que podia ser prova de nada
mais.
Ento de improviso comeou a falar com toda a pressa. Contou como havia levado seu
dirio para a casa de Bonnie, como o haviam roubado.Falou sobre as notas que recebia,
sobre como havia compreendido que Caroline que as enviava. E logo, se afastando,
passando a fita entre os dedos nervosos uma e outra vez, falou do plano de Caroline e Tyler.
Sua voz quase sumiu no final.
-Tenho estado to assustada desde ento...  murmurou, com os olhos na fita  Assustada
de que se enoje de mim. Assustada pelo que vo fazer. Simplesmente assustada. Tentei
recuperar o dirio, Stefan, inclusive fui a casa de Caroline. Mas ela o tem muito bem
escondido. E pensei e pensei, e no me ocorre nenhum modo de impedir que ela o leia. 
Por fim, levantou os olhos para olha-lo.  Sinto muito.
-Tem motivos para sentir!  disse ele sobresaltando-a com sua veemncia.
Elena sentiu que seu rosto se empalideceu. Mas Stefan continuava falando.
-Devia sentir por ter me escondido algo assim quando eu podia ter ajudado, Elena. Por que
simplesmente no me contou?
-Porque  tudo culpa minha. E tive um sonho...  tentou descrever o aspecto dele nos
sonhos, a amargura, a acusao em seus olhos  Eu acho que morreria se realmente me
olhasse daquele jeito  concluiu com abatimento.
Mas a expresso de Stefan ao olha-la naquele momento era uma combinao de alivio e
assombro.
-Ento  isso  disse, quase em um sussurro para si mesmo.  Isso  o que tem inquietado
voc.
Elena abriu a boca mas no falou.
-Sabia que algo no ia bem, sabia que me escondia algo. Mas pensei...  sacudiu a cabea e
um sorriso tendencioso assomou em seus lbios.  No importa agora. No queria invadir
sua intimidade. Nem sequer queria perguntar. E todo esse tempo estava preocupada em me
proteger.
A lngua de Elena estava pregada no cu da boca. As palavras tambm pareciam atoladas.
"H mais", pensou, mas no podia dizer, no quando os olhos de Stefan tinham aquela
olhada, no quando todo seu rosto estava iluminado.
-Quando disse que tnhamos que falar hoje, pensei que havia mudado de idia sobre mim 
disse com simplicidade, sem auto compaixo.  E no a teria culpado. Mas, na verdade... 
voltou a sacudir a cabea  Elena  disse, e ento ela estava em seus braos.
Era to prazeroso estar ali, to como devia ser... Nem se quer se deu conta de quo mal que
haviam estado as coisas entre eles at aquele momento, em que tudo que estava mal havia
desaparecido. Isso era o que ela recordava, o que havia sentido na primeira noite gloriosa
quando Stefan a havia abraado. Toda a doura e ternura do mundo surgindo entre eles.
Estava em casa, no lugar em que pertencia. No lugar em que sempre pertenceu.
Todo o resto estava esquecido.
Como havia acontecido no principio, Elena sentiu como se quase pudesse ler os
pensamentos de Stefan. Estavam conectados, era um parte do outro. Seus coraes batiam
no mesmo ritmo.
S precisava de uma coisa para ser completo. Elena sabia, e colocou os cabelos para trs,
esticando as mos para trs para afasta-los do pescoo. E dessa vez Stefan no protestou e
nem impediu. No lugar da rejeio irradiava uma profunda aceitao... e uma intensa
necessidade.
Sentimentos de amor e deleite, de reconhecimento, a invadiram e com um jubilo incrdulo
notou que os sentimentos provinham dele. Por um momento se viu atravs de seus olhos e
percebeu o quanto ela importava a ele. Podia ter sido aterrador ela no ter sentido um
sentimento igual e profundo se desenvolvendo nele.
No sentiu dor quando os dentes perfuraram seu pescoo. E nem sequer lhe ocorreu que o
havia oferecido sem pensar o lado sem marcas... apesar de que as feridas que Damon havia
deixado j haviam curado.
Se apertou contra ele quando tentou alar a cabea. Mas Stefan se mostrou inflexvel e
finalmente ela teve que deixa-lo ir. Ainda a abraando, ele tateou em cima da penteadeira
em busca da afinada adaga de cabo de marfim e com um rpido movimento deixou fluir seu
prprio sangue.
Quando os joelhos de Elena comearam a dobrar, ele a sentou na cama. E ento se
limitaram a permanecer abraados, sem ter conscincia da hora ou de qualquer outra coisa.
Elena sentia que s Stefan e ela importavam.
-Eu amo voc  disse ele em voz baixa.
No inicio, Elena, em sua agradvel nebulosa, simplesmente aceitou as palavras. Logo, com
um calafrio de doura, reparou em que ele havia dito.
A amava. Sabia disso desde sempre, mas ele jamais havia dito antes.
-Eu amo voc, Stefan  murmurou de volta.
Se surpreendeu quando ele se removeu e se afastou ligeiramente, at que viu o que fazia.
Introduzindo a mo no interior do suter, Stefan tirou o cordo que levava no pescoo desde
que ela o conhecia. No cordo havia um anel de ouro, lindamente forjado e com um
lpis-lzuli pendurado.
O anel de Katherine. Enquanto Elena observava, ele puxou o cordo e o abriu, retirando o
delicado aro de ouro.
-Quando Katherine morreu  disse -, pensei que jamais pudesse amar mais algum. Ainda
sabendo que ela queria que eu amasse, estava certo que isso jamais aconteceria. Mas me
equivoquei.
Vacilou um momento e logo seguiu:
-Conservei o anel porque era um smbolo dela. Para poder t-la sempre em meu corao.
Mas agora eu quero que seja um smbolo de algo mais.  De novo vacilou, parecendo quase
temeroso de encontrar os olhos de Elena.  Considerando o modo em que esto as coisas,
no tenho nenhum direito de lhe pedir isso. Mas, Elena...
Lutou durante uns poucos minutos e logo se deu por vencido, seus olhos travando-se com
os dela silenciosamente.
Elena foi incapaz de falar. No podia respirar. Mas Stefan mal interpretou o silncio. A
esperana em seus olhos morreu e abaixou a cabea.
-Tem razo  disse.   impossvel. Simplesmente, existem muitas dificuldades... devido a
mim. Pelo que sou. Ningum como voc deveria estar atada a algum como eu. Nem sequer
deveria ter sugerido...
-Stefan!  disse Elena.  Stefan, quer se calar por um momento...
-...esquea o que eu disse...
-Stefan!  disse ela.  Stefan, olhe para mim.
Lentamente, ele obedeceu, levantando a cabea. A olhou nos olhos e a amarga auto-censura
se desvaneceu em seu rosto para ser envolvia em uma expresso que a fez ficar sem alento.
Ento, ainda muito devagar, pegou a mo que ela o tendia. Pausadamente, enquanto ambos
observavam, deslizou o anel em seu dedo.
Encaixou como se tivesse sido feito para ela. O ouro cintilou suntuosamente na luz e o
lpis-lzuli brilhou com um azul vibrante como um lago transparente rodeado de neve
virgem.
-Teremos que guardar segredo por um tempo  disse ela escutando o tremor da sua voz. 
Tia Judith ter um ataque se souber que me comprometi antes de me graduar. Mas
completarei dezoito anos no prximo vero e ento no poder nos deter.
-Elena, est certa de que  isso que voc quer? No ser fcil viver comigo. Sempre serei
diferente de voc no importa o quanto eu tente. Se quiser mudar de idia...
-Enquanto me ame, jamais mudarei de idia.
Voltou a toma-la em seus braos e a paz e a satisfao a envolveram. Mas ainda existia um
temor que corroia os limites de sua conscincia.
-Stefan, sobre amanh..., se Caroline e Tyler levarem a cabo seus planos, no importar.
-Ento simplesmente teremos que nos assegurar de que no possam faze-lo. Se Bonnie e
Meredith quiserem me ajudar, eu acho que posso armar um modo de obter o dirio de
Coraline. Mas mesmo que no possa, no vou fugir. No vou deixa-la, Elena, vou ficar e
lutar.
-Mas machucaro voc. Stefan, No posso suportar isso.
-E eu no posso deixar voc. Est decidido. Deixe que eu me preocupo com o resto,
encontrarei um modo. E se no fizer..., bom, acontea o que acontecer, ficarei do seu lado.
Estaremos juntos.
-Estaremos juntos  repetiu Elena e apoiou a cabea em seu ombro, feliz de deixar de
pensar por um momento e simplesmente ser.


Sexta, 29 de novembro
Querido dirio
 tarde, mas no conseguia dormir. No pareo precisar de dormir tanto como
acostumava.
Bom, amanh  o dia.
Falamos com Bonnie e Meredith esta noite. O plano de Stefan  o mais simples. A questo
 que no importa onde Caroline tenha escondido o dirio, tem que tira-lo amanh para
leva-lo com ela: nossas leituras so as ultimas coisas da agenda e ela tem que estar no
desfile e resto dos atos que acontecem antes, portanto ter que esconder o dirio em
alguma parte durante esse tempo. De modo que se vigiarmos desde o momento em que saia
de casa at que suba no cenrio, temos que ver aonde ela o pe. E posto que nem sequer
sabe que suspeitamos, no estar de guarda.
Ento  quando pegaremos.
O motivo pelo qual o plano funcionar  que todo mundo no programa ir vestido de
poca. A Sra. Grimesby,a bibliotecria, nos ajudar a colocar as roupas do sculo XIX
antes do desfile, e no podemos levar nada que no seja parte do traje. Nem bolsas, nem
mochilas. Nem dirios! Caroline ter que deixa-lo em alguma parte em algum momento.
Vamos nos revezar para vigia-la. Bonnie a esperar fora de sua casa e ver o que Caroline
leva quando sair. Eu a vigiarei quando for se vestir na casa da Sra. Grimesby. Ento
enquanto est no desfile, Stefan e Meredith na casa ou no carro dos Forbes, se for l onde
est... faro sua parte.
No vejo como posso falhar. E no posso dizer o quo melhor me sinto.  to agradvel
poder compartilhar esse problema com Stefan... Aprendi minha lio: nunca mais voltarei
a esconder coisas dele.
Usarei meu anel amanh. Se a Sra. Grimesby perguntar sobre ele, lhe direi que  mais
antigo que o sculo XIX, que  do Renascimento italiano. Gostarei de ver sua cara quando
eu lhe disser isso.
Ser melhor que eu tente dormir um pouco. Espero que no sonhe.




Captulo Quatorze

Bonnie tremeu enquanto aguardava na frente da alta casa vitoriana. O ar estava gelado essa
manh e ainda que fosse quase oito da manh, o sol ainda no sara. O cu era uma espessa
massa de nuvens cinzas e brancas que criavam uma penumbra fantasmal abaixo delas.
Havia comeado a dar pisadas no cho e a friccionar as mos quando a porta dos Forbes se
abriu. Bonnie retrocedeu um pouco para atrs dos arbustos que constituam seu esconderijo
e observou como a famlia ia at o carro. O Sr. Forbes no levava mais do que uma cmera,
a Sra. Forbes tinha uma bolsa e uma cadeira montvel, Daniel Forbes, o irmo pequeno de
Caroline carregava outra cadeira. E Caroline...
Bonnie se inclinou para frente, sua respirao acelerando em satisfao. Caroline estava
vestida com um jeans e um suter pesado e levava uma espcie de bolsa branca fechado
com um cordo. No era muito grande, mas era o bastante para conter um pequeno dirio.
Reconfortada com o triunfo, Bonnie aguardou atrs do matagal at que o carro se afastasse.
Logo depois foi at a esquina da rua Thrush com Hawthorne Drive.


-Ali est, tia Judith. Na esquina.
O carro diminuiu at parar e Bonnie deslizou no assento junto a Elena.
-Ela leva uma bolsa branca fechada com um cordo  murmurou no ouvido de Elena
enquanto tia Judith voltava a arrancar.
Um formigamento de entusiasmo percorreu Elena, que apertou a mo da amiga.
-Estupendo  suspirou.  Agora vemos se ela o leva para a casa da Sra. Grimesby. Se no,
dizemos a Meredith que est no carro.
Bonnie assentiu e apertou a mo de Elena.
Chegaram a casa da Sra. Grimesby a tempo de ver Caroline entrar com a bolsa branca
pendurada no brao. Bonnie e Elena se olharam. Agora era Elena que tinha que ver onde
Caroline a deixava no interior da casa.
-Ficarei aqui tambm, Srta. Gilbert  disse Bonnie enquanto Elena saltava do carro.
Ela aguardaria no exterior com Meredith at que Elena pudesse dizer onde estava a bolsa. O
importante era no deixar que Caroline suspeitasse de nada diferente.
A Sra. Grimesby que foi quem abriu a porta para Elena, era a bibliotecria de Fell's Church
e sua casa quase parecia uma biblioteca. Havia livros por todas as partes e livros
amontoados no cho. Tambm era a guardi dos artefatos histricos de Fell's Church,
incluindo roupas que estavam conservadas desde os primeiros tempos da cidade.
Naquele momento na casa, ressoavam vozes juvenis e os quartos estavam cheios de
estudantes em diversas fases de nudez. A Sra. Grimesby sempre supervisionava as roupas
do espetculo histrico. Elena estava a ponto de pedir que a colocassem no mesmo quarto
que Caroline, mas no foi necessrio. A Sra. Grimesby a fez entrar.
Caroline que estava com as roupas intimas da ultima moda, dedicou a Elena o que sem
duvida devia ser um olhar indiferente, mas Elena detectou o malicioso deleite oculto nela e
manteve os olhos nos montes de peas de roupas que a Sra. Grimesby estava recolhendo da
cama.
-Aqui est, Elena. Uma das nossas peas mais primorosamente conservadas... e toda ela 
autentica, inclusive as faixas. Acreditamos que este vestido pertenceu a Honoria Fell.
- bonito  disse Elena enquanto a Sra. Grimesby sacudia as pregas do fino material
branco.  De que  feito?
-Muselina de Moravia e gaze de seda. Posto que hoje faz bastante frio, pode levar esta
jaqueta de veludo por cima.
A bibliotecria indicou uma pea de roupa cor de rosa cinzento que descansava no respaldo
de uma cadeira.
Elena dirigiu uma olhada secreta a Caroline enquanto comeava a se trocar. Sim, ali estava
a bolsa, aos ps de Caroline. Considerou a idia de balanar-se sobre ele, mas a Sra.
Grimesby ainda estava no quarto.
O vestido de musselina era muito simples e o material vaporoso estava com o cinto muito
alto, abaixo os seios com uma fita rosa plida. As mangas ligeiramente fofas terminavam
atadas em uma fita de mesma cor. A moda havia sido bastante folgada no principio do
sculo XIX e ficavam bem em uma garota do sculo XX, ao menos se essa fosse magra.
Elena sorriu quando a Sra. Grimesby as conduziu a um espelho.
-Realmente pertenceu a Honoria Fell?  perguntou pensando na imagem de mrmore
daquela dama que jazia em sua tumba da igreja em runas.
-Essa  a historia, pelo menos  disse a Sra. Grimesby.  Menciona um vestido assim em
seu dirio, de modo que estamos bastante certos.
-Escrevia um dirio  sobresaltou-se Elena.
-Ah sim. O tenho na vitrine da sala de estar, o mostrarei quando sairmos. Agora, a jaqueta...
Ora, o que  isto?
Algo violeta caiu no cho quando Elena levantou a jaqueta.
A garota sentiu como sua expresso se congelava. Pegou a nota antes que a Sra. Grimesby
pudesse inclinar-se at ela e o tirou em uma olhada.
Uma linha. Recordou t-la escrito em seu dirio no dia 4 de setembro, o primeiro dia de
aula. S que aps t-la escrito a havia riscado. Aquelas palavras no estavam riscadas
agora, estavam bem traadas e claras.
"Algo horrvel ir acontecer hoje".
Elena apenas pode se conter para no ir para cima de Caroline e passar a nota em seu rosto.
Mas isso estragaria tudo. Se obrigou a permanecer tranqila enquanto amassava a pequena
tira de papel e a jogava na lixeira.
-No  mais do que lixo  disse e se virou novamente para a mulher, com os ombros muito
tensos.
Caroline no disse nada, mas Elena sentiu aqueles olhos verdes triunfarem sobre a sua
pessoa.
"Espera e ver  pensou.  Espera at que eu consiga recuperar esse dirio. O queimarei e
logo eu e voc teremos uma conversa".
A Sra. Grimesby ela disse:
-Estou pronta.
-Eu tambm  disse Caroline em um tom de voz recatado.
Elena adotou um olhar frio e indiferente enquanto contemplava o vestido da outra garota. O
traje verde plido de Caroline com largas fitas verdes e brancas no era to bonito quanto o
seu.
-Maravilhoso. Vocs, garotas, vo na frente e aguardem seus veculos. Ah, Caroline, no
esquea sua reticula (espcie de bolsa reticulada).
-No esquecerei  respondeu, sorrindo e esticou o brao para pegar a bolsa aos seus ps
fechada com um cordo.
Foi uma sorte que naquela posio na pudesse ver o rosto de Elena, porque naquele instante
sua indiferena se fez por completo. Elena ficou olhando-a atnita, enquanto Caroline
comeava a atar a bolsa em sua cintura.
Seu assombro no passou despercebido pela Sra. Griemsby.
-Isso  um reticulo, o antepassado da nossa moderna bolsa feminina  explicou com
amabilidade a mulher.  As senhoras guardavam suas luvas e leques neles. Caroline passou
por aqui e o levou no inicio da semana para reparar uns bordados que faltavam miangas...
que foi muita considerao de sua parte.
-Estou certa disso  conseguiu dizer Elena com a voz afogada.
Tinha que sair dali ou algo horrvel aconteceria naquele mesmo momento. Ia gritar ou atirar
Caroline no cho ou explodir.
-Preciso de um pouco de ar fresco  disse.
Saiu disparada do quarto e da casa, irrompendo na rua.
Bonnie e Meredith aguardavam no carro de Meredith. O corao de Elena martelava de um
modo estranho enquanto andava at ele e se inclinava sobre a janela.
-Foi mais rpida que ns  disse me voz baixa.  Essa bolsa  parte do seu traje e vai
leva-lo com ela o dia todo.
Bonnie e Meredith arregalaram os olhos primeiro para olha-la e logo para olhar uma a
outra.
-Mas... ento, o que vamos fazer?  perguntou Bonnie.
-No sei  com angustiada consternao, Elena foi plenamente consciente do fim.  No
sei!
-Ainda podemos vigia-la. Alm do mais ela tirar a bolsa quando for almoar ou algo...
Mas a voz de Meredith soou oca. Todas sabiam a verdade, se disse Elena, e a verdade era
que no havia esperana. Tinham perdido.
Bonnie deu uma olhada no retrovisor e logo se retorceu em seu assento.
- a sua carruagem.
Elena olhou. Dois cavalos brancos vinham pela rua puxando uma carruagem elegantemente
renovada. As rodas da carruagem levavam grinaldas de papel crepom entrelaadas nelas, os
assentos estavam decorados com samambaias e uma grande faixa na lateral proclamava: O
Esprito de Fell's Church.
Elena s teve tempo de uma mensagem desesperada.
-Vigie ela  disse.  E se em algum momento tiver um instante em que estiver s...
Ento teve que ir.
Mas durante aquela larga e terrvel manh no houve nunca um momento em que Caroline
estivesse s. Esteve rodeada por uma multido de espectadores.
Para Elena, o desfile foi uma total tortura. Permaneceu sentada na carruagem junto ao
prefeito e sua esposa, tentando sorrir, tentando parecer normal. Mas o angustioso temor era
como um peso esmagador em seu peito.
Em algum lugar na frente, entre as bandas, grupos uniformizados e conversveis que
desfilavam, estava Caroline. Elena havia se esquecido de averiguar em que carruagem ela
estava. A carruagem da escola, talvez; uma grande maioria das crianas pequenas estariam
nessa.
No importava. Onde for que Caroline estivesse, estava a vista de meia cidade.
O almoo que seguiu o desfile foi celebrado no refeitrio da escola secundaria e Elena se
viu presa em uma mesa com o prefeito Dawley e sua esposa. Caroline estava numa mesa
prxima. Elena podia ver a brilhante parte posterior de sua cabeleira caju. E sentado ao seu
lado, inclinado-se posessivamente sobre ela, estava Tyler Smallwood.
Elena estava em uma posio perfeita para ver o pequeno drama que teve lugar mais ou
menos a metade do almoo. Seu corao foi a boca quando viu Stefan que, com expresso
indiferente, passava junto a mesa de Caroline.
Falou com Caroline. Elena observou, esquecendo inclusive de brincar com a comida intacta
no prato. Mas o que veio fez sua alma cair em seus ps. Caroline balanou a cabea,
respondeu brevemente e logo regressou a sua comida. E Tyler se levantou pesadamente, o
rosto avermelhado quando fez um gesto enraivecido. No voltou a sentar-se at que Stefan
se afastasse.
Stefan olhou em direo a Elena ao caminhar e em um momento seus olhos se encontraram
em muda comunicao.
No havia nada que ele pudesse fazer, ento. Mesmo se seus Poderes tivessem voltado,
Tyler o manteria longe de Caroline. O esmagador peso oprimiu os pulmes de Elena de tal
modo que apenas pode respirar.
Depois disso, se limitou a permanecer sentada, presa do abatimento e do desespero at que
algum lhe deu um tapinha e lhe indicou que era hora de ir para os bastidores.
Escutou quase com indiferena o discurso de boas vindas do prefeito Dawley, que falou
sobre os "duros momentos" que Fell's Church havia enfrentado recentemente e sobre o
esprito de comunidade que os sustentou nos ltimos meses. Depois entregaram os prmios,
por erudio, proezas atlticas, servios a comunidade... Matt subiu para receber o de Atleta
Masculino Excepcional do Ano e Elena viu que ele a olhava com curiosidade.
Logo teve lugar a representao histrica. As crianas da escola elemental riram, deram
tropees e esqueceram suas falas enquanto representavam as cenas desde a fundao de
Fell's Church at a Guerra de Secesso. Elena contemplou sem assimilar nada daquilo.
Desde a noite anterior estava se sentindo ligeiramente enjoada e com tremores e naquele
momento se sentia como se estivesse gripando. Sua mente que geralmente estava repleta de
planos e clculos, estava vazia. No conseguia pensar. Quase nem se importava.
A representao terminou com uma centelha de flashes e tumultuosos aplausos. Quando o
ultimo soldado confederado abandonou o palco, o prefeito Dawley pediu silncio.
-E agora  disse -, os alunos que fizeram a cerimnia de clausura. Por favor, mostre seu
reconhecimento ao Esprito de Independncia, ao Esprito de Fidelidade, ao Esprito de
Fell's Church!
Os aplausos foram ainda mais estrondosos. Elena se colocou de p junto a John Clifford, o
inteligente aluno do ultimo ano que havia sido elegido para representar o Esprito de
Independncia. Ao lado de John estava Caroline. De um jeito distante, quase aptico, Elena
notou que Caroline parecia esplendida: a cabea inclinada para trs, os olhos chamativos, as
bochechas rosadas.
John avanou primeiro, ajustando os culos e o microfone antes de ler o grosso livro
marrom situado sobre o trio. Oficialmente, os alunos do ultimo ano eram livres para
escolher suas prprias selees. Na pratica, quase sempre liam algo das obras de M.C.
Marsh, o nico poeta que Fell's Church produziu.
Durante toda a leitura de John, Caroline tratou de olha-lo. Sorriu, sacudiu os cabelos,
suspendeu o reticulo que carregava na cintura. Seus dedos acariciaram amorosamente a
bolsa e Elena se encontrou olhando fixamente, hipnotizada, memorizando cada mianga.
John fez uma reverncia e voltou a seu posto ao lado de Elena. Caroline ergueu os ombros e
avanou como uma modelo at o trio.
Nesse momento os aplausos se misturam com assovios. Mas Caroline no sorriu; havia
adotado um ar de trgica responsabilidade. Com o delicioso sentido do momento aguardou
at que a sala ficasse em perfeito silncio para falar.
-Minha inteno era ler um poema de M.C.Marsh hoje  disse perante o atento silncio -,
mas no vou ler. Por que ler isso  levantou o volume de poesia do sculo XIX  quando h
algo muito mais... relevante... em um livro que tive a casualidade de encontrar?
 "Que deu a casualidade de roubar, quer dizer", pensou Elena. Seus olhos buscaram entre os
rostos da multido e localizou Stefan. Estava de p no fundo, com Bonnie e Meredith
postadas uma a cada lado como se o protegessem. Ento Elena reparou em algo mais. Tyler,
junto a Dick e varios outros garotos, estavam de p poucos metros mais atrs. Os garotos
eram de mais idade que os secundaristas e pareciam rudes e eram cinco.
"Viu", pensou Elena, voltando a encontrar os olhos de Stefan. Desejou que compreendesse
o que dizia. "Viu, Stefan; por favor, v embora antes de que acontea. V agora!"
De um modo muito leve, quase imperceptvel, Stefan negou com a cabea.
Os dedos de Caroline submergiram na bolsa como se no pudesse mais esperar.
-O que vou ler  sobre Fell's Church de hoje, no h cem ou duzentos anos  dizia,
consumindo-se em uma espcie de exultao febril. -  importante agora, porque trata de
algum que vive na cidade conosco. Na verdade, ele est aqui, nesse local.
Tyler devia ter escrito o discurso, decidiu Elena. O ms anterior, no ginsio, havia mostrado
um dom nico para esse tipo de coisa. "Ah Stefan, ah Stefan, estou assustada..." seus
pensamentos se transformaram em incoerncias quando Caroline afundou a mo na bolsa.
-Eu acho que iro compreender a que me refiro quando escutem  disse e com um rpido
gesto extraiu um livro coberto de veludo e o levantou teatralmente.  Acredito que
explicar muito do que tem acontecido em Fell's Church recentemente.
Respirando rpida e superficialmente passou os olhos do auditrio ao livro.
Elena quase desmaiou quando Caroline tirou o dirio. Brilhantes centelhas percorreram nas
bordas de sua viso e o enjo rugiu, pronto para arrebatar Elena, e ento ela notou algo.
Deviam ser seus olhos. As luzes do cenrio e os flashes sem duvida a haviam deslumbrado.
Ela se sentia a ponto de desmaiar; no se surpreendia em absoluto que no pudesse ver a
claridade.
O livro que Caroline tinha nas mos parecia verde e no azul.
"Devo est ficando louca... ou isto  um sonho... ou talvez um truque de luzes. Mas, olhe a
cara de Caroline!"
Caroline com a boca abrindo e fechando-se, contemplava fixamente o livro de veludo.
Parecia ter esquecido completamente o pblico. Girou o dirio uma e outra vez entre as
mos, olhando para todos os lados. Seus movimentos se tornarem frenticos. Introduziu
violentamente uma mo no reticulo como se de algum modo esperasse encontrar algo mais
nele. Ento passou uma olhada enlouquecida pelo cenrio, como se o que buscasse pudesse
ter cado no cho.
O pblico murmurava, se impacientava. O prefeito Dawley e o diretor da escola secundaria
intercambiaram olhadas de desaprovao com os lbios apertados.
No encontrando nada no cho, Caroline voltou a olhar com firmeza o pequeno livro. Mas
naquele momento o contemplava como se fosse um escorpio. Com um repentino gesto, o
abriu violentamente e o olhou por dentro, como se sua ultima esperana fosse que s a capa
tivesse mudado e que as palavras em seu interior pudessem ser de Elena.
Ento levantou devagar os olhos do livro e os dirigiu a lotada sala.
Havia voltado a fazer silncio e o momento se prolongou enquanto todos os olhos
permaneciam fixos na garota de vestido verde plido. Com um sorriso inarticulado,
Caroline girou seus calcanhares. Bateu em Elena ao passar. Seu rosto era uma mscara de
raiva e dio.
Com delicadeza, com a sensao de flutuar, Elena se inclinou para recolher aquilo com que
Caroline tentara golpe-la.
O dirio de Caroline.
Havia atividade atrs de Elena enquanto as pessoas corriam atrs de Caroline e em sua
frente tambm. A medida que o publico irrompia em comentrios, discusses e dispustas,
Elena localizou Stefan. Seu aspecto parecia como se a alegria o inundasse, mas tambm
parecia to perplexo quanto Elena. Bonnie e Meredith davam a mesma impresso. Quando
os olhos de Stefan cruzaram com os dela, Elena sentiu uma onda de gratido e alegria, mas
sua emoo predominante era a admirao.
Era um milagre. Alm de toda a esperana, eles haviam sido resgatados. Haviam sido
salvos.
E ento seus olhos distinguiram outra cabea escura na multido.
Damon estava encostado... no, recostado..., na parede norte. Seus lbios estavam curvados
em um meio sorriso e seus olhos se travavam com os de Elena descaradamente.
O prefeito Dawley estava naquele momento junto a ela, indo para frente dela, acalmando a
multido, tentando restaurar a ordem. No servia de nada. Elena leu sua seleo com a voz
distrada a um grupo de pessoas que conversavam sem prestar a menor ateno; no tinha
nem idia de que palavras pronunciava. De vez em quando olhava Damon.
Escutou um aplauso disperso e distrado quando finalizou e o prefeito anunciou o resto dos
acontecimentos para aquela tarde. E logo tudo terminou e Elena ficou livre para ir.
Flutuou fora do cenrio sem a mnima idia de onde ia, mas suas pernas a transportaram
para a parede norte. A cabea de Damon desapareceu pela porta lateral e ela o seguiu.
O ar do ptio parecia deliciosamente fresco atrs da abarrotada sala e as nuvens do cu eram
prateadas e arredondadas. Damon a esperava.
Os passos de Elena perderam velocidade, mas no pararam. Avanou at ficar somente a
trinta centmetros dele, esquadrinhando seu rosto com os olhos.
Houve um longo momento de silncio e ento ela falou.
-Por que?
-Pensava que estava mais interessada em como.  Apalpou sua jaqueta significamente. 
Fui convidado a tomar caf esta manh, depois de iniciar uma relao com eles semana
passada.
-Mas, por que?
Se deu de ombros e durante um instante algo como consternao apareceu fugazmente em
suas lindas feies desenhadas. A Elena pareceu que ele mesmo soubesse o motivo... ou
no queria admitir.
-Para meus prprios propsitos  respondeu.
-No acredito  Algo estava crescendo entre eles, algo que assustava Elena com seu poder.
 No acredito que essa seja a razo em absoluto.
Um brilho perigoso apareceu naqueles olhos escuros.
-No me pressione, Elena.
Ela se aproximou mais, tanto que quase o tocava, e o olhou.
-Eu acho  disse  que talvez precise que eu ti pressione.
Seu rosto estava s a alguns centmetros do dela e Elena jamais soube o que podia ter
acontecido se naquele momento uma voz no os interrompesse.
-No fim voc conseguiu vir! Fico to feliz!
Era tia Judith. Elena sentiu como se a transladaram a toda velocidade de um mundo para
outro. Piscou com uma sensao de vertigem, voltando a soltar o ar que no havia notado
que o prendia.
-E conseguiu ouvir Elena  prosseguiu tia Judith alegremente  Foi muito bem, Elena, mas
no sei o que aconteceu a Caroline.Todas as garotas dessa cidade esto agindo como
enfeitiadas ultimamente.
-Os nervos - sugeriu Damon, com o rosto cuidadosamente solene.
Elena sentiu o impulso de rir tontamente e logo uma onda de irritao. Tudo bem se sentir
agradecida a Damon por t-los salvo, mas se no fosse pelo Damon, no havia existido o
problema. Damon havia cometido os crimes que Caroline queria culpar Stefan.
-E onde est Stefan?  disse, dando voz a seu seguinte pensamento.
Podia ver Bonnie e Meredith ss.
O rosto de tia Judith mostrou desaprovao.
-No o vi  disse com tom sucinto e logo sorriu carinhosamente.  Mas tenho uma idia:
por que no vem jantar conosco, Damon? Ento, talvez voc e Elena possam...
-Pra!  disse Elena a Damon, que se mostrou educadamente inquisitivo.
-O que?  inquiriu tia Judith.
-Pra!  repetiu Elena a Damon.  Voc sabe o que. Pare agora!
Captulo Quinze

"Elena, voc est sendo grossa!" Tia Judith raramente ficava nervosa, mas ela estava
nervosa agora.
"Voc est velha demais para esse tipo de comportamento."
"No  grosseria! Voc no entende"
"Eu entendo perfeitamente. Voc est agindo do mesmo jeito que agiu quando Damon veio
jantar. No acha que um convidado merece um pouco mais de considerao?"
Frustrao fluiu por Elena. "Voc nem sabe sobre o que est falando," ela disse. Isso era
demais. Ouvir as palavras de Damon vindas dos lbios da tia Judith... era insuportvel.
"Elena!" Um rubor matizado estava subindo pelas bochechas da tia Judith. "Estou chocada
com voc! E eu tenho que dizer que esse comportamento infantil s comeou depois de
voc sair com aquele garoto."
"Ah, `aquele garoto'." Elena olhou para Damon.
"Sim, aquele garoto!" Tia Judith respondeu. "Desde que voc ficou louca por ele voc tem
agido como uma pessoa diferente. Irresponsvel, reservada  e desafiadora! Ele est sendo
uma m influncia desde o comeo, e eu no vou mais tolerar isso."
"Ah, srio?" Elena sentia como se estivesse falando com Damon e tia Judith ao mesmo
tempo, e ela olhou para frente e para trs entre os dois. Todas as emoes que ela estivera
sufocando nos ltimos dias  nas ltimas semanas, nos meses desde que Stefan tinha
entrado na vida dela  estavam agitando-se. Era como um grande maremoto dentro dela,
sobre o qual ela no tinha controle algum.
Ela percebeu que estava tremenedo. "Bem,  uma pena, porque voc vai ter que tolerar isso.
Eu nunca vou abrir mo do Stefan, no por ningum. Certamente no por voc!" Essa
ltima fora para Damon, mas a tia Judith arfou.
"J chega!" Robert retrucou. Ele tinha aparecido com Margaret, e seu rosto estava obscuro.
"Mocinha, se  assim que esse garoto encoraja voc a falar com a sua tia"
"Ele no  `aquele garoto'!" Elena recuou outro passo, para que pudesse encarar todos.
Ela estava fazendo um espetculo, todos no ptio estavam olhando. Mas ela no ligava. Ela
esteve mantendo uma tampa em seus sentimentos por tanto tempo, empurrando toda a
ansiedade e o medo e a raiva onde no seriam vistos. Toda a preocupao sobre Stefan,
todo o medo de Damon, toda a vergonha e humilhao que sofria na escola, ela tinha
enterrado profundamente. Mas agora estava voltando. Tudo, de uma s vez, em um
redemoinho de violncia impossvel. Seu corao estava golpeando loucamente; seus
ouvidos soando.
Ela sentia que nada importava exceto machucar as pessoas que estavam a sua frente,
mostrar tudo a elas.
"Ele no  `aquele garoto'," ela disse novamente, sua voz mortalmente gelada. "Ele 
Stefan e ele  tudo para mim. E acontece que eu estou noiva dele."
"Ah, no seja ridcula!" Robert trovejou. Foi a ltima gota.
"Isso  ridculo?" Ela ergueu sua mo, seu anel na direo deles. "Ns vamos nos casar!"
"Voc no vai se casar," Robert comeou. Todos estavam furiosos. Damon agarrou a mo
dela e encarou o anel, ento virou abruptamente e caminhou para longe, cada passo cheio de
selvageria mal dominada. Robert estava balbuciando em exasperao. Tia Judith estava
fumegando.
"Elena, eu te probo absolutamente"
"Voc no  minha me!" Elena gritou. Lgrimas estavam tentando se forar para fora dos
olhos dela. Ela precisava fugir, ficar sozinha, ficar com algum que a amasse. "Se Stefan
perguntar, eu estarei na penso!" ela acrescentou, e escapou pela multido.
Ela meio que esperava que Bonnie ou Meredith a seguisse, mas ela ficou feliz por elas no
terem-no feito.
O estacionamente estava cheio de carros mas quase vazio de pessoas. A maioria das
famlias ia ficar para as atividades da tarde. Mas um Ford sedan acabado estava estacionado
perto, e uma figura familiar estava destrancando a porta.
"Matt! Voc est indo embora?" Ela tomou sua deciso instantaneamente. Estava frio
demais para andar at a penso.
"H? No, eu tenho que ajudar o Treinador Lyman a desmontar as mesas. Eu s estou
colocando isso de lado." Ele jogou a placa de Atleta Excepcional no assento dianteiro. "Ei,
voc est bem?" Os olhos dele se arregalaram ao ver o rosto dela.
"Simno. Eu ficarei se puder sair daqui. Olha, posso pegar o seu carro? S por um
instantinho?"
"Bem... claro, mas... j sei, por que voc no me deixa te levar? Eu vou dizer ao Treinador
Lyman."
"No! Eu s quero ficar sozinha... Ah, por favor no faa perguntas." Ela quase apanhou as
chaves da mo dele. "Eu trarei de volta em breve, prometo. Ou Stefan trar.
Se voc vir Stefan, diga a ele que eu estou na penso. E obrigada." Ela bateu a porta nos
protestos dele e colocou o motor para funcionar, saindo com um encontro de marchas
porque ela no estava acostumada ao cmbio manual. Ela o deixou de p l encarando-a.
Ela dirigiu sem realmente ver ou ouvir nada do lado de fora, chorando, presa em seu
prprio tornado giratrio de emoes. Ela e Stefan iriam fugir... Eles iriam casar em
segredo... Eles mostrariam a todos. Ela nunca colocaria os ps em Fell's Church
novamente.
E ento tia Judith se arrependeria. Ento Robert veria o quo errado ele estivera. Mas Elena
nunca perdoaria-os. Nunca.
Quanto a prpria Elena, ela no precisava de ningum. Ela certamente no precisava de um
velho colgio Robert E. Lee estpido, de onde voc podia ir de mega-popular para pria
social em um dia s por amar a pessoa errada. Ela no precisava de famlia, ou de amigos,
tampouco...
Diminuindo para cruzar a entrada espiralada da penso, Elena sentiu seus pensamentos
diminurem, tambm.
Bem... ela no estava brava com seus amigos. Bonnie e Meredith no tinham feito nada. Ou
Matt. Matt era bacana. De fato, ela talvez no precisasse dele mas seu carro veio em boa
hora.
Apesar de si mesma, Elena sentiu uma risada abafada subir em sua garganta. Pobre Matt.
As pessoas estavam sempre emprestando seu dinossauro metlico que ele chamava de
carro. Ele devia achar que ela e Stefan eram birutas.
A risada deixou escorregar mais algumas lgrimas e ela sentou e as limpou, balanando sua
cabea. Ah, Deus, como as coisas ficaram desse jeito? Que dia. Ela deveria estar tendo uma
festa da vitria porque tinha superado Caroline, e ao invs ela estava chorando sozinha no
carro de Matt.
Caroline tinha parecido muito engraada, contudo. O corpo de Elena sacolejou gentilmente
com gargalhadas ligeiramente histricas. Ah, o olhar no rosto dela.  melhor que algum
tenho o vdeo disso.
Por fim os soluos e risadas acalmaram-se e Elena sentiu um banho de cansao. Ela se
inclinou contra o volante tentando no pensar em nada por um tempo, e ento ela saiu do
carro.
Ela entraria e esperaria por Stefan, e ambos iriam voltar e lidar com a baguna que ela
fizera.
Iria exigir muito limpeza, ela pensou desgastadamente. Pobre tia Judith. Elena tinha gritado
com ela na frente de metade da cidade.
Por que ela tinha se deixado ficar to chateada? Mas suas emoes ainda estavam perto da
superfcie, como ela tinha achado quando a porta da penso estava trancada e ningum
atendia a campainha.
Ah, maravilha, ela pensou, seus olhos pinicando novamente. A Sra. Flowers tinha ido na
celebrao do Dia do Fundador, tambm. E agora Elena tinha a escolha de sentar no carro
ou ficar de p aqui na tormenta.
Era a primeira vez que ela notava o clima, mas quando ela notou ela olhou ao redor em
alarme.
O dia tinha comeado nublado e gelado, mas agora havia uma neblina flutuando junto ao
cho, como se soprada dos campos ao redor. As nuvens no estavam simplesmente
serpenteando, elas estavam fervilhando. E o vento estava ficando mais forte.
Ele gemia pelos galhos das rvores de carvalho, rasgando as folhas que sobravam e
mandando-as para baixo como uma ducha. O som estava crescendo regularmente agora,
no simplesmente um gemido mas um rosnado.
E havia outra coisa. Uma coisa que vinha no s do vento, mas do prprio ar, ou do espao
ao redor do ar. Uma sensao de presso, de ameaa, de alguma fora inimaginvel. Estava
reunindo poder, aproximando-se, fechando o cerco.
Elen girou para encarar as rvores de carvalho.
Havia muitas de p atrs da casa, e mais alm, sangrando na floresta. E alm havia o rio e o
cemitrio.
Algo... estava l for a. Algo... muito ruim...
"No," sussurrou Elena. Ela no conseguia ver, mas ela conseguia sentir, como alguma
grande forma elevando-se para ficar sobre ela, apagando o cu. Ela sentiu a maldade, o
dio, a fria animal.
Sede de sangue. Stefan tinha usado a palavra, mas ela no tinha entendido. Agora ela sentia
essa sede de sangue... focada nela.
"No!"
Mais e mais, estava se elevando sobre ela. Ela ainda no conseguia ver nada, mas era como
se grandes asas se abrissem, esticando-se para tocar o horizonte de ambos os lados. Algo
com um Poder alm da compreenso... e queria matar...
"No!" Ela correu para o carro bem quando aquilo inclinou-se e mergulhou para ela. Suas
mos rasparam na maaneta, e ela lutou freneticamente com as chaves. O vento estava
gritando, berrando, rasgando no cabelo dela. Gelo arenoso gotejou nos olhos dela,
cegando-a, mas ento a chave virou e ela deu um sacolejo para abrir a porta.
Salva! Ela fechou a porta novamente e golpeou a tranca com seu punho.
Ento ela se jogou pelo assento para checar as trancas do outro lado.
O vento rugia com mil vozes do lado de fora. O carro comeou a balanar.
"Pare com isso! Damon, pare com isso!" Seu diminuto choro estava perdido na cacofonia.
Ela colocou suas mos no painel como se para equilibrar o carro e ele balanou mais forte,
gelo atirando-se contra ele.
Ento ela viu algo. A janela traseiro estava nublando-se, mas ela conseguia discernir a
forma atravs dela. Pareciua com algum grande pssaro feito de nvoa ou neve, mas os
contornos estavam turvos. Tudo que ela sabia era que tinha enormes asas envolventes... e
que estava indo na direo dela.
Coloque a chave na ignio. Coloque! Agora v! A mente dele estava jogando ordens nela.
O antigo Ford ofegou e os pneus gritaram mais alto que o vento enquanto ela caa fora. E a
forma atrs dela a seguiu, ficando maior e maior no espelho retrovisor.
V para a cidade, v at Stefan! V! V! Mas a medida que ela entrava na Estrada Old
Creek, virando a esquerda, os pneus travando, um raio de luz dividiu o cu.
Se ela j no estivesse escorregando e freiando, a rvore teria cado em cima dela.
Como era de se esperar, o impacto violento chacoalhou o carro como um terremoto, errando
o parachoque dianteiro por centmetros. A rvore era uma massa de galhos pesados e
levantados, seu tronco bloqueando o caminho de volta para a cidade completamente.
Ela estava presa. Sua nica rota para casa fora cortada. Ela estava sozinha, no havia
escapatria desse terrvel Poder...
Poder. Era isso; essa era a chave. "Quanto mais fortes so seus Poderes so, mais as regras
da escurido se vinculam a voc."
gua corrente!
Colocando o carro em marcha r, ela o virou e ento golpeou ele para frente.
A forma branca voou e desceu, errando-a por to pouco quanto a rvore tinha, e ento ela
estava acelerando pela Estrada Old Creek na pior parte da tempestade.
Ainda estava atrs dela. S um pensamento golpeava o crebro de Elena agora. Ela tinha
que cruzar a gua corrente, deixar essa coisa para trs.
Houve mais exploses de raios, e ela olhou outras rvores caindo, mas ela desviou ao redor
delas. No podia estar longe agora. Ela conseguia ver o rio relampejando no seu lado
esquerdo atravs da tempestade de gelo. Ento ela viu a ponte.
Estava l; ela conseguira chegar! Uma rajada jogou chuva com neve no para-brisa, mas com
o prximo golpe do limpador de para-brisa ela conseguiu ver fugazmente de novo. Era isso,
a curva devia estar por aqui.
O carro recuou e derrapou na estrutura de madeira. Elena sentiu as rodas agarrarem plantas
escorregadias e ento sentiu elas travarem. Desesperadamente, ela tentou virar com a
derrapagem, mas ela no conseguia ver e no havia espao.
E ento ela estava batendo no parapeito, a madeira podre da passarela cedendo sobre o peso
que no mais conseguia suportar.
Houve uma sensao doentia de giro, de cair, e ento o carro atingiu a gua.
Elena ouviu gritos, mas eles no pareciam estar conectados aos dela. O rio subiu ao seu
redor e tudo estava barulhento e confuso e dolorido. Um vidro quebrou a medida que era
acertado por escombros, e ento outro. gua escuro jorrou ao seu redor, junto com vidro
como gelo. Ela estava engolfada. Ela no conseguia ver; ela no conseguia sair.
E ela no conseguia respirar. Ela estava perdida nesse tumulto infernal, e no havia ar.
Ela tinha que respirar. Ela tinha que sair daqui...
"Stefan, me ajude!" ela gritou.
Mas seu grito no fez som algum. Ao invs, a gua gelada apressou-se em seus pulmes,
invadindo-a. Ela lutou contra ela, mas era forte demais para ela. Suas lutas tornaram-se
mais selvagens, mais descoordenadas, e ento elas pararam.
Ento tudo ficou quieto.


Bonnie e Meredith estava caando pelo permetro da escola impacientemente.
Elas tinham visto Stefan vir por aqui, mais ou menos coagido por Tyler e seus novos
amigos.
Elas tinham comeado a segu-lo, mas ento o negcio com Elena comeou. E ento Matt
as informou que ela tinha se mandado. Ento ela foram atrs de Stefan de novo, mas
ningum estava aqui fora. No havia nem mesmo nenhum prdio com exceo de um
solitrio de um barraco Quonset.
"E agora vem vindo uma tempestade!" Meredith disse. "Escute o vento! Eu acho que vai
chover."
"Ou nevar!" Bonnie estremeceu. "Onde eles foram?"
"Eu no ligo; eu s quero ir para baixo de um telhado. L vem!" Meredith arfou quando a
primeira camada de chuva gelada a acertou, e ela e Bonnie correram para o abrigo mais
prximo  o barraco Quonset.
E foi l que elas encontraram Stefan. A porta estava entreaberta, e quando Bonnie olhou
para dentro ela horrorizou-se.
"Tyler tem um esquadro de valentes!" ela sibilou. "Olhe l!"
Stefan tinha um semicrculo de caras entre ele e a porta. Caroline estava no canto.
"Ele deve estar com ele! Ele o tomou de algum jeito; eu sei que ele o fez!" ela estava
dizendo.
"Tomou o qu?" disse Meredith, audivelmente. Todos viraram na direo delas.
O rosto de Caroline contorceu-se quando ela as viu na entrada e Tyler rangeu os dentes.
"Caiam fora." Ele disse. "Voc no quer se envolver nisso."
Meredith ignorou-o. "Stefan, posso falar com voc?"
"Em um minuto. Voc vai responder a pergunta dela? Tomou o qu?" Stefan estava
concentrando-se em Tyler, totalmente focado.
"Claro, eu responderei a pergunta dela. Logo depois de responder a sua." A mo carnuda de
Tyler espancou seu punho e ele deu um passo para frente. "Voc vai virar comida de
cachorro, Salvatore."
Vrios dos caras dures deram risada.
Bonnie abriu sua boca para dizer, "Vamos cair fora daqui." Mas o que ela realmente disse
foi, "A ponte."
Foi estranho o bastante para fazer todos olharem para ela.
"O qu?" disse Stefan.
"A ponte," disse Bonnie novamente, sem querer diz-lo. Seus olhos inflaram, alarmados.
Ela conseguia ouvir a voz vindo de sua garganta, mas ela no possuia controle sobre ela. E
ento ela sentiu seus olhos ficarem arregalados e sua boca abrir e ela teve sua prpria voz
de volta. "A ponte, ah, meu Deus, a ponte!  onde Elena est! Stefan, voc tem que
salv-la... Ah, depressa!"
"Bonnie, tem certeza?"
"Sim, ah, Deus...  onde ela foi. Ela est se afogando! Depressa!" Onde de grossa escurido
vieram para cima de Bonnie. mas ela no podia desmaiar agora; eles tinha que chegar at
Elena.
Stefan e Meredith hesitaram um minuto, e ento Stefan passou pelo esquadro de valentes,
repelindo-os como lencinhos de papel. Eles correram a toda velocidade pelo campo em
direo ao estacionamento, puxando Bonnie atrs. Tyler foi atrs deles, mas parou quando a
fora total do vento o atingiu.
"Por que ela sairia nessa tempestade?" Stefan gritou quando eles lanaram-se sobre o carro
de Meredith.
"Ela estava chateada; Matt diz que ela disparou no carro dele," Meredith arfou novamente
na comparativa quietute do interior.
Ela foi embora rpido e virou-se para o vento, acelerando perigosamente. "Ela disse que
estava indo para a penso."
"No, ela est na ponte! Meredith, dirija mais rpido! Ah, Deus, ns vamos chegar tarde
demais!" Lgrimas estavam escorrendo pelo rosto de Bonnie.
Meredith atrapalhou-se. O carro oscilou, esmurrado pelo vento e pela chuva com neve. Por
todo esse pesadelo de corrida Bonnie soluou, seus dedos agarrando o assento na sua frente.
O aviso agudo de Stefan impediu Meredith de bater de frente na rvore. Eles se
amontoaram para fora e foram imediatamente chicoteados e punidos pelo vento.
" grande demais para mover! Ns teremos que andar," Stefan gritou.
 claro que era grande demais para mover, Bonnie pensou, j lutando com os galhos. Era
uma rvore de carvalho totalmente desenvolvida. Mas uma vez do outro lado, a ventania
gelada apagou todo pensamento de sua cabea.
Em minutos ela estava amortecida, e a estrada parecia continuar por horas. Eles tentaram
correr mas o vento batia neles de volta. Eles mal conseguiam enxergar; se no fosse por
Stefan, elas teriam ido para a margem do rio. Bonnie comeou a contorcer-se
embriagadamente. Ela estava pronta para cair no cho quando ela ouviu Stefan gritando l
da frente.
O brao de Meredith ao redor dela se apertou, e ambas dispararam numa corrida trpega.
Mas a medida que elas chegavam perto da ponte o que elas viram fizeram-nas parar.
"Ah, meu Deus... Elena!" gritou Bonnie. A Ponte Wickery era uma massa de borracha
despedaada. O parapeito de um lado tinha sumido e o teto tinha cedido lugar como se um
punho gigante tivesse esmagado-o. Embaixo, a gua escura agitou-se em uma pilha doentia
de escombros. Parte dos escombros, inteiramente debaixo d'gua exceto pelos frois, era o
carro de Matt.
Meredith estava gritando, tambm, mas ela estava gritando para Stefan. "No! Voc no
pode ir a embaixo!"
Ele nem ao menos olhou para trs. Ele mergulhou da beirada, e a gua se fechou em cima
de sua cabea.
Mais tarde, a memria de Bonnie da prxima hora ficaria misericordiosamente turva. Ela
lembrava-se de esperar por Stefan enquanto a tempestade enraivecia sem parar. Ela
lembrava-se que ela estava mais do que preocupada na hora que uma figura encurvada
moveu-se para fora da gua. Ela lembrava-se de sentir nenhuma decepo, s um luto vasto
e escancarado, enquanto ela viu a coisa frouxa que Stefan deitava na estrada.
E ela se lembrou do rosto de Stefan.
Ela lembrava-se de como ele aparentava enquanto eles tentavam fazer algo por Elena. S
que no era realmente Elena deitada ali, era uma boneca de cera com os traos de Elena.
No era nada que j estivera vivo e certamente no estava vivo agora. Bonnie achou que
parecia bobo continuar cutucando e espetando ela desse jeito, tentando tirar gua de seus
pulmes e tudo mais. Bonecas de cera no respiravam.
Ela lembrava-se do rosto de Stefan quando ele finalmente desistiu. Quando Meredith lutou
com ele e gritou com ele, dizendo algo sobre mais de uma hora sem ar, e danos cerebrais.
As palavras filtraram em Bonnie, mas seu significado no. Ela s achou estranho que
enquanto Meredith e Stefan estavam gritando um com o outro ambos estavam chorando.
Stefan parou de chorar depois disso. Ele s ficou sentado l segurando a boneca Elena.
Meredith gritou um pouco mais, mas ele no escutou ela. Ele s sentou. E Bonnie nunca
esqueceria sua expresso.
E ento algo chamuscou em Bonnie, trazendo-a de volta a vida, acordando-a para o terror.
Ela agarrou Meredith e encarou ao seu redor pela fonte. Algo ruim... algo terrvel estava
vindo. Estava quase aqui.
Stefan parecia sentir isso, tambm. Ele estava alerta, duro, como um lobo sentindo um
cheiro.
"O que foi?" berrou Meredith. "O que tem de errado com voc?"
 "Vocs tem que ir!" Stefan ficou de p, ainda segurando a forma frouxa em seus braos.
"Caiam fora daqui!"
"O que voc quer dizer? Ns no podemos deix-lo
"Sim, vocs podem! Caiam fora daqui! Bonnie, tire ela daqui!"
Ningum nunca tinha dito a Bonnie para cuidar de outra pessoa antes. As pessoas estavam
sempre cuidando dela. Mas agora ela agarrou o brao de Meredith e comeava a puxar.
Stefan estava certo. No havia nada que elas pudessem fazer por Elena, e se elas ficassem o
que quer que tivesse pego-a iria peg-las.
"Stefan!" Meredith gritou enquanto era arrastada inexplicavelmente.
"Eu a colocarei debaixo das rvores. Dos salgueiros, no dos carvalhos," ele disse depois
delas.
Por que ele nos diria isso agora? Bonnie se perguntou em alguma parte profunda de sua
mente que no estava tomada por medo e pela tempestade.
A resposta era simples, e sua mente prontamente devolveu para ela. Porque ele no ia ficar
por perto para lhes contar depois.




Captulo Dezesseis

H muito tempo, nas ruas laterais escuras de Florena, morrendo de fome, assustado, e
exausto, Stefan tinha feito um voto a si mesmo.
Diversos votos, de fato, sobre usar os Poderes que ele sentia dentro de si, e sobre como
tratar as criaturas fracas, falhas, mas ainda humanas ao seu redor.
Agora ele ia quebrar todos eles.
Ele tinha beijado a fria testa de Elena e a deitado debaixo de uma rvore de carvalho. Ele
voltaria aqui, se pudesse, para se juntar a ela, depois.
Como ele pensara, a onda de Poder tinha ignorado Bonnie e Meredith e seguido ele, mas
tinha recuado novamente, e agora estava retirada, esperando.
Ele no a deixaria esperar muito.
Livre do peso do corpo de Elena, ele partiu em um galope de predador na estrada vazia. A
chuva de neve gelada e o vento no o incomodavam muito. Seus sentidos de predador
perfuraram ele.
Ele os ligou todos na tarefa de localizar a presa que ele queria. Nada de pensar em Elena
agora. Depois, quando isso tivesse acabado.
Tyler e seus amigos ainda estavam no barraco Quonset. timo. Eles nunca souberam o
que estava vindo quando a janela explodiu com pedaos de virdro voando e a tempestade
soprou adentro.
Stefan queria matar quando ele agarrou Tyler pelo pescoo e afundou suas presa nele. Essa
tinha sido uma de suas regras, no matar, e ele queria quebr-la.
Mais um dos valentes foi at ele antes que ele tivesse acabado de drenar o sangue de Tyler.
O cara no estava tentando proteger seu lder cado, s escapar. Foi seu azar que sua rota o
levou pelo caminho de Stefan. Stefan jogou-o no cho e espremeu a nova veia avidamente.
O gosto quente de cobre reviveu-o, aqueceu-o, fluiu por ele como fogo. Fez ele querer mais.
Poder. Vida. Eles tinham isso; ele precisava disso. Com o tumulto glorioso da fora que
vinha com o que ele j tinha bebido, ele os aturdiou facilmente. Ento ele moveu de um
para o outro, bebendo profundamente e jogando-os para longe. Eram como latas em um
pacote de seis unidades.
Ele estava no ltimo quando ele viu Caroline aconchegando-se no canto.
Sua boca estava pingando enquanto ele levantava sua cabea para olhar para ela. Aqueles
olhos verdes, geralmente to estreitos, mostravam o branco a toda volta como os de um
cavalo assustado.
Os lbios dela eram borres plidos enquanto ela balbuciava pedidos mudos.
Ele a puxou de p pelo cinto verde em sua cintura. Ela estava gemendo, seus olhos rolando
em seus buracos. Ele contorceu sua mo no cabelo castanho dela para posicionar a garganta
exposta onde ele a queria. Sua cabea recuou para atacar  e Caroline gritou e ficou frouxa.
Ele a derrubou. Ele tinha tido o bastante de qualquer jeito. Ele estava explodindo com
sangue, como um carrapato superalimentado. Ele nunca tinha se sentido to forte, to
carregado com poder elemental.
Agora era hora do Damon.
Ele saiu do barraco Quonset do mesmo jeito que tinha entrado. Mas no em forma
humana. Um falco predador levantou voo da janela e girou no cu.
A nova forma era maravihosa. Forte... e cruel. E seus olhos eram aguados. Levavam-no
onde ele queria, espiando sob as rvores de carvalho da floresta. Ele estava procurando por
uma clareira em particular.
Ele a achou. O vento bateu nele mas ele girou em espiral para baixo, como um grito fnebre
de desafio.
Damon, em forma humana abaixo, lanou suas mos para cima para cobrir seu rosto
quando o falco mergulhou na direo dele.
Stefan arrancou tiras sangrentas dos braos dele e ouviu o grito de resposta de dor e raiva de
Damon.
Eu no sou mais o seu irmozinho fraco. Ele mandou o pensamento para Damon com uma
exploso impressionante de Poder. E dessa vez eu vim pelo seu sangue.
Ele sentiu o efeito do dio de Damon, mas a voz em sua mente era zombateira.
Ento esse  o agradecimento que eu consigo por salvar voc e sua noiva?
As asas de Stefan se dobraram e ele mergulhou novamente, seu mundo todo estreitado por
um objetivo.
Matar. Ele foi na direo dos olhos de Damon, e o graveto que Damon tinha pego zuniu ao
lado de seu novo corpo. Suas garras rasgaram a bochecha de Damon e o sangue de Damon
correu. timo.
Voc no devia ter me deixado viver, ele disse a Damon. Voc devia ter matado ns dois de
uma s vez.
Eu ficarei feliz de corrigir o erro! Damon estava despreparado antes, mas agora Stefan
podia sentir ele extraindo seu Poder, se armando, ficando pronto. Mas primeiro voc deve
me dizer quem eu matei dessa vez.
O crebro do falco no conseguia lidar com o tumulto de emoes que a pergunta
zombeteira convocava. Gritando sem palavras, ele mergulhou na direo de Damon
novamente, mas dessa vez o pesado graveto o acertou. Ferido, uma asa pendendo, o falco
caiu atrs das costas de Damon.
Stefan mudou para sua prpria forma de uma s vez, sentindo a dor de um brao quebrado.
Antes que Damon pudesse se virar, ele o agarrou, os dedos de sua mo boa afundando no
pescoo de seu irmo e girando-o.
Quando ele falou, foi quase gentilmente.
"Elena," ele disse, sussurrando, e foi para a garganta de Damon.
Estava escuro, e muito frio, e algum estava ferido. Algum precisava de ajuda.
Mas ela estava terrivelmente cansada.
As plpebras de Elena sacudiram-se e abriram e isso acabou com a escurido. Quanto ao
frio... ela estava gelada at os ossos, congelando, tremendo at a medula. E no era para
menos; havia gelo a toda sua volta.
Em algum lugar, bem profundamente, ela sabia que havia mais que isso.
O que tinha acontecido? Ela estivera em casa, dormindo  no, esse era o Dia do Fundador.
Ela estava na lanchonete, no placo.
O rosto de algum parecera engraado.
Era demais para se lidar; ela no conseguia pensar. Rostos sem corpos flutuavam perante
seus olhos, fragmentos de sentenas soaram em seus ouvidos. Ela estava muito confusa.
E to cansada.
 melhor voltar a dormir ento. O gelo no era to ruim assim. Ela comeou a se deitar, e
ento os choros chegaram at ela.
Ela os ouviu, no com seus ouvidos, mas com sua mente. Choros de raiva e de dor.
Algum estava muito infeliz.
Ela sentou-se muito quieta, tentando entender tudo.
Houve um tiritar de movimento na beirada de sua viso. Um esquilo. Ela conseguia
cheir-lo, o que era estranho porque ela nunca tinha cheirado um esquilo antes. Ele
encarou-a com um olho preto brilhante e ento correu para o salgueiro. Elena percebeu que
o tentara agarrar somente quando ela levantou as mos vazios com suas unhas afundando na
casca de rvore.
Agora, isso era ridculo. Por que diabos ela iria querer um esquilo? Ela ficou perplexa por
um momento, ento deitou-se, exausta.
Os choros continuavam ainda.
Ela tentou cobrir suas orelhas, mas isso no adiantou em nada para bloque-los. Algum
estava ferido, e infeliz, e lutando. Era isso. Havia uma luta acontecendo.
Certo. Ela tinha descoberto isso. Agora ela podia dormir.
Ela no conseguia, contudo. Os choros chamavam-na, puxavam-na na direo deles. Ela
sentiu uma necessidade irresistvel de segu-los at sua fonte.
E ento ela podia dormir. Depois que ela visse... ele.
Ah, sim, estava voltando agora. Ela lembrava dele. Ele era aquele que a entendia, que a
amava.
Ele era aquele com quem ela queria viver para sempre.
O rosto dele aparecia nas nvoas em sua mente. Ela o considerou amvel. Certo, ento. Por
ele ela levantaria e andaria por essa chuva de neve ridcula at que ela encontrasse a clareira
certa. At que ela pudesse se juntar a ele. Ento eles ficariam juntos.
S pensar nele parecia aquec-la. Havia um fogo dentro dele que poucas pessoas
conseguiam ver. Ela via isso, contudo. Era como o fogo dentro dela.
Ele parecia estar em algum tipo de confuso no momento. Pelo menos, havia muitos gritos.
Ela estava perto o bastante para escutar com suas orelhas to bem quanto com sua mente
agora.
L, alm daquela velha rvore de carvalho. Era de onde o barulho estava vindo. Ele estava
l, com seus olhos pretos e insondveis, e seu sorriso secreto. E ele precisava da ajuda dela.
Ela o ajudaria.
Sacudindo cristais de gelo de seu cabelo, Elena entrou na clareira na floresta.


                                       FIM!!!
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